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NECESSIDADES DA VIDA

O tradicional ressentimento do filósofo contra a condição humana de possuir um corpo não é a mesma coisa que o antigo desdém em relação às necessidades da vida; a sujeição à necessidade era apenas um dos aspectos da existência corpórea, e uma vez libertado desta necessidade o corpo era capaz daquela aparência pura que os gregos chamavam de beleza. Depois de Platão, os filósofos acrescentaram ao ressentimento de serem forçados por necessidades corporais o ressentimento contra qualquer tipo de movimentação. É por viver em completa quietude que somente o corpo do filósofo habita a cidade, segundo Platão. É esta também a origem da acusação de «abelhudice» (poly-prugmosyne) dirigida àqueles que passam a vida a cuidar da política.

(…)

Tomás de Aquino é bastante explícito quanto à conexão entre a vita activa e as necessidades e carências do corpo humano, que os homens e os animais têm em comum (Summa theologica. ii.2. 182. 1).

(…)

Tomás de Aquino ressalta a quietude da alma, e recomenda a vita activa porque ela esgota e, portanto, «arrefece as paixões interiores» e prepara o homem para a contemplação (Summa theologica ii.2 182. 3).

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