===== UTENSÍLIO ===== O [[lexico:e:ente|ente]] que faz encontro na ocupação, denominamos o utensílio. O que se encontra no [[lexico:u:uso|uso]], são utensílios para escrever, para cozer, para efetuar um [[lexico:t:trabalho|trabalho]] manual, para se deslocar, para medir. O [[lexico:m:modo|modo]] de [[lexico:s:ser|ser]] do utensílio deve ser destacado. O que faremos tomando por fio condutor uma prévia delimitação do que faz de um utensílio um utensílio, a utensilidade. Um utensílio, em [[lexico:t:todo|todo]] rigor [[lexico:n:nao|não]] existe. O ser do utensílio pertence sempre a um [[lexico:c:complexo|complexo]] de utensílios no seio do qual ele pode ser este utensílio que ele é. O utensílio é essencialmente “[[lexico:a:alguma-coisa|alguma coisa]] para...”. As diversas nuances do “para...” como o serviço, a [[lexico:u:utilidade|utilidade]], a empregabilidade ou a manualidade constituem uma [[lexico:t:totalidade|totalidade]] de utensílios. Na [[lexico:e:estrutura|estrutura]] do “para...” está contido um remetimento de algo para algo. O [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] indicado por este [[lexico:t:termo|termo]] só poderá ser manifesto em sua [[lexico:g:genese|gênese]] [[lexico:o:ontologica|ontológica]] no curso das análises que seguem. Provisoriamente, convém dispôr sob o olhar uma [[lexico:m:multiplicidade|multiplicidade]] de remetimentos. O [[lexico:i:instrumento|instrumento]], conforme sua utensilidade, é sempre por sua pertinência a um [[lexico:o:outro|outro]] utensílio: o escritório, a caneta, a tinta, o papel, a mesa, a luminária, os móveis, as janelas, as portas, o cômodo. Estas “[[lexico:c:coisas|coisas]]” não começam [[lexico:a:a-se|a se]] mostrar para elas mesmas, para constituir em seguida uma [[lexico:s:soma|soma]] de [[lexico:r:realidade|realidade]] própria a preencher um cômodo. O que faz de pronto encontro, sem ser apreendido tematicamente, é o cômodo, e ainda este não é o “intervalo entre [[lexico:q:quatro|Quatro]] paredes” em um [[lexico:s:sentido|sentido]] espacial geométrico — mas um utensílio da habitação. É a partir dele que se mostra a “gestão”, e é nele que aparece a cada vez tal utensílio “[[lexico:s:singular|singular]]”. Antes de tal e tal utensílio, uma totalidade de utensílios é a cada vez já [[lexico:d:descoberta|descoberta]]. O uso específico do utensílio, onde este somente pode se manifestar autenticamente em seu ser, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]] o [[lexico:f:fato|fato]] de martelar com o martelo, não apreende tematicamente este ente como [[lexico:c:coisa|coisa]] aditada, assim como a utilização mesma não tem [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] da estrutura do utensílio enquanto tal. O martelamento não tem simplesmente a mais um [[lexico:s:saber|saber]] do [[lexico:c:carater|caráter]] do utensílio martelo, mas ele se apropriou deste utensílio tão adequadamente quanto [[lexico:p:possivel|possível]]. Em um tal uso que se serve de..., a ocupação se submete ao para... [[lexico:c:constitutivo|constitutivo]] daquilo que é a cada vez utensílio; mas a coisa-martelo é simplesmente “[[lexico:v:visada|visada]]”, quanto mais é utilizada eficazmente e mais original é a [[lexico:r:relacao|relação]] a ela, mais manifestamente ela faz encontro como aquilo que ela é — como utensílio. É o martelar ele mesmo que descobre o “manuseio” específico do martelo. O modo de ser do utensílio, onde ele se revela a partir dele mesmo, nós denominamos ser-à-mão. É somente porque o utensílio tem este “ser-em-si”, em [[lexico:l:lugar|lugar]] de limitar a sobrepor-se, que ele é manipulável no sentido mais amplo e disponível.