===== TESE DUHEM-QUINE ===== Diante do [[lexico:f:fetichismo|fetichismo]] dos fatos proclamado pelo [[lexico:p:positivismo|positivismo]], a [[lexico:c:consciencia|consciência]] dos convencionalistas em [[lexico:r:relacao|relação]] à relevância do [[lexico:t:teorico|teórico]] constitui grande passo adiante, que lhes permitiu [[lexico:c:compreender|compreender]] o [[lexico:d:dinamismo|dinamismo]] da [[lexico:c:ciencia|ciência]], que, [[lexico:a:alem|além]] de [[lexico:t:ter|ter]] [[lexico:m:metodo|método]], também tem [[lexico:h:historia|história]]. E a [[lexico:f:fisica|física]] "progride" (...) porque a [[lexico:e:experiencia|experiência]] produz continuamente novas concordâncias entre leis e fatos e porque, incessantemente, os físicos retocam e modificam as leis para poderem [[lexico:r:representar|representar]] os fatos de [[lexico:m:modo|modo]] mais [[lexico:e:exato|exato]]". Precisamente nesse [[lexico:p:ponto|ponto]], a propósito do [[lexico:e:experimento|experimento]], [[lexico:d:duhem|Duhem]] deu uma de suas contribuições mais notáveis, levantando a [[lexico:i:ideia|ideia]] dos controles chamados "holísticos" (ideia retomada em nossos dias pelo [[lexico:l:logico|lógico]] W. V. O. Quine, tanto que é chamada de "[[lexico:t:tese-duhem-quine|tese Duhem-Quine]]") e a outra [[lexico:t:teoria|teoria]], derivada da ideia dos controles holísticos, de que [[lexico:n:nao|não]] ocorrem experimenta crucis. Escreve ele: "O [[lexico:f:fisico|físico]] se propõe demonstrar a inexatidão de uma [[lexico:p:proposicao|proposição]]. Para deduzir dessa proposição a [[lexico:p:previsao|previsão]] de um [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]], para realizar o experimento que deve demonstrar se o fenômeno se produz ou não, para interpretar os resultados de tal experiência e constatar que o fenômeno previsto não se produziu, ele não se limita a fazer [[lexico:u:uso|uso]] de proposição em [[lexico:d:discussao|discussão]]. Usa também [[lexico:t:todo|todo]] um conjunto de teorias aceitas sem reservas. A previsão do fenômeno, cuja [[lexico:f:falta|falta]] de concretização deve cortar o debate, não brota da proposição em contestação tomada isoladamente, mas dela relacionada com todo o conjunto das teorias". Tudo isso significa que a [[lexico:p:prova|prova]] de uma [[lexico:h:hipotese|hipótese]] não pode se efetuar em condições de isolamento dessa hipótese: precisamos também de [[lexico:h:hipoteses|hipóteses]] auxiliares (isto é, que ajudem a hipótese em [[lexico:q:questao|questão]] a produzir consequências observáveis), de instrumentação (englobando e pressupondo outras teorias) etc. Desse modo, "o físico não poderá nunca submeter ao controle da experiência uma hipótese isolada, mas apenas todo um conjunto de hipóteses. Quando a experiência está em desacordo com suas previsões, ela nos indica que pelo menos uma das hipóteses que constituem o conjunto é inaceitável e deve [[lexico:s:ser|ser]] modificada, mas não aponta qual deverá ser modificada". E continua Duhem: "O [[lexico:u:unico|único]] controle [[lexico:e:experimental|experimental]] da teoria física que não é ilógico consiste em confrontar todo o [[lexico:s:sistema|sistema]] da teoria física com todo o conjunto das leis experimentais e avaliar se o segundo conjunto é representado pelo primeiro de modo satisfatório". E isso, sustenta Duhem, determina a [[lexico:i:impossibilidade|impossibilidade]] de realizar em física o "experimentum crucis", segundo o qual (basta [[lexico:p:pensar|pensar]] no experimento de Foucault para determinar a [[lexico:v:veracidade|veracidade]] da hipótese corpuscular da [[lexico:l:luz|luz]], defendida por Newton, Laplace e Biot, ou da hipótese ondulatória, defendida por Hygens, Young e Fresnel), dadas duas hipóteses incompatíveis, dever-se-ia decidir de modo irrefutável e inequívoco a veracidade de uma ou de outra, realizando uma [[lexico:c:condicao|condição]] que, em conexão com a primeira, deveria dar certo resultado e, em conexão com a segunda, deveria dar [[lexico:o:outro|outro]] resultado. Entretanto, afirma Duhem, isso não é [[lexico:p:possivel|possível]]: o experimentum crucis pretende afirmar que, se uma hipótese é falsa, a outra necessariamente é verdadeira. Mas, [[lexico:p:pergunta|pergunta]] Duhem, "duas hipóteses de física constituem alguma vez [[lexico:d:dilema|dilema]] tão rigoroso? Ousaríamos afirmar que nenhuma outra hipótese é imaginável? (...) O físico nunca está certo de ter efetuado todas as suposições imagináveis: a veracidade de uma teoria se decide por cara ou coroa".