===== TEOLOGIA DIALÉTICA ===== A [[lexico:t:teologia-dialetica|teologia dialética]] é uma corrente da [[lexico:t:teologia|teologia]] protestante, representada principalmente por K. Barth, E. Brunner, F. Gogarten e outros, e que visa renovar a primitiva teologia da [[lexico:r:reforma|Reforma]]. Com [[lexico:l:lutero|Lutero]], ela afirma a completa incapacidade do [[lexico:h:homem|homem]] decaído para conhecer a [[lexico:d:deus|Deus]] e para o [[lexico:b:bem|Bem]] [[lexico:n:natural|natural]]. A [[lexico:r:razao|razão]] nunca pode dizer algo sobre Deus, nem sequer em [[lexico:s:sentido|sentido]] [[lexico:a:analogo|análogo]]. Entre Deus e o [[lexico:m:mundo|mundo]] medeia um [[lexico:a:abismo|abismo]] que [[lexico:n:nao|não]] permite conhecer a Deus, partindo do mundo. Este abismo é apenas transposto por Deus, quando se dirige ao homem pela [[lexico:r:revelacao|revelação]]. A revelação deve justificar-se [[lexico:p:por-si|por si]] mesma. Não é [[lexico:p:possivel|possível]] provar o [[lexico:f:fato|fato]] da revelação pela razão. O [[lexico:o:objeto|objeto]] da revelação só pode [[lexico:s:ser|ser]] determinado por enunciados opostos (dialéticos), os quais não podem ser absorvidos num [[lexico:t:terceiro|terceiro]] mais elevado (como em [[lexico:h:hegel|Hegel]]), nem harmonizados entre si (como sucede na [[lexico:e:escolastica|escolástica]]). Em sua [[lexico:e:evolucao|evolução]] posterior K. Barth, para fugir às críticas que lhe fizeram, abrandou sua doutrina, reconhecendo certa [[lexico:a:analogia|analogia]] dos enunciados da [[lexico:f:fe|fé]], analogia que foi instituída por Deus. A teologia [[lexico:d:dialetica|dialética]], aqui exposta em suas linhas primitivas, básicas, e de um [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista filosófico, vê só o contraste entre Deus e o mundo. Na [[lexico:a:analogia-do-ser|analogia do ser]], "[[lexico:p:pecado-original|pecado original]]" da razão humana, entrevê ela uma doutrina que coloca Deus e o mundo num mesmo [[lexico:p:plano|plano]], com desconhecimento da doutrina clássica, segundo a qual Deus é, mercê de sua [[lexico:e:essencia|essência]], o [[lexico:f:fundamento|fundamento]] da [[lexico:o:ordem|ordem]] [[lexico:o:ontologica|ontológica]], sem [[lexico:e:estar|estar]], por [[lexico:f:forma|forma]] alguma, subordinado a esta. Nenhum [[lexico:p:predicado|predicado]], nem sequer o ser, convém de igual [[lexico:m:modo|modo]] a Deus e à criatura; e o modo como convém a Deus, sabemo-lo particularmente por via de [[lexico:n:negacao|negação]]. Para a teologia dialética, ser criatural é equivalente de [[lexico:p:pecado|pecado]] e de afastamento de Deus, ao passo que para a concepção escolástica, o [[lexico:e:ente|ente]], enquanto tal, é ontologicamente [[lexico:b:bom|Bom]] ([[lexico:v:valor|valor]]) e Deus o reconhece também como valioso. O pecado original, segundo a teologia católica, teve como [[lexico:c:consequencia|consequência]] a [[lexico:p:perda|perda]] dos dons sobrenaturais ([[lexico:s:sobrenatural|sobrenatural]]), mas não a [[lexico:d:destruicao|destruição]] ou mutilação [[lexico:e:essencial|essencial]] da [[lexico:n:natureza-humana|natureza humana]], que continuou possuindo, embora notavelmente restringida, a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] tanto do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] natural de Deus quanto da [[lexico:a:acao|ação]] [[lexico:m:moral|moral]], em conformidade com a sua [[lexico:n:natureza|natureza]]. — A fé e a [[lexico:v:verdade|verdade]] revelada devem ser razoáveis. Por isso, o homem deve procurar obter para si uma [[lexico:c:certeza|certeza]] prática acerca do fato da revelação. E até mesmo, quando não haja maneira de penetrar a possibilidade interna da revelação, pode a razão crente formular uma concepção desta, isenta, pelo menos, de [[lexico:c:contradicao|contradição]] [[lexico:f:formal|formal]]. — [[lexico:b:brugger|Brugger]].