===== TERCEIRO ===== 52. Um [[lexico:d:deus:start|Deus]] é o «terceiro» que devemos procurar sempre que se nos deparam dois; dois são [[lexico:h:homem:start|homem]] e [[lexico:m:mundo:start|mundo]]. Homem [[lexico:p:por-si:start|por si]] [[lexico:n:nao:start|não]] se afeiçoa a mundo, nem mundo por si se afeiçoa a homem; homem defronta-se com mundo; mundo é o que homem não é, homem é o que não é mundo. O que se nega do homem é o que se afirma do mundo, e o que se nega do mundo é o que se afirma do homem. Homem e mundo firmam-se em si mesmos, um diante do [[lexico:o:outro:start|outro]]. Se há momentos de concórdia, através da discordância, esses se devem a que o «terceiro» se afirma como o conciliador. E se concilia, se concerta o desconcerto, é porque ele é o concertante de todos os desconcertos. Homem se afeiçoa ao mundo e mundo se afeiçoa ao homem quando intervém o que num e noutro imprime sua própria feição. Mundo e homem, um a outro se afeiçoam, no afeiçoarem-se ambos ao deus que já antes tinha a feição em que se dá o afeiçoamento. O «terceiro» é, na [[lexico:r:realidade:start|realidade]], o primeiro, para [[lexico:q:quem:start|quem]] não tem [[lexico:a:alma:start|alma]] que repouse na [[lexico:c:contradicao:start|contradição]]. «Onde vejas dois, procura o terceiro» é [[lexico:f:formula:start|fórmula]] (caída da boca de um colega e amigo) que resumiria algumas páginas de [[lexico:s:schelling:start|Schelling]], designadamente, do [[lexico:b:bruno:start|Bruno]] e das Idades do Mundo. Por mim, não vejo como a fórmula formula o conteúdo dessas páginas. Não digo que não possa formulá-lo, mas só que, por ora, não me aparece claramente como o formula. O que nelas leio é uma tangência à [[lexico:d:dialetica:start|dialética]]. Mas a fórmula parece-me inteiramente válida como breve [[lexico:e:expressao:start|expressão]] do complementar e do [[lexico:s:simbolico:start|simbólico]]. Idades do Mundo data de 1813, Bruno, de 1802. Deste mesmo ano, a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] da [[lexico:a:arte:start|arte]], em que se lê esta [[lexico:p:proposicao:start|proposição]]: «[[lexico:r:representacao:start|Representação]] do [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]] com absoluta indiferença do [[lexico:g:geral:start|geral]] e do [[lexico:p:particular:start|particular]], no particular , só é [[lexico:p:possivel:start|possível]] simbolicamente» (vol. v, p. 406), e poucas linhas adiante, acrescenta que a mesma representação é «arte» e que a [[lexico:m:materia:start|matéria]] geral da arte é «[[lexico:m:mitologia:start|mitologia]]». Estas poucas [[lexico:p:palavras:start|palavras]] não se podem arrancar violentamente do seu contexto sem cometer a [[lexico:f:falta:start|falta]] gravíssima de desentender o [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] do [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]]. Que nos perdoem os especialistas. Fazemo-lo por não achar melhor expressão de [[lexico:c:como-se:start|como se]] ergue o [[lexico:s:simbolo:start|símbolo]] à sua autêntica [[lexico:d:dignidade:start|dignidade]], e [[lexico:b:bem:start|Bem]] dá a entender que complementares não sejam apenas duas [[lexico:c:coisas:start|coisas]] que, juntas, reproduzem outra que se dividira em duas. [EudoroMito:75-76] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}