===== TERTULIANO ===== Tertuliano (160-225) Quinto Septimio Florencio Tertuliano nasceu em Cartago, de pais pagãos. Teve uma [[lexico:e:educacao|educação]] esmerada e, provavelmente, exerceu a profissão de advogado em Roma. Sua [[lexico:c:conversao|conversão]] ao cristianismo deu-se entre 193-197, recebendo a seguir a ordenação sacerdotal. A partir daí desenvolveu uma intensa [[lexico:a:atividade|atividade]] polêmica em favor de sua nova [[lexico:f:fe|fé]]. No [[lexico:m:meio|meio]] de sua [[lexico:v:vida|vida]], passou à [[lexico:s:seita|seita]] dos montanhistas e começou a polemizar contra a Igreja Católica com uma [[lexico:v:violencia|violência]] [[lexico:n:nao|não]] menor à utilizada anteriormente contra os hereges. Seu [[lexico:c:carater|caráter]] [[lexico:p:polemico|polêmico]] levou-o a fundar sua própria seita, os "tertulianistas". Morreu muito velho, sem que se possa determinar uma data. A atividade literária de Tertuliano é muito ampla e de caráter exclusivamente polêmico. Costumam-se distinguir três grupos de obras: a) apologéticas, em defesa do cristianismo; b) dogmáticas, em [[lexico:r:refutacao|refutação]] das heresias; c) prá-tico-ascéticas, sobre questões de [[lexico:m:moral|moral]] prática e de [[lexico:d:disciplina|disciplina]] eclesiástica. Ao primeiro [[lexico:g:grupo|grupo]] pertence seu livro mais conhecido, Apologéticas, dirigido no ano de 197 aos governadores das províncias do Império. É importante também neste grupo seu De testimonio animae, destinado a fundamentar a fé no [[lexico:t:testemunho|testemunho]] da [[lexico:a:alma|alma]] "naturaliter Christiana". Entre as obras dogmáticas está De praescriptione haereticorum, filosoficamente um dos mais significativos. Adversus Marcio-nem, Adversus Hermogenem e Adversus Valentinianos dirigiram-se contra os gnósticos. Dentro deste mesmo caráter dogmático, encontramos De baptismo, que declara inválido o batismo dos hereges; De [[lexico:c:carne|carne]] Christi, afirmando a [[lexico:r:realidade|realidade]] do [[lexico:c:corpo|corpo]] de Cristo, e De resurrectione, em defesa da ressurreição da carne. Seu tratado [[lexico:d:de-anima|De anima]] é o primeiro [[lexico:e:escrito|escrito]] de [[lexico:p:psicologia|psicologia]] cristã. Entre os tratados prático-ascéticos estão: De patientia; De oratione; De paenitentia; De pudicitia; De exhortatione castitatis; De monogamia; De spectaculis; De idololatria; De corona; De cultu feminarum etc. [[lexico:c:como-se|como se]] pode [[lexico:v:ver|ver]], uma [[lexico:s:serie|série]] de obras destinadas a dirigir e a educar os cristãos do Império em temas de caráter [[lexico:p:pratico|prático]]. O traço [[lexico:c:caracteristico|característico]] de Tertuliano é a [[lexico:i:inquietude|inquietude]]. "Pobre de mim que ardo sempre na febre da impaciência." Não era para ele o [[lexico:t:trabalho|trabalho]] paciente e rigoroso da [[lexico:p:pesquisa|pesquisa]] diante da fé. Tinha, no entanto, uma habilidade polêmica excepcional e uma fluente oratória pouco comum. Toma as posições mais [[lexico:s:simples|simples]] e extremistas, indiferente diante de toda [[lexico:c:critica|crítica]] e de toda exigência de [[lexico:m:metodo|método]]. Sua doutrina ou sua [[lexico:a:atitude|atitude]] doutrinal pode resumir-se nestes pontos: — O [[lexico:p:ponto|ponto]] de partida de Tertuliano é a condenação da [[lexico:f:filosofia|Filosofia]]. Da filosofia nascem somente as heresias. "Não há [[lexico:n:nada|nada]] comum entre o [[lexico:f:filosofo|filósofo]] e Cristo, entre o discípulo da [[lexico:g:grecia|Grécia]] e o dos céus" (Apol., 46). — A [[lexico:v:verdade|verdade]] do cristianismo tem seu [[lexico:u:unico|único]] [[lexico:f:fundamento|fundamento]] na [[lexico:t:tradicao|tradição]]. Somente a Igreja tem o [[lexico:d:direito|direito]] de interpretar as Sagradas Escrituras. — Junto à tradição, o testemunho da alma, como testemunho da [[lexico:l:linguagem|linguagem]] ou do [[lexico:s:sentido|sentido]] comum, testemunha a favor da fé. Mas a alma não é para ele o [[lexico:p:principio|princípio]] da [[lexico:i:interioridade|interioridade]], o canto íntimo onde ressoa do alto a [[lexico:v:voz|voz]] da verdade divina. E a voz do sentido comum, a [[lexico:c:crenca|crença]] que manifesta o [[lexico:h:homem|homem]] da rua na linguagem ordinária. Toma dos estoicos a [[lexico:c:corporeidade|corporeidade]] dos seres. Não há nada [[lexico:i:incorporeo|incorpóreo]]; apenas o que não existe. A alma é também corpo. Não há mais [[lexico:d:diferenca|diferença]] senão a que existe entre um corpo e [[lexico:o:outro|outro]]. [[lexico:d:deus|Deus]] é um corpo [[lexico:s:sui-generis|sui generis]]; também se transmite a alma de pai para [[lexico:f:filho|filho]] junto com o corpo, através da [[lexico:g:geracao|geração]] ([[lexico:t:traducianismo|traducianismo]]). — Afirma a [[lexico:i:imortalidade-da-alma|imortalidade da alma]] e a ressurreição da carne. O testemunho do sentido comum é a [[lexico:p:prova|prova]] da [[lexico:i:imortalidade|imortalidade]] da alma. E a Ressurreição de Cristo é a [[lexico:g:garantia|garantia]] da ressurreição do homem. Sua atitude mental — "[[lexico:c:credo-quia-absurdum|credo quia absurdum]]", [[lexico:e:expressao|expressão]] que não se encontra em seus escritos — deve [[lexico:s:ser|ser]] entendida como "que a fé é mais certa quanto mais repugna aos valores naturais do homem: é acreditável que o Filho de Deus morresse, ressuscitasse, porque é inconcebível. Por tudo o mais e por seus erros, Tertuliano continua sendo o principal apologeta, que escreveu num latim [[lexico:p:perfeito|perfeito]], que constrói frases lapidares, que forja uma [[lexico:t:terminologia|terminologia]] que servirá para construir a [[lexico:t:teologia|teologia]] posterior. Seu [[lexico:r:rigorismo|rigorismo]] e sua heresia não o impediram de ser reconhecido como um dos grandes defensores do cristianismo. BIBLIOGRAFIA: Obras: PL 1 e 2; Pellicer de Ossau Sales e Tobar, Obras de Quinto Septimio Florente Tertuliano. Barcelona 1639; G. [[lexico:p:prado|Prado]], El Apologético de Tertuliano (Coleção Excelsa, 7). Madrid 1943; Padres apologetas griegos. Edição bilíngue (BAC); J. Quasten, Patrologia, I, 530s. [Santidrián]