===== TRIAS ===== triás: [[lexico:t:triade|tríade]], [[lexico:e:estrutura|estrutura]] triádica 1. Um dos aspectos mais característicos do [[lexico:p:platonismo|platonismo]] tardio é a [[lexico:p:presenca|presença]] de uma estrutura triádica nas suas hypostases. O seu emprego é bastante modesto em [[lexico:p:plotino|Plotino]] cuja grande tríade hipostatica do [[lexico:h:hen|hen]], do [[lexico:n:nous|noûs]] e da [[lexico:p:psyche-tou-pantos|psyche tou pantos]] (qq. v.) parece mais baseada em considerações históricas do [[lexico:s:sincretismo|sincretismo]] do que em qualquer [[lexico:p:principio|princípio]] [[lexico:t:triadico|triádico]] [[lexico:a:a-priori|a priori]]. [[lexico:e:eneadas|Eneadas]] V, 1, 7, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], [[lexico:n:nao|não]] está muito esquematizado e ti, 9, 1 só ligeiramente o está mais. 2. O mesmo é [[lexico:v:verdade|verdade]] no que se refere à outra grande tríade de Plotino: o [[lexico:s:ser|ser]] (on), a [[lexico:v:vida|vida]] ([[lexico:z:zoe|zoe]]) e o [[lexico:i:intelecto|intelecto]] (noûs). Esta tem o seu [[lexico:f:fundamento|fundamento]] na [[lexico:e:exegese|exegese]] da [[lexico:t:tradicao|tradição]] platônica de um [[lexico:t:texto|texto]] célebre no Soph. 248e onde [[lexico:p:platao|Platão]] admite no [[lexico:r:reino|reino]] do «completamente [[lexico:r:real|real]]» (pantelos on) a [[lexico:m:mudanca|mudança]] ([[lexico:k:kinesis|kinesis]]), a vida, a [[lexico:a:alma|alma]] e o [[lexico:p:pensamento|pensamento]] ([[lexico:p:phronesis|phronesis]]). Quaisquer que fossem os [[lexico:m:motivos|motivos]] exatos e a importância da introdução por Platão desta mudança radical na [[lexico:p:posicao|posição]] ([[lexico:v:ver|ver]] kinesis 6), ela teve um [[lexico:e:efeito|efeito]] inegável nos seus sucessores. É proeminentemente usada por Plotino para refutar o [[lexico:m:materialismo|materialismo]] dos estoicos: o ser não é um [[lexico:c:corpo-morto|corpo morto]]; é possuído de vida e [[lexico:i:inteligencia|inteligência]] (Eneadas IV, 7, 2; V, 4, 2). 3. Mas o seu [[lexico:u:uso|uso]] mais frequente deste conjunto está em ligação com a estrutura e a [[lexico:o:operacao|operação]] do noûs [[lexico:t:transcendente|transcendente]], e aqui há, provavelmente, a [[lexico:i:influencia|influência]] convergente de [[lexico:o:outro|outro]] texto poderoso, desta vez aristotélico onde se descreve a vida de [[lexico:d:deus|Deus]] como a [[lexico:e:energeia|energeia]] do noûs ([[lexico:m:metafisica|Metafísica]] 1072b; sobre a [[lexico:n:negacao|negação]] desta [[lexico:c:caracteristica|característica]] ao [[lexico:u:uno|uno]] plotiniano, ver [[lexico:n:noeton|noeton]] 4). Para Plotino, o ser, a vida e a inteligência são todas características do noûs ao nível cósmico; ele tem uma energeia interior que é a vida e que traz consigo o ser e o pensamento (VI, 7, 13). Parece também [[lexico:e:estar|estar]] relacionado com outra tríade, que atinge pleno [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]] em [[lexico:p:proclo|Proclo]]. A vida é um lançamento para fora, um [[lexico:m:movimento|movimento]] [[lexico:i:indefinido|indefinido]] (aoristos) que se afasta de uma [[lexico:f:fonte|fonte]]. Recebe a sua [[lexico:d:definicao|definição]] por regressar a essa fonte; e este regressar é o noûs (ver Eneadas II, 4, 5 e confrontar [[lexico:a:apeiron|apeiron]] 3). 4. O panorama é completamente diferente em Proclo. On, zoe, noûs são ainda proeminentes, mais proeminentes, de [[lexico:f:fato|fato]], do que em Plotino (ver Elem. theol, props. 101-103), mas aqui são dominados por um princípio triádico com [[lexico:f:forca|força]] de [[lexico:l:lei|lei]] onto-lógica: cada [[lexico:c:causa|causa]] ([[lexico:a:aition|aition]]) procede para o seu efeito (aitiaton) por um «[[lexico:m:meio|meio]] [[lexico:t:termo|termo]]» ([[lexico:m:meson|meson]]). Este princípio aritmético é, por seu turno, um [[lexico:m:modo|modo]] operacional de um [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista mais lato que vê o [[lexico:m:mundo|mundo]] espiritual como o mesmo [[lexico:t:tipo|tipo]] de continuam ininterrupto que estava concorrentemente a ser propagado para o mundo [[lexico:f:fisico|físico]] (sobre a [[lexico:a:ausencia|ausência]] de interrupções na scala naturae, ver [[lexico:s:sympatheia|sympatheia]] 3). Estes [[lexico:p:principios|princípios]] encontram formulação explícita em Proclo (op. cit., prop. 28) e provavelmente remontam a Jamblico (ver Proclo, In [[lexico:t:timeu|Timeu]] II, 313: Salústio xxvm, 31; sobre a continuidade do mundo espiritual em Plotino, ver Eneadas II, 9, 3). 5. As aplicações que Proclo faz do princípio da estrutura triádica são múltiplas. Em adição a ser – vida - intelecto há causa – poder - efeito (para o meio termo disto, ver [[lexico:d:dynamis|dynamis]]), definido – indefinido - [[lexico:m:mistura|mistura]] (a «tríade de [[lexico:f:filebo|Filebo]]»; ver [[lexico:p:peras|peras]], apeiron), permanência-processão-retorno (ver [[lexico:p:proodos|proodos]], [[lexico:e:epistrophe|epistrophe]]), e a tríade particularmente característica do não-participado (amethekton) - participado (metechomenon)-participante (metechon). Esta última tríade codifica e consagra resposta final do platonismo tardio ao [[lexico:d:dilema|dilema]] [[lexico:h:hipotetico|hipotético]] parmenidiano; se Uno, como [[lexico:m:multiplo|Múltiplo]]? o Uno é não-participado, mas produz algo que é passível de ser participado (metechomenon; para as razões desta produção, ver proodos 3), passível porque é participado por uma [[lexico:p:pluralidade|pluralidade]] de participantes (metechonta) (Elem. theol., prop. 23). O segundo termo, o meio na progressão, é [[lexico:s:superior|superior]] aos seus participantes [[lexico:d:dado|dado]] que eles dependem dele para a sua completude (prop. 24). A mesma [[lexico:p:proposicao|proposição]] estabelece o princípio em sumário: o não-participado é unidade-antes de-pluralidade; o participado é unidade-na-pluralidade, i. é, um e não-um, enquanto os participantes são não-um, contudo um na sua [[lexico:o:origem|origem]] (ver [[lexico:e:esquema|esquema]] [[lexico:s:semelhante|semelhante]] na rubrica [[lexico:h:holon|holon]] 11).