===== VERDADES DE FATO E DE RAZÃO ===== O [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de partida de [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]] é este ponto central, desde as primeiras linhas do livro que consagra a refutar a [[lexico:l:locke:start|Locke]]. Locke tinha [[lexico:e:escrito:start|escrito]] [[lexico:e:ensaios:start|Ensaios]] sobre o [[lexico:e:entendimento:start|entendimento]] [[lexico:h:humano:start|humano]]; Leibniz leu [[lexico:e:esse:start|esse]] livro, estudou-o a fundo e depois redigiu umas notas que se publicaram com o título de [[lexico:n:novos-ensaios-sobre-o-entendimento-humano:start|Novos Ensaios sobre o Entendimento Humano]], após a [[lexico:m:morte:start|morte]] de Locke. As primeiras linhas deste livro começam, desde logo, levantando o [[lexico:p:problema:start|problema]] no seu ponto central: distinguindo [[lexico:v:verdades-de-razao:start|verdades de razão]] e [[lexico:v:verdades-de-fato:start|verdades de fato]]. O [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] humano compõe-se de umas verdades que chamamos "de [[lexico:r:razao:start|razão]]" e de outras verdades que chamamos "de [[lexico:f:fato:start|fato]]", vérités de fait; vérités de raison. Em que se distinguem umas das outras? As verdades de razão são aquelas que enunciam que algo é de tal [[lexico:m:modo:start|modo]], que [[lexico:n:nao:start|não]] pode [[lexico:s:ser:start|ser]] mais que desse modo; ao contrário, as verdades de fato são aquelas que enunciam que algo é de certa maneira, mas que poderiam ser de outra. Em [[lexico:s:suma:start|suma]]: as verdades de razão são aquelas verdades que enunciam um ser ou um consistir [[lexico:n:necessario:start|necessário]], enquanto que as verdades de fato são aquelas verdades que enunciam um ser ou um consistir [[lexico:c:contingente:start|contingente]]. O ser ou o consistir necessário é aquele ser que é aquilo que é, sem que seja [[lexico:p:possivel:start|possível]] conceber-se sequer que seja de [[lexico:o:outro:start|outro]] modo. Assim o [[lexico:t:triangulo:start|triângulo]] tem três ângulos e é [[lexico:i:impossivel:start|impossível]] conceber que não os tenha; assim todos os pontos da circunferência estão igualmente afastados do centro e é impossível conceber que seja de outro modo. Pelo contrário, se dizemos que o calor dilata os corpos, é assim: o calor dilata os corpos; mas poderia ocorrer que o calor não dilatasse os corpos. As verdades matemáticas, as verdades de [[lexico:l:logica:start|lógica]] pura, são verdades de razão; as verdades da [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] [[lexico:f:fisica:start|física]] são verdades de fato; as verdades históricas são verdades de fato. Corresponde nitidamente esta [[lexico:d:divisao:start|divisão]] à divisão que fazem os lógicos entre os juízos apodícticos e os juízos assertórios. Juízos apodícticos são aqueles juízos em que o [[lexico:p:predicado:start|predicado]] não pode ser outra [[lexico:c:coisa:start|coisa]] que predicado do [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]]; ou, [[lexico:d:dito:start|dito]] de outro modo, em que o predicado pertence necessariamente ao sujeito, como quando dizemos que o quadrado tem [[lexico:q:quatro:start|Quatro]] lados. Todas as proposições matemáticas são deste [[lexico:t:tipo:start|tipo]]. Juízos assertórios, ao contrário, são aqueles juízos em que o predicado pertence ao sujeito; porém o pertencer ao sujeito não é de [[lexico:d:direito:start|direito]], mas de fato. Pertence ao sujeito, com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], mas poderia não pertencer, como quando dizemos que esta lâmpada é verde. Que esta lâmpada é verde, é algo que está certo; porém é uma [[lexico:v:verdade:start|verdade]] de fato, porque poderia ser igualmente rosa. O problema que se propusera Locke era o problema da .[[lexico:o:origem-das-ideias:start|origem das ideias]], da [[lexico:o:origem:start|origem]] das vivências complexas. Esse problema se propõe também Leibniz, mas partindo desta [[lexico:d:distincao:start|distinção]]: verdades de fato, verdades de razão. E em primeiro [[lexico:l:lugar:start|lugar]] as verdades de razão. As verdades de razão, podem ser oriundas da experiência? De maneira nenhuma. Como vão ser as verdades de razão oriundas da experiência! Se as verdades de razão fossem oriundas da experiência, seriam oriundas de fatos, porque a experiência são fatos. E se fossem oriundas de fatos, as verdades de razão seriam verdades de fato; quer dizer, não seriam razão, não seriam verdades de razão, seriam tão contingentes, tão casuais, tão acidentais como são as mesmas verdades de fato. Por conseguinte, é inútil pensar-se que as verdades de razão possam originar-se na experiência. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}