===== UTILIDADE ===== Escolhemos entre muitas outras possíveis a seguinte passagem da [[lexico:g:gaia|Gaia]] [[lexico:c:ciencia|Ciência]] que muito claramente parece confirmar [[lexico:e:esse|esse]] [[lexico:t:tipo|tipo]] de [[lexico:i:interpretacao|interpretação]]: “Este é propriamente o [[lexico:f:fenomenismo|fenomenismo]] e [[lexico:p:perspectivismo|perspectivismo]], tal como o entendo: a [[lexico:n:natureza|natureza]] da [[lexico:c:consciencia|consciência]] [[lexico:a:animal|animal]] traz consigo o [[lexico:f:fato|fato]] de o [[lexico:m:mundo|mundo]] — aquilo de que nos podemos tornar conscientes somente [[lexico:s:ser|ser]] um mundo de superfícies e de sinais, um mundo generalizado e ficcionado o fato de tudo [[lexico:o:o-que-e|o que é]] consciencializado se tornar, por isso mesmo, um [[lexico:s:sinal|sinal]] ou sinal identificador de rebanho, magro, relativamente idiota, o fato de toda consciencialização [[lexico:e:estar|estar]] ligada a uma enorme distorção, falsificação, superficialização e [[lexico:g:generalizacao|generalização]]... Nós [[lexico:n:nao|não]] possuímos absolutamente nenhum [[lexico:o:orgao|órgão]] para o conhecer; para a [[lexico:v:verdade|verdade]]’ : ‘sabemos’ (ou cremos, ou imaginamos) precisamente tanto quanto possa ser [[lexico:u:util|útil]] ao [[lexico:i:interesse|interesse]] do homem-rebanho, da [[lexico:e:especie|espécie]] e mesmo aquilo que designamos utilidade’ é finalmente tão-só uma [[lexico:c:crenca|crença]], uma [[lexico:f:fantasia|fantasia]] e talvez até aquela [[lexico:l:loucura|loucura]] fatídica que outrora nos levou ao [[lexico:a:abismo|abismo]]”.32 Depois de declarar o [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] como [[lexico:f:funcao|função]] da utilidade, a verdade como simplificação mediante uma qualquer [[lexico:s:semiotica|semiótica]], [[lexico:p:processo|processo]] que leva [[lexico:n:nietzsche|Nietzsche]] a identificar a simplificação com a falsificação e o [[lexico:e:erro|erro]], eis que o [[lexico:p:proprio|próprio]] [[lexico:c:conceito|conceito]] de utilidade transforma-se em algo de imaginado, numa [[lexico:f:ficcao|ficção]]. O que só pode significar que aquele que interpreta o conhecimento como função da utilidade está ainda a laborar num erro. Afinal, é o que já acontece com todos os epistemólogos que usam [[lexico:c:categorias|categorias]] ([[lexico:c:causalidade|causalidade]], [[lexico:t:totalidade|totalidade]], [[lexico:u:unidade|unidade]], etc.) como autênticas categorias do ser. E no entanto é verdade que é o próprio Nietzsche que usa uma [[lexico:l:linguagem|linguagem]] própria do [[lexico:p:pragmatismo|pragmatismo]] e do [[lexico:u:utilitarismo|utilitarismo]]: as semióticas humanas que visam o “[[lexico:r:real|real]]” são antes de mais [[lexico:n:nada|nada]] idiossincrasias antropocêntricas, cuja [[lexico:o:origem|origem]] é a utilidade para a [[lexico:v:vida|vida]].