Ariadne, cujo nome possivelmente significa “a muito luminosa” ou “a muito honrada”, era filha de Minos, rei de Creta, e de Pasífae, filha de Hélio, e sua etimologia gerou debates filológicos, com formas alternadas como Ariàgnê e a hipótese de um termo fictício hadnós, “casto, puro, luminoso”.
Quando Teseu chegou a Creta para enfrentar o Minotauro no Labirinto, Ariadne se apaixonou por ele e lhe deu, a conselho de Dédalo, um novelo de fios para que pudesse encontrar o caminho de volta após matar o monstro.
Após derrotar o Minotauro, Teseu escapou do Labirinto com seus treze acompanhantes, inutilizou os navios cretenses para impedir perseguições e velejou para a Grécia levando Ariadne, mas fez escala em Naxos, onde a abandonou enquanto ela dormia.
A versão mais conhecida, seguida por Ovídio nas Heróides, descreve o lamento de Ariadne ao acordar sozinha e ver o navio de velas pretas desaparecendo no horizonte.
Há variantes que afirmam que Teseu a abandonou porque amava Egle, filha de Panopleu, ou porque foi forçado a deixá-la em Naxos, já que Dioniso se apaixonara por ela ou a teria raptado durante a noite.
Dioniso desposou Ariadne e a levou para o Olimpo, dando-lhe como presente de núpcias um diadema de ouro cinzelado por Hefesto, que mais tarde foi transformado em constelação, e com ele Ariadne teve quatro filhos: Toas, Estáfilo, Enópion e Pepareto.
A paixão e o rapto de Ariadne por Dioniso podem ser vistos sob o enfoque da dessacralização, pois Ariadne era uma antiga deusa egéia da vegetação, suplantada em Naxos e demais ilhas do Mediterrâneo por Dioniso, o deus da vegetação por excelência.
O casamento sagrado do deus com a filha de Minos representa a união de duas divindades protetoras da semente, pertencente a um velho fundo de costumes religiosos, e possibilitou que uma antiga deusa decaída, suplantada em suas funções e transformada em princesa e heroína, tivesse direito à apoteose, como aconteceu com Helena.
A figura mítica de Ariadne, suas desventuras e amores mereceram atenção de romancistas, poetas e músicos, como o romance Ariadne, de Anton Tchekhov, e a poesia de Hugo von Hofmannsthal conjugada à música de Richard Strauss, que produziram o ato lírico-burlesco Ariadne auf Naxos, uma superposição do cômico ao dramático.