===== TESES TOMISTAS ===== A [[lexico:f:fim|fim]] de evitar a discordância e a confusão na [[lexico:e:exegese|exegese]] da doutrina de [[lexico:s:santo|santo]] Tomás, que frequentemente se apresentava como um amontoado de contradições, Pio X preconizou, em junho de 1914, que se ensinassem os principia et pronunciata maiora doctrinae S. Thomae. Professores tomistas propuseram, então, à Sagrada Congregação dos Estudos, vinte e [[lexico:q:quatro|Quatro]] teses fundamentais que, depois de examinadas pela Congregação, foram submetidas ao Papa, que as aprovou, considerando que continham os [[lexico:p:principios|princípios]] básicos e os pontos capitais da doutrina do Santo Doutor. Em 1917, foi aprovado e promulgado por Bento XV o [[lexico:c:codigo|Código]] de [[lexico:d:direito-canonico|direito canônico]], no qual se estabelece que os princípios, o [[lexico:m:metodo|método]] e a doutrina de Santo Tomás devem [[lexico:s:ser|ser]] religiosamente seguidos. [[lexico:a:alem|Além]] de outras fontes, o Código indica o decreto da Sagrada Congregação que aprovou as vinte e quatro teses como pronunciata maiora doctrinae Sancti Thomae. A teses são as seguintes: [[lexico:o:ontologia|ontologia]] (I a VII); Cosmologia (VIII a XII); [[lexico:b:biologia|biologia]] e [[lexico:p:psicologia|psicologia]] (XIII a XXI); Teodicea (XXII a XXIV). [[lexico:t:tese|tese]] I) A [[lexico:p:potencia|potência]] e o [[lexico:a:ato|ato]] dividem o ser de tal [[lexico:m:modo|modo]] que tudo aquilo que é, ou é [[lexico:a:ato-puro|ato puro]] ou é ato necessariamente [[lexico:c:composto|composto]] de potência e ato, como princípios primeiros e intrínsecos. II) O ato, porque é [[lexico:p:perfeicao|perfeição]], só é limitado pela potência, que é (uma) [[lexico:c:capacidade|capacidade]] de perfeição. Por [[lexico:c:consequencia|consequência]], na [[lexico:o:ordem|ordem]] em que o ato é [[lexico:p:puro|puro]], só o pode ser [[lexico:u:universal|universal]] e [[lexico:u:unico|único]]; enquanto [[lexico:f:finito|finito]] e [[lexico:m:multiplo|múltiplo]], entra em verdadeira composição cem a [[lexico:m:materia|matéria]]. III) Portanto, na absoluta [[lexico:r:razao|razão]] do ser, em [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]], subsiste apenas [[lexico:d:deus|Deus]], único e simplicíssimo, e todas as demais [[lexico:c:coisas|coisas]] que participam do ser têm uma [[lexico:n:natureza|natureza]] na qual o ser se acha limitado, e estão constituídas cu compostas de [[lexico:e:essencia|essência]] e de [[lexico:e:existencia|existência]], como de princípios realmente distintos. IV) A [[lexico:n:nocao|noção]] de [[lexico:e:ente|ente]] (ou de ser) aplica-se a Deus e às criaturas, [[lexico:n:nao|não]] de maneira unívoca, nem tampouco puramente equívoca, mas analógica, com [[lexico:a:analogia|analogia]] de [[lexico:a:atribuicao|atribuição]] e de proporcionalidade. V) Há, além disso, em toda criatura, composição [[lexico:r:real|real]] de um [[lexico:s:sujeito|sujeito]] subsistente com outras formas acrescentadas secundariamente, chamadas acidentes; e essa composição não se compreenderia se o ser não fosse recebido por uma essência distinta dele [[lexico:p:proprio|próprio]]. VI) Além dos acidentes absolutos, há um [[lexico:a:acidente|acidente]] [[lexico:r:relativo|relativo]], como uma [[lexico:t:tendencia|tendência]] para algo. Embora tal tendência (para [[lexico:a:alguma-coisa|alguma coisa]]) não signifique propriamente uma [[lexico:c:coisa|coisa]] inerente a um sujeito, tem, muitas vezes, sua [[lexico:c:causa|causa]] nas coisas e, por isso mesmo, uma real [[lexico:e:entidade|entidade]], distinta do sujeito. VII) A criatura espiritual é absolutamente [[lexico:s:simples|simples]], em sua essência. Mas dela permanece uma dupla composição: a da essência com a existência e a da [[lexico:s:substancia|substância]] com os acidentes. VIII) A criatura corpórea, quanto à sua própria essência, é composta de potência e ato, e essa potência e [[lexico:e:esse|esse]] ato, da ordem da essência, chamam-se [[lexico:m:materia-e-forma|matéria e forma]]. IX) Nenhuma das duas partes tem o ser [[lexico:p:por-si|por si]], nem se produz, nem se corrompe por si; tampouco cabe em um [[lexico:p:predicado|predicado]], a não ser por [[lexico:r:reducao|redução]], enquanto [[lexico:p:principio|princípio]] [[lexico:s:substancial|substancial]]. X) Embora a [[lexico:e:extensao|extensão]] em partes iguais seja uma consequência da natureza corpórea, não é a mesma coisa, em um [[lexico:c:corpo|corpo]], ser substância e extensão corpórea. A substância, enquanto tal, é indivisível, não à maneira do [[lexico:p:ponto|ponto]], mas à maneira dos seres estranhos à ordem da [[lexico:d:dimensao|dimensão]]. A [[lexico:q:quantidade|quantidade]], [[lexico:o:origem|origem]] da extensão na substância, é [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] acidente, incapaz de entrar na [[lexico:c:categoria|categoria]] de substância real. XI) A matéria assinalada pela quantidade é o princípio da [[lexico:i:individuacao|individuação]], ou seja, da [[lexico:d:distincao|distinção]] numérica ([[lexico:i:impossivel|impossível]] nos [[lexico:e:espiritos|espíritos]]) pela qual um [[lexico:i:individuo|indivíduo]], da mesma natureza específica, distingue-se de [[lexico:o:outro|outro]]. XII) Em [[lexico:v:virtude|virtude]] da mesma quantidade, o corpo se circunscreve ou se acomoda a um [[lexico:l:lugar|lugar]], de tal [[lexico:s:sorte|sorte]] que, desse modo circunscrito, nenhuma potência, seja de que [[lexico:c:classe|classe]] for, pode fazer que haja outro corpo no mesmo lugar, ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]]. XIII) Os corpos se dividem em duas [[lexico:c:categorias|categorias]]: a dos vivos e a dos que carecem de [[lexico:v:vida|vida]]. A [[lexico:f:forma|forma]] substancial dos vivos, chamada [[lexico:a:alma|alma]], requer certa [[lexico:d:disposicao|disposição]] orgânica, ou seja, partes heterogêneas, para que haja, no mesmo sujeito, uma [[lexico:p:parte|parte]] que move e outra que é movida por si. XIV) As almas da ordem vegetativa e sensitiva não podem, por si mesmas, nem [[lexico:e:existir|existir]] nem ser produzidas, mas são unicamente ao modo do princípio que dá ser e vida ao [[lexico:v:vivente|vivente]], de tal sorte que, pelo simples [[lexico:f:fato|fato]] de corromper-se o composto, elas também se corrompem, acidentalmente, por causa de sua dependência onímoda da matéria. XV) A alma humana, ao contrário, subsiste por si mesma, é criada por Deus no [[lexico:m:momento|momento]] em que pode ser infundida no sujeito suficientemente disposto e, por sua natureza, é incorpórea e imortal. XVI) A mesma alma [[lexico:r:racional|racional]] de tal modo se une ao corpo, que é sua única forma substancial, e por ela tem o [[lexico:h:homem|homem]] o ser de homem, e de [[lexico:a:animal|animal]], e de vivo, e de corpo, e de substância, e de ser. Por conseguinte, a alma confere ao homem [[lexico:t:todo|todo]] [[lexico:g:grau|grau]] [[lexico:e:essencial|essencial]] de perfeição, e, além disso, comunica ao corpo o ato de ser com que (ela) existe. XVII) Duas ordens de [[lexico:f:faculdades|faculdades]], orgânicas e inorgânicas, emanam da alma humana, por resultado [[lexico:n:natural|natural]]; o sujeito das primeiras, às quais pertence o [[lexico:s:sentido|sentido]], é o composto, e, das segundas, a alma apenas. O [[lexico:e:entendimento|entendimento]] é, pois, uma [[lexico:f:faculdade|faculdade]] intrinsecamente [[lexico:i:independente|independente]] dos órgãos. XVIII) A intelectualidade segue, necessariamente, a [[lexico:i:imaterialidade|imaterialidade]], e de tal sorte que os graus da intelectualidade se medem pelos graus de afastamento da matéria. O [[lexico:o:objeto|objeto]] próprio da [[lexico:i:inteleccao|intelecção]] é o ser em si mesmo, e em [[lexico:g:geral|geral]]; mas o objeto próprio do entendimento [[lexico:h:humano|humano]], no [[lexico:a:atual|atual]] [[lexico:e:estado|Estado]] de [[lexico:u:uniao|união]], circunscreve-se às [[lexico:e:essencias|essências]] abstraídas das condições materiais. XIX) Recebemos, pois, nosso [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] das coisas sensíveis. Mas, como o [[lexico:s:sensivel|sensível]] não é o [[lexico:i:inteligivel|inteligível]] em ato, deve-se admitir, na alma, além do entendimento formalmente inteligente, uma virtude ativa que abstraia os fantasmas das espécies inteligíveis. XX) Por [[lexico:m:meio|meio]] dessas espécies inteligíveis, conhecemos diretamente os [[lexico:u:universais|universais]], com os sentidos alcançamos os singulares e também com o entendimento, mas, nesse caso, voltando-nos para as imagens; e, ao conhecimento das coisas espirituais, nos elevamos pela analogia. XXI) A [[lexico:v:vontade|vontade]] segue o entendimento, não o precede, e apetece necessariamente aquilo que lhe é apresentado como um [[lexico:b:bem|Bem]] que sacia por completo o [[lexico:a:apetite|apetite]]; elege, porém, livremente entre aqueles outros [[lexico:b:bens|bens]] cuja [[lexico:a:apetencia|apetência]] depende de um [[lexico:j:juizo|juízo]] variável. A eleição segue, por conseguinte, o [[lexico:u:ultimo|último]] juízo [[lexico:p:pratico|prático]] e, à vontade, cabe determinar qual seja o último. XXII) Conhecemos a [[lexico:e:existencia-de-deus|existência de Deus]] não por [[lexico:i:intuicao|intuição]] imediata, nem por [[lexico:d:demonstracao|demonstração]] [[lexico:a:a-priori|a priori]], mas [[lexico:a:a-posteriori|a posteriori]], quer dizer, pelas criaturas, remontando dos efeitos às [[lexico:c:causas|causas]]; partindo das coisas que se movem sem [[lexico:t:ter|ter]] em si mesmas um princípio suficiente de [[lexico:m:movimento|movimento]], até chegar ao [[lexico:p:primeiro-motor|primeiro motor]] imóvel e [[lexico:n:necessario|necessário]]; subindo, dos efeitos causados e das causas subordinadas à causa sem causa, ou primeira; deduzindo, dos 6eres corruptíveis, [[lexico:i:indiferentes|indiferentes]] à existência, a absoluta [[lexico:n:necessidade|necessidade]] de um ser absolutamente necessário; à vista das inúmeras criaturas limitadas no ser, no [[lexico:v:viver|viver]] e no entender, nos persuadimos que não podem ser, nem [[lexico:n:nada|nada]] de [[lexico:s:semelhante|semelhante]], sem o primeiro e o essencial, temos que chegar ao ser essencial e [[lexico:i:infinito|infinito]], vivo e inteligente em grau supremo; por fim, a ordem [[lexico:s:sublime|sublime]] do [[lexico:u:universo|universo]] não pode conceber-se racionalmente sem um supremo ordenador que encaminhe todas as coisas ao seu fim. XXIII) A essência divina, por identificar-se com a [[lexico:m:maxima|máxima]] e infinita [[lexico:a:atualidade|atualidade]] do ser, que é o próprio ser subsistente, retamente assim se nos apresenta, como constituída em sua razão [[lexico:m:metafisica|metafísica]], o que nos permite nela [[lexico:v:ver|ver]] a razão de sua perfeição infinita. XXIV) Pela própria pureza de seu ser, Deus se distingue de todas as coisas finitas. Disso se infere, em primeiro lugar, que o [[lexico:m:mundo|mundo]] só por [[lexico:c:criacao|criação]] pode proceder de Deus; e que, além disso, nenhuma virtude criadora, que alcança e tem por [[lexico:t:termo|termo]] de sua [[lexico:a:acao|ação]] o [[lexico:s:ser-enquanto-ser|ser enquanto ser]], pode comunicar-se, nem por [[lexico:m:milagre|milagre]], à natureza finita; e, por último, que nenhum [[lexico:a:agente|agente]] criado pode influir no ser de qualquer [[lexico:e:efeito|efeito]], sem receber a [[lexico:m:mocao|moção]] da [[lexico:c:causa-primeira|causa primeira]].