===== TEORIA DO UNO ===== As especulações metafísicas sobre a [[lexico:u:unidade|unidade]] possuem uma dupla [[lexico:o:origem|origem]]. De um lado, remontam a [[lexico:p:parmenides|Parmênides]] e à [[lexico:p:percepcao|percepção]] aguda que ele teve da unidade do [[lexico:s:ser|ser]]: o ser é e é [[lexico:u:uno|uno]]; [[lexico:n:nada|nada]] de [[lexico:d:diversidade|diversidade]] ou de [[lexico:m:mudanca|mudança]] [[lexico:p:possivel|possível]] no ser. De [[lexico:o:outro|outro]] lado, ligam-se às [[lexico:i:ideias|ideias]] pitagóricas sobre a [[lexico:f:funcao|função]] do [[lexico:n:numero|número]] na [[lexico:c:constituicao|constituição]] das realidades materiais, e principalmente sobre a função da unidade numérica [[lexico:p:principio|princípio]] do número. A [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] de [[lexico:p:platao|Platão]] encontrou-se dividida entre estas duas influências; e é na linha destas especulações que [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] elaborou sua [[lexico:t:teoria|teoria]] do [[lexico:t:transcendental|transcendental]] uno. O esfôrço de Aristóteles visou sobretudo a melhor assegurar a [[lexico:d:distincao|distinção]] dos dois tipos de unidade, precedentemente, postos em [[lexico:e:evidencia|evidência]], unidade numérica e [[lexico:u:unidade-transcendental|unidade transcendental]], e a ligar esta última ao ser, do qual [[lexico:n:nao|não]] é mais do que uma [[lexico:p:propriedade|propriedade]], no [[lexico:s:sentido|sentido]] em que o definimos. Todas as elucubrações desencontradas dos platônico-pitagóricos sobre o número como [[lexico:e:essencia|essência]] das [[lexico:c:coisas|coisas]] viam-se, com isto, eliminadas e a anterioridade do ser com [[lexico:r:relacao|relação]] ao uno encontrava-se, assim, solidamente estabelecida. De maneira [[lexico:c:consciente|consciente]], [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]], paralelamente, apoiou sua doutrina sobre a rejeição desta confusão inicial entre os dois grandes tipos de unidade (De Pot., q. 9, a. 7): "Alguns filósofos não distinguiram entre o uno que é convertível com o ser e o uno que é princípio do número e admitiram que nem uma nem outra unidade nada acrescentavam à essência. Aos seus olhos, o uno, em qualquer sentido que fosse entendido, significava a essência da [[lexico:c:coisa|coisa]]. Seguia-se que o número que é [[lexico:c:composto|composto]] de unidades era a essência de todas as coisas. Tal é a [[lexico:o:opiniao|opinião]] de [[lexico:p:pitagoras|Pitágoras]] e de Platão. Outros, pelo contrário, não distinguindo a unidade que é convertível com o ser da unidade princípio do número, pensaram que o uno, entendido de uma ou de outra maneira, acrescentava algum ser acidental à essência. Segue-se que toda [[lexico:m:multiplicidade|multiplicidade]] é um [[lexico:a:acidente|acidente]] pertencendo ao [[lexico:g:genero|gênero]] [[lexico:q:quantidade|quantidade]]. Tal foi a [[lexico:p:posicao|posição]] de [[lexico:a:avicena|Avicena]] e parece que todos os antigos doutores a adotaram. Pois por uno e [[lexico:m:multiplo|múltiplo]] entendiam sempre algo que é do gênero da quantidade discreta... Estas opiniões supõem, portanto, que sejam idênticos o uno que é convertível com o ser e o uno que é princípio do número, e por outro lado, que apenas exista a multiplicidade que é o número, o qual, por sua vez, é uma [[lexico:e:especie|espécie]] de quantidade. Ora, isto é manifestamente [[lexico:f:falso|falso]]." A [[lexico:r:razao|razão]] desse [[lexico:e:erro|erro]] e da confusão que está no seu princípio decorre de que não se discerniu a verdadeira [[lexico:n:natureza|natureza]] da unidade [[lexico:m:metafisica|metafísica]], que consiste na [[lexico:a:ausencia|ausência]] de [[lexico:d:divisao|divisão]], e de que não se observou que existia um [[lexico:t:tipo|tipo]] de divisão que ultrapassa o gênero quantidade, à qual corresponde um tipo de unidade que transcende este gênero.