===== TRANSCENDENTALIDADE ===== Na [[lexico:o:ontologia:start|ontologia]] é [[lexico:c:costume:start|costume]] considerar-se o [[lexico:c:conceito-de-ser:start|conceito de ser]] como um [[lexico:c:conceito-universal:start|conceito universal]], genérico ou específico. Neste caso, [[lexico:s:ser:start|ser]] seria apenas um [[lexico:e:esquema:start|esquema]] [[lexico:a:abstrato:start|abstrato]] das notas universalizantes que têm todos os entes. Duns Scot opunha-se a essa [[lexico:o:opiniao:start|opinião]], afirmando a [[lexico:u:univocidade:start|univocidade]] do [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de ser. O conceito de [[lexico:g:genero:start|gênero]] inclui o das espécies, que entram na sua [[lexico:e:extensao:start|extensão]], no que elas têm de comum, mas exclui o que elas têm de [[lexico:p:proprio:start|próprio]], que é a [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] específica, que permanece fora do conceito, como, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], [[lexico:h:homem:start|homem]] e cavalo estão implicados no gênero [[lexico:a:animal:start|animal]], enquanto seres animados, mas a diferença específica de homem, a de ser [[lexico:r:racional:start|racional]], [[lexico:n:nao:start|não]] a possui o cavalo, que dele é ausente. Individualmente, o mesmo se observaria, pois um [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]], Paulo, que está incluído como ser racional, em homem, não está enquanto louro. Mas o conceito de ser é diferente, porque ele engloba, não apenas o que as espécies têm de comum, [[lexico:b:bem:start|Bem]] como os indivíduos, mas também as diferenças específicas e individuais. Assim, no indivíduo Paulo, o ser animal é, o ser homem é, o ser louro é. Como chamam os ontologistas de conceito [[lexico:t:transcendental:start|transcendental]] aquele que é atribuído aos seres que entram na sua extensão, não somente no que têm de comum, mas também no que têm de próprio, o conceito ser é um conceito transcendental. Entretanto, algumas observações decadialécticas caberiam aqui. Se homem pertence, como [[lexico:e:especie:start|espécie]], ao gênero animal, podemos dizer que [[lexico:t:todo:start|todo]] homem é um animal, mas nem todo animal é um homem, porque homem tem uma diferença específica que o diversifica das outras espécies de animal. Mas precisamos distinguir: o gênero, como esquema abstrato, construção operatória da nossa [[lexico:r:razao:start|razão]], e o gênero como real-real. Esta macieira, aqui, e aquela macieira, ali, e as macieiras dispersas em todo o [[lexico:m:mundo:start|mundo]], topicamente consideradas, estão separadas umas das outras. Mas a [[lexico:f:forma:start|forma]] da macieira é a mesma em todas elas. Todas elas atualizam uma forma da macieira comum, que as distingue das outras árvores. E essa [[lexico:d:distincao:start|distinção]] não é uma mera lucubração do [[lexico:e:espirito:start|espírito]] [[lexico:h:humano:start|humano]], porque as macieiras têm, em si, aquele [[lexico:n:numero:start|número]] (no [[lexico:b:bom:start|Bom]] [[lexico:s:sentido:start|sentido]] pitagórico de [[lexico:p:plethos:start|plethos]], número de conjunto), que as torna, embora quimicamente compostas dos mesmos [[lexico:e:elementos:start|elementos]] que as outras árvores, diferentes das outras, o que permitiu ao ser humano classificá-las, segundo normas científicas, como procede, por exemplo, a botânica. Como [[lexico:s:serie:start|série]], as macieiras do mundo estão englobadas num esquema abstrato, que é apenas um esquema do esquema da forma concreta da macieira. Há, assim, esquemas eidéticos, esquemas abstratos, construídos pelo homem, e esquemas da forma concreta dos fatos da [[lexico:n:natureza:start|natureza]], que a [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] procura captar. Pode o esquema abstrato do homem, o [[lexico:e:eidetico:start|eidético]], não corresponder totalmente (totaliter) ao esquema da forma concreta do [[lexico:f:fato:start|fato]] ([[lexico:t:tensao:start|tensão]] concreta). Assim o que estruturamos abstratamente no conceito macieira não tem tudo quanto é na macieira o seu plethos, que lhe dá a tensão de macieira, e que cabe à ciência estudar. Assim o nosso conceito de animal, que é um esquema abs-trato, contém as notas que encontramos em comum nos animais, mas o animal, enquanto tal, que há também no homem, isto é, como esquema da forma concreta biológica, não se esgota naquele conceito, que é um esquema (intentionaliter) de um esquema (realiter). Neste caso, no animal, perguntamos, como gênero na natureza e não nos esquemas abstratos, não está contido em [[lexico:a:ato:start|ato]] as notas comuns e, em [[lexico:p:potencia:start|potência]], o que corresponde às diferenças específicas? As diferenças específicas são atualizações de possibilidades que permitem distinguir, diferenciar as espécies, mas elas, como componentes da [[lexico:r:realidade:start|realidade]], estão implicadas no gênero. Tanto o animal podia ser homem que o homem, sendo animal, é também racional. Portanto, ao animal cabia a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de receber uma [[lexico:a:alma:start|alma]], como o afirmam as religiões, outorgadas pela divindade, não importa, mas o que importa é poder a animalidade alcançar a hominilidade, por [[lexico:p:providencia:start|providência]] divina ou por [[lexico:e:evolucao:start|evolução]], ou por [[lexico:o:outro:start|outro]] [[lexico:m:meio:start|meio]] qualquer. E se podia, continha em si, em potência, a [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]], pelo menos, de receber a hominilidade. E essa hominilidade, em potência, não seria um mero [[lexico:n:nada:start|nada]], pois se o fosse não se atualizaria. E aqui se esclarece nossa [[lexico:c:critica:start|crítica]] feita à razão em "[[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] e Cosmovisão". Como a razão tem dificuldades para racionalizar a potência, sempre obscura e misteriosa para ela, dando mais [[lexico:a:atencao:start|atenção]] ao ato, nos [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]], que são elaborados operatoriamente, são consideradas, quase sempre, apenas as notas que em todos se atualizam. Ela prefere considerar como diferença específica (que o é na [[lexico:v:verdade:start|verdade]]), aquelas que se atualizam em alguns e que, por isso, distinguem a estes de todos os outros. [[lexico:e:esse:start|esse]] divórcio entre o esquema abstrato da razão e o esquema da forma concreta dos fatos, criou uma verdadeira crise nas especulações filosóficas, (crisis [[lexico:a:abismo:start|abismo]], no genuíno sentido etimológico), que a decadialética, pela sua [[lexico:v:visao:start|visão]] global, procura ultrapassar. E para tanto é preciso distinguir os conceitos nos planos e campos em que são aplicados, como nos casos que estudamos, evitando-se, assim, as confusões que daí decorrem, e que obscurecem o [[lexico:p:pensamento-filosofico:start|pensamento filosófico]], em vez de clareá-lo. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}