===== TEORIA DA RELATIVIDADE ===== (in. Theory of relativity; fr. Théorie de la relativité; al. Relativitätstheorie; it. [[lexico:t:teoria:start|teoria]] della relatività). Com este [[lexico:t:termo:start|termo]] designam-se dois corpos de doutrinas formuladas por [[lexico:e:einstein:start|Einstein]]: o primeiro em 1905 como o [[lexico:n:nome:start|nome]] de [[lexico:r:relatividade:start|relatividade]] restrita e o segundo em 1913 com o nome de relatividade [[lexico:g:geral:start|geral]]. A relatividade restrita baseia-se no [[lexico:r:reconhecimento:start|reconhecimento]] de que a [[lexico:e:escolha:start|escolha]] de um [[lexico:s:sistema:start|sistema]] de referências, indispensável para fazer medições, pode influenciar os resultados dessas medições; e que, [[lexico:n:nao:start|não]] existindo um sistema de referências privilegiado (ou "[[lexico:a:absoluto:start|absoluto]]"), à [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] do que julgara a [[lexico:f:fisica:start|física]] clássica, por um lado é preciso explicitar o sistema segundo o qual é feita a medição e por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado é [[lexico:n:necessario:start|necessário]] encontrar fórmulas de [[lexico:c:conversao:start|conversão]] que tornem válidas tais medições também em outros sistemas. A relatividade geral é substancialmente a [[lexico:e:extensao:start|extensão]] do [[lexico:p:principio:start|princípio]] de relatividade a todos os sistemas, e não apenas aos sistemas inerciais para os quais é válida a relatividade restrita; assim, é substancialmente uma teoria que reduz a gravitação a uma deformação do [[lexico:c:continuo:start|contínuo]] quadrimensional do espaço-tempo (cf. A. Einstein, L. Infeld, The Evolution of Physics, 1938, trad. it., 1950; quanto à bibliografia, o volume dedicado a Einstein na coleção "Living Philosophers" de Schilpp, 1949). A [[lexico:t:teoria-da-relatividade:start|teoria da relatividade]] teve numerosas interpretações filosóficas. Uma delas é a relativista, que a entendeu como [[lexico:c:confirmacao:start|confirmação]] do [[lexico:r:relativismo:start|relativismo]] filosófico (cf., p. ex., A. Aluotta, Relativismo, [[lexico:i:idealismo:start|Idealismo]] e teoria de Einstein, 1948). Outra é a idealista ou espiritualista, defendida especialmente por A. Eddington (The Nature of the Physical World, 1928; The Philosophy of Physical Science, 1939), mas na [[lexico:r:realidade:start|realidade]] a teoria da relatividade presta-se muito menos a interpretações filosóficas do que as teorias clássicas. A relatividade de que ela [[lexico:f:fala:start|fala]] [[lexico:n:nada:start|nada]] tem a [[lexico:v:ver:start|ver]] com o relativismo: uma [[lexico:m:medida:start|medida]] por certo é relativa, não ao [[lexico:h:homem:start|homem]] nem ao [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] cognoscente, mas ao sistema de [[lexico:r:referencia:start|referência]], podendo também [[lexico:s:ser:start|ser]] expressa com base em outros sistemas. Tampouco se pode dizer que a teoria da relatividade seja mais subjetivista ou idealista que a física clássica. A lição mais importante que a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] pode aprender com ela diz [[lexico:r:respeito:start|respeito]] ao [[lexico:m:metodo:start|método]], e pode ser inferida das seguintes [[lexico:p:palavras:start|palavras]] de Einstein: "Para o [[lexico:f:fisico:start|físico]], um [[lexico:c:conceito:start|conceito]] só tem [[lexico:v:valor:start|valor]] quando é [[lexico:p:possivel:start|possível]] estabelecer se ele convém ou não. Portanto, precisamos de uma [[lexico:d:definicao:start|definição]] da [[lexico:s:simultaneidade:start|simultaneidade]] que forneça o método para reconhecer por [[lexico:m:meio:start|meio]] de experiências se dois relâmpagos foram simultâneos ou não. Enquanto essa [[lexico:c:condicao:start|condição]] não se realizar, [[lexico:e:eu:start|eu]], como físico (e também como não físico), estarei me iludindo se achar que posso atribuir [[lexico:s:significado:start|significado]] à [[lexico:e:expressao:start|expressão]] de simultaneidade" (Uberdiespazielle und die allgemeine Relativitätstheorie, 1917, § 8; trad. it., p. 18). Essas palavras expressam a exigência geral de que, para ser válida, qualquer [[lexico:p:proposicao:start|proposição]] deve poder ser confirmada ou comprovada por métodos hábeis (v. significado). Assim se denomina a [[lexico:m:moderna:start|moderna]] teoria físico-matemática do [[lexico:m:movimento:start|movimento]]. A física antiga, chamada clássica, conhecia já um princípio de relatividade: o da [[lexico:m:mecanica:start|mecânica]]. Segundo ele, em [[lexico:t:todo:start|todo]] sistema de coordenadas de referência que se move com movimento [[lexico:u:uniforme:start|uniforme]] e retilíneo em direção contrária a outro, as leis mecânicas são válidas de maneira invariável; por outras palavras: mediante processos mecânicos é [[lexico:i:impossivel:start|impossível]] determinar se um [[lexico:c:corpo:start|corpo]] se encontra em [[lexico:e:estado:start|Estado]] de repouso absoluto ou de movimento retilíneo e uniforme; só se podem assinalar movimentos [[lexico:r:relativos:start|relativos]]. — Em 1905, Einstein ampliou fundamentalmente este princípio com a teoria da relatividade especial. Para suprimir a [[lexico:c:contradicao:start|contradição]] a que tinham conduzido as experiências sobre o [[lexico:e:eter:start|éter]], estendeu também a relatividade aos fenômenos eletromagnéticos. Segundo isso, não há [[lexico:p:processo:start|processo]] no [[lexico:u:universo:start|universo]] que faculte determinar o absoluto repouso ou o movimento uniforme e retilíneo. O segundo princípio básico da relatividade especial, e que é também [[lexico:c:consequencia:start|consequência]] das experiências do éter, é a da constância de velocidade da [[lexico:l:luz:start|luz]] em todo sistema que se mova com movimento uniforme e retilíneo em direção contrária a outro. O [[lexico:c:calculo:start|cálculo]] matemático baseado nestes [[lexico:p:principios:start|princípios]] levou então à relatividade do [[lexico:e:espaco:start|espaço]] e do [[lexico:t:tempo:start|tempo]]; quer dizer, as medições do espaço e do tempo mostram-se dependentes do estado de movimento do [[lexico:o:observador:start|observador]] que realiza a medida relativamente ao [[lexico:o:objeto:start|objeto]] que deve ser medido; longitudes e tempos são mais breves para o observador em movimento do que para o que está em repouso. — A teoria da relatividade especial foi ampliada em 1916, convertendo-se em teoria da relatividade generalizada ou [[lexico:u:universal:start|universal]], quando se tornou extensiva também ao movimento acelerado (que inclui o da rotação). Segundo ela, é geralmente impossível determinar qualquer movimento absoluto. Para definir matematicamente o espaço, foi preciso empregar uma [[lexico:g:geometria:start|geometria]] não-euclidiana ([[lexico:f:filosofia-da-matematica:start|filosofia da matemática]]). Recentemente (1950), Einstein formulou uma [[lexico:g:generalizacao:start|generalização]] ainda mais ampla da teoria, generalização que se mantém preferentemente na [[lexico:e:esfera:start|esfera]] da pura [[lexico:m:matematica:start|matemática]]. Seu valor e alcance não se enxergam ainda com nitidez. Até o presente, as consequências da teoria experimentalmente comprováveis têm surtido exatas, e assim a teoria da relatividade tornou-se patrimônio comum dos físicos. Contudo seus assertos referem-se mais à [[lexico:o:observacao:start|observação]] e [[lexico:d:descricao:start|descrição]] da [[lexico:n:natureza:start|natureza]] do que à própria natureza. — Filosoficamente, a teoria da relatividade tem [[lexico:d:dado:start|dado]] ensejo a muitas discussões, nas quais se tem apurado [[lexico:b:bom:start|Bom]] [[lexico:n:numero:start|número]] de equívocos fundamentais. Em primeiro [[lexico:l:lugar:start|lugar]], não se ensina, por [[lexico:f:forma:start|forma]] alguma, um relativismo da [[lexico:v:verdade:start|verdade]]. [[lexico:a:alem:start|Além]] disso, não se trata da relatividade do espaço e do tempo em [[lexico:s:sentido:start|sentido]] filosófico, mas tão-somente de uma relatividade da medida do espaço e do tempo, muito embora o [[lexico:m:modo:start|modo]] positivista de [[lexico:p:pensar:start|pensar]] e de se exprimir de muitos físicos produza [[lexico:i:impressao:start|impressão]] diferente. Por [[lexico:u:ultimo:start|último]], não se afirma que todo movimento seja essencialmente [[lexico:r:relativo:start|relativo]], mas que só é comprovável o movimento relativo, o qual, naturalmente, pressupõe um movimento absoluto. A consequência filosófica mais importante da teoria da relatividade consiste em [[lexico:s:saber:start|saber]] que no [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] [[lexico:h:humano:start|humano]] da natureza entram muitas [[lexico:h:hipoteses:start|hipóteses]] tácitas, cuja [[lexico:d:descoberta:start|descoberta]] compete à [[lexico:e:epistemologia:start|epistemologia]] da natureza. — Junk. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}