===== TRACTATUS LOGICO-PHILOSOPHICUS ===== Logisch-Philosophische Abhandlung ([[lexico:t:tractatus-logico-philosophicus:start|Tractatus Logico-Philosophicus]]) — [[lexico:w:wittgenstein:start|Wittgenstein]] começou a desenvolver suas [[lexico:i:ideias:start|ideias]] sobre a [[lexico:n:natureza:start|natureza]] da [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] expostas no Tractatus antes da [[lexico:g:guerra:start|guerra]] de 1914. Uma das noções centrais da [[lexico:o:obra:start|obra]] — a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] que proposições são "retratos" da [[lexico:r:realidade:start|realidade]] — lhe ocorreu quando servia no front oriental, no exército austríaco, em fins de 1914. Como ele mesmo expõe, haveria uma [[lexico:c:correspondencia:start|correspondência]] entre a [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] da [[lexico:p:proposicao:start|proposição]] e a estrutura da "realidade" análoga à existente entre uma maquete, um [[lexico:m:modelo:start|modelo]] de um prédio ou local, e este prédio ou local. O Tractatus, só [[lexico:e:escrito:start|escrito]] em agosto de 1918, num [[lexico:c:campo:start|campo]] italiano de prisioneiros de guerra onde Wittgenstein estava detido, reflete [[lexico:n:nao:start|não]] apenas um [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] [[lexico:s:sistematico:start|sistemático]] desta [[lexico:n:nocao:start|noção]] da linguagem como [[lexico:r:representacao:start|representação]] da realidade, como também uma sua [[lexico:e:extensao:start|extensão]] para cobrir os problemas de [[lexico:e:etica:start|ética]] e [[lexico:e:estetica:start|estética]] nos quais Wittgenstein se envolveu durante a guerra (sobretudo lendo Tolstoi e os evangelhos). O Tractatus foi publicado, graças à intervenção de Bertrand [[lexico:r:russell:start|Russell]] e de Johan Maynard Keynes, em 1921. Em sua versão definitiva é uma obra de grande secura de linguagem, com quase mil aforismas ordenados segundo uma rigorosa numeração decimal. O curtíssimo prefácio afirma que o autor supõe [[lexico:t:ter:start|ter]] resolvido todos os problemas [[lexico:r:relativos:start|relativos]] à linguagem, colocando um [[lexico:l:limite:start|limite]] à linguagem, e mostrando que o que está [[lexico:a:alem:start|além]] deste limite é "[[lexico:s:simples:start|simples]] bobagem". O primeiro dos aforismas da obra é, virtualmente, intraduzível. Em termos literais seria, o [[lexico:m:mundo:start|mundo]] é tudo que é o caso. Acompanhando-se os aforismas seguintes, seria talvez [[lexico:p:possivel:start|possível]] realizarmos uma paráfrase deste primeiro aforisma, apresentando-o como, o mundo é tudo aquilo que está sendo, no [[lexico:m:momento:start|momento]], [[lexico:q:questao:start|questão]]. Justifica-se tal paráfrase através das outras elucidações do que seja o mundo: o mundo é a reunião dos fatos, e não das [[lexico:c:coisas:start|coisas]]. A reunião dos fatos define [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] questão e também tudo que não é questão. O mundo seria uma [[lexico:u:uniao:start|união]] (uma [[lexico:s:soma-logica:start|soma lógica]]) de fatos. A noção de mundo, para o Tractatus, se rejeita para a noção de [[lexico:f:fato:start|fato]]. Mas o que é o fato? O que é questão, o fato, é a [[lexico:e:existencia:start|existência]] do estado-de-coisas. E o que é o estado-de-coisa-? Dentro do estado-de-coisas encontramos a "[[lexico:c:coisa:start|coisa]]". No estado-de-coisas as coisas se ligam umas às outras como os elos de uma corrente. Wittgenstein parece construir, no Tractatus, uma [[lexico:h:hierarquia:start|hierarquia]] de estruturas para o mundo. A base dessa hierarquia é constituída pelos estados-de-coisas. Os estados-de-coisas determinam os fatos, que por sua vez, agregados, constituem o mundo. Mas o que são os estados-de-coisas? Os objetos existem em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] de suas [[lexico:r:relacoes:start|relações]] a outros objetos; estas relações podem [[lexico:s:ser:start|ser]] desde uma [[lexico:r:relacao:start|relação]] [[lexico:f:funcional:start|funcional]], uma relação de [[lexico:u:uso:start|uso]] (prego-martelo, cadeira-almofada) até uma simples [[lexico:d:disposicao:start|disposição]] espacial (como os bibelôs numa prateleira, apud Chaim Samuel Katz). A estrutura dos estados-de-coisas é dada pelas possibilidades de inter-relacionamentos que as coisas, neles existentes, possuem entre si. Mas estas possibilidades de arranjos internos não existem, efetivamente, no mundo. O que existe são os fatos, ou seja, cada um dos arranjos possíveis ao estado-de-coisas que se realiza. Esta [[lexico:a:apresentacao:start|apresentação]] detalhada é necessária para que compreendamos a [[lexico:t:teoria:start|teoria]] que Wittgenstein propõe para a linguagem no Tractatus. Porque para Wittgenstein, a [[lexico:s:sentenca:start|sentença]] (a proposição) vai corresponder ao estado-de-coisas. Ela vai ser "verdadeira" se o estado-de-coisas é [[lexico:r:real:start|real]]; ela vai ser "falsa" se o estado-de-coisas não for real. A sentença não é um [[lexico:r:retrato:start|retrato]] do fato, daquele [[lexico:a:arranjo:start|arranjo]] momentâneo que tem o mundo à nossa frente em certo momento. A sentença é um retrato da [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de existirem fatos — será um retrato dos estados-de-coisas. Compreende-se então que Wittgenstein afirme, o conjunto das [[lexico:s:sentencas:start|sentenças]] verdadeiras é w [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] das ciências da natureza. Mas Wittgenstein admite que a linguagem vai além da realidade, isto é, que existem sentenças às quais não corresponde a realidade ou não de nenhum estado-de-coisas. Estas sentenças (que não podem ser nem verdadeiras nem falsas) são, literalmente, bobagem pura. Para o Tractatus, elas constituem a totalidade da [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]]. O Tractatus, sob diferentes leituras, causou uma grande [[lexico:i:impressao:start|impressão]] pouco depois de ser editado em 1921. Mas Wittgenstein, nos casos que nos são conhecidos, sistematicamente desautorizou as leituras, até abandonar, no início da década de trinta, as ideias expostas no livro, e começar a desenvolver as [[lexico:i:investigacoes-filosoficas:start|Investigações Filosóficas]]. (Francisco Doria - [[lexico:d:dcc:start|DCC]]) O Tractatus logico philosophicus é a principal obra da chamada "1a fase" do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] de "Wittgenstein, publicada em 1921, trata-se na [[lexico:v:verdade:start|verdade]] da única obra que publicou em [[lexico:v:vida:start|vida]]. Marcada pela [[lexico:i:influencia:start|influência]] de suas discussões com "Frege e "Russell acerca da natureza da "[[lexico:l:logica:start|lógica]] e do "[[lexico:s:significado:start|significado]], pretende "curar" a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] de seus "males de linguagem". Partindo da existência de uma correspondência entre a estrutura lógica do mundo e a estrutura [[lexico:f:formal:start|formal]] da linguagem, redefine a [[lexico:a:atividade:start|atividade]] filosófica como a [[lexico:v:vontade:start|vontade]] de desembaraçar o pensamento das armadilhas que lhe armam a linguagem. Exerceu grande influência no "[[lexico:c:circulo-de-viena:start|Círculo de Viena]] e no desenvolvimento da [[lexico:f:filosofia-da-linguagem:start|filosofia da linguagem]] na década de 30. Sustenta que a filosofia não tem como [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] acrescentar proposições filosóficas às proposições científicas, mas elaborar a lógica de nossa linguagem a [[lexico:f:fim:start|fim]] de que sejam eliminadas as proposições desprovidas de [[lexico:s:sentido:start|sentido]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}