===== TABELA DAS CATEGORIAS ===== Se esta é, pois, a clássica [[lexico:c:classificacao-dos-juizos|classificação dos juízos]] na [[lexico:l:logica-formal|lógica formal]], e se o [[lexico:a:ato|ato]] de julgar (v. ato de [[lexico:j:juizo|juízo]]) é ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]] ato de [[lexico:p:por|pôr]], ato de assentar a [[lexico:r:realidade|realidade]], estão as diferentes variedades em que se pode apresentar a realidade estarão todas elas contidas nas diferentes formas dos juízos que acabamos de enumerar. Bastará tirar, extrair de cada uma dessas [[lexico:f:forma|forma]] o do juízo a forma correspondente da realidade; obteremos — segundo [[lexico:k:kant|Kant]] — a [[lexico:t:tabela-das-categorias|tabela das categorias]]. E a obteremos sistematicamente deduzida do ato mesmo de julgar, de formular juízos. Desta maneira, teremos que os juízos individuais que afirmam de uma [[lexico:c:coisa|coisa]] [[lexico:s:singular|singular]], seja o que for, contém no seu seio a [[lexico:u:unidade|unidade]]; os juízos particulares que afirmam de várias [[lexico:c:coisas|coisas]] algo, contém em seu seio a [[lexico:p:pluralidade|pluralidade]]; os juízos [[lexico:u:universais|universais]] contêm em seu seio a [[lexico:t:totalidade|totalidade]]. De [[lexico:m:modo|modo]] que as três formas de juízos, segundo a [[lexico:q:quantidade|quantidade]], dão [[lexico:l:lugar|lugar]] a estas três [[lexico:c:categorias|categorias]]: unidade, pluralidade, totalidade. Do [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista da [[lexico:q:qualidade|qualidade]], os juízos são: afirmativos, negativos e infinitos. Os juízos afirmativos nos dizem que uma coisa é "isto". Teremos a [[lexico:c:categoria|categoria]] da [[lexico:e:essencia|essência]], que Kant chama realidade, mas no [[lexico:s:sentido|sentido]] de essência, [[lexico:c:consistencia|consistência]]. Assim Kant extrai dos juízos afirmativos, negativos e infinitos as três categorias de essência (que ele chama realidade, mas no sentido de essência), de [[lexico:n:negacao|negação]] e de [[lexico:l:limitacao|limitação]]. O [[lexico:j:juizo-infinito|juízo infinito]] contém limitações, diz aquilo que algo [[lexico:n:nao|não]] é, mas deixa [[lexico:a:aberto|aberto]] um [[lexico:c:campo|campo]] [[lexico:i:infinito|infinito]] do que quer que seja. Não faz mais do que limitar o [[lexico:s:sujeito|sujeito]]. Dos juízos segundo a [[lexico:r:relacao|relação]], dos juízos categóricos, hipotéticos e disjuntivos, extrai Kant as três categorias seguintes: dos juízos categóricos, a categoria de [[lexico:s:substancia|substância]] com o seu complemento [[lexico:n:natural|natural]] de "[[lexico:p:propriedade|propriedade]]". Porque quando [[lexico:e:eu|eu]] afirmo categoricamente que uma coisa "é isto", considero esta coisa como uma substância, é isto que dela afirmo como uma propriedade dessa substância. Dos juízos hipotéticos extrai Kant a categoria de [[lexico:c:causalidade|causalidade]], de [[lexico:c:causa-e-efeito|causa e efeito]]. Porque quando formulamos um juízo deste [[lexico:t:tipo|tipo]]: se A é B, ó também C, já assentamos o [[lexico:e:esquema|esquema]] [[lexico:l:logico|lógico]] da causalidade. Se faz calor se dilatam os corpos. Dos juízos disjuntivos extrai Kant a categoria de [[lexico:a:acao-reciproca|ação recíproca]], Da quarta maneira de dividir os juízos extrai Kant as seguintes categorias: dos juízos problemáticos (A pode [[lexico:s:ser|ser]] B) extrai a categoria de [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]]; dos juízos assertórios (A é efetivamente B) extrai a categoria de [[lexico:e:existencia|existência]]; dos juízos apodíticos (A tem que ser B) extrai a categoria de [[lexico:n:necessidade|necessidade]]. Temos então completa a tabela das categorias. São doze as categorias de Kant. Que significam estas categorias? Que sentido têm? Que [[lexico:f:funcao|função]] desempenham? Isto é o que Kant se propõe [[lexico:a:agora|agora]] elucidar na [[lexico:p:parte|parte]] (2a [[lexico:a:analitica-transcendental|analítica transcendental]] que leva o [[lexico:n:nome|nome]] de [[lexico:d:deducao-transcendental|dedução transcendental]] das categorias. Esta passagem é provavelmente a mais famosa de toda a [[lexico:o:obra|obra]] de Kant. Das duas edições que fez Kant da [[lexico:c:critica-da-razao-pura|Crítica da Razão Pura]], esta passagem, que abrange grande [[lexico:n:numero|número]] de páginas, foi na segunda edição completamente refeita, transformada por completo. Adverte-se muito [[lexico:b:bem|Bem]], pelos esforços que custou a Kant sua redação, aquilo que hoje é bem sabido: que esta passagem constitui o núcleo [[lexico:e:essencial|essencial]] da [[lexico:c:critica|Crítica]] da [[lexico:r:razao-pura|Razão Pura]] e é realmente a [[lexico:r:raiz|raiz]] mais profunda do [[lexico:p:pensamento|pensamento]] kantiano.