===== TRINDADE ===== (in. Trinity; fr. Trinité; al. Dreifaltigkeit). Um dos dogmas fundamentais do cristianismo, que afirma a [[lexico:u:unidade|unidade]] da [[lexico:s:substancia|substância]] divina na trindade das pessoas. A [[lexico:f:formula|fórmula]] desse [[lexico:d:dogma|dogma]] foi fixada pelo Concilio de Niceia em 325, e em sua formulação desempenharam papéis importantes a [[lexico:o:obra|obra]] do bispo Atanásio e a polêmica contra a doutrina de Ário, que tendia a acentuar a [[lexico:s:subordinacao|subordinação]] do [[lexico:f:filho|filho]] em [[lexico:r:relacao|relação]] ao Pai e praticamente ignorava a terceira [[lexico:p:pessoa|pessoa]] da Trindade. A [[lexico:e:explicacao|explicação]] clássica desse dogma foi dada por [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]], por [[lexico:m:meio|meio]] do [[lexico:c:conceito|conceito]] da relação. A relação, por um lado, constitui as pessoas divinas na sua [[lexico:d:distincao|distinção]] e, por [[lexico:o:outro|outro]], identifica-se com a mesma e única [[lexico:e:essencia|essência]] divina. As pessoas divinas são constituídas por suas [[lexico:r:relacoes|relações]] de [[lexico:o:origem|origem]]: o Pai, pela paternidade (ou seja, pela relação com o Filho); o Filho, pela filiação ou [[lexico:g:geracao|geração]] (ou seja, pela relação com o Pai); o [[lexico:e:espirito|Espírito]], pelo [[lexico:a:amor|amor]] (ou seja, pela relação recíproca de Pai e Filho). Essas relações em [[lexico:d:deus|Deus]] [[lexico:n:nao|não]] são acidentais ([[lexico:n:nada|nada]] existe de acidental em Deus) mas reais; subsistem realmente na substância divina. Portanto, a substância divina em sua unidade, ao implicar as relações, implica as diferenças das pessoas ([[lexico:s:suma-teologica|Suma Teológica]], I, q. 27-32 e esp. q. 29, a. 4). Esta [[lexico:i:interpretacao|interpretação]] basta, segundo Tomás de Aquino, para mostrar que "o que a [[lexico:f:fe|fé]] revela não é [[lexico:i:impossivel|impossível]]". Do [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista [[lexico:l:logico|lógico]], implica uma doutrina historicamente importante sobre a [[lexico:n:natureza|natureza]] das relações (v. relação). No [[lexico:u:ultimo|último]] período da [[lexico:e:escolastica|escolástica]], porém, o dogma da trindade recebeu duas interpretações: foi considerado "[[lexico:v:verdade|verdade]] prática", por Duns Scot (Op. Ox., Prol. q. 4, n. 31), ou algo que está [[lexico:a:alem|além]] de qualquer [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de [[lexico:e:entendimento|entendimento]], como fez Ockham (In Sent., I. d. 30, q. 1 B). O dogma da trindade também foi aceito pelas igrejas protestantes, com [[lexico:e:excecao|exceção]] da [[lexico:t:tendencia|tendência]] representada pelo [[lexico:s:socinianismo|socinianismo]], que retomou as doutrinas de [[lexico:t:tipo|tipo]] ariano, comuns nos primeiros séculos do cristianismo. Essas doutrinas foram retomadas pelos chamados unitários, que constituíram um [[lexico:m:movimento|movimento]] [[lexico:r:religioso|religioso]] difundido principalmente na Inglaterra e na [[lexico:a:america|América]] do Norte a partir da segunda metade do séc. XVIII (v. unitarismo).