===== SYMBEBEKOS ===== symbebekos: acompanhamento, [[lexico:a:acidente|acidente]] ([[lexico:l:logico|lógico]]), [[lexico:a:acontecimento|acontecimento]] acidental ([[lexico:v:ver|ver]] [[lexico:t:tyche|tyche]]) 1. A [[lexico:h:historia|história]] primitiva da [[lexico:r:realidade|realidade]] [[lexico:o:ontologica|ontológica]] que está por trás da [[lexico:n:nocao|noção]] de symbebekos foi desenvolvida nos domínios da [[lexico:q:qualidade|qualidade]] ([[lexico:p:poion|poion]]; ver também [[lexico:d:dynamis|dynamis]]). Radical nesta [[lexico:t:teoria|teoria]] foi [[lexico:d:democrito|Demócrito]] que estava inclinado a negar às qualidades qualquer [[lexico:e:existencia|existência]] objetiva (D. L. IX, 72; [[lexico:s:sexto-empirico|Sexto Empírico]], Adv. Math. VII, 135), enquanto que [[lexico:p:platao|Platão]] enunciava um [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista [[lexico:a:arcaico|arcaico]] quando as hipostasia (o [[lexico:m:modo|modo]] [[lexico:s:supra-sensivel|supra-sensível]] de hipostasiação representado pelos eide era, evidentemente, muito diferente do dos seus predecessores). Platão estava, [[lexico:n:nao|não]] obstante, conscientizado da [[lexico:d:diferenca|diferença]] entre as [[lexico:c:coisas|coisas]] e as qualidades das coisas e desvia-se do seu [[lexico:c:caminho|caminho]] para corrigir a [[lexico:r:reificacao|reificação]] pré-socrática [[lexico:g:geral|geral]] das qualidades ([[lexico:t:timeu|Timeu]] 49a-50a; ver [[lexico:g:genesis|genesis]], [[lexico:p:pathos|pathos]]). 2. Os comentários de Platão ocorrem num tratado sobre este [[lexico:m:mundo|mundo]] [[lexico:s:sensivel|sensível]] das coisas materiais; a [[lexico:a:analise|análise]] que [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] faz do mesmo [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] encontra-se nas suas obras de [[lexico:l:logica|lógica]] e assim as ênfases são completamente diferentes. A [[lexico:d:distincao|distinção]] entre uma [[lexico:c:coisa|coisa]] e a sua qualidade é alargada para abranger a distinção entre uma coisa ou [[lexico:s:sujeito|sujeito]] ([[lexico:h:hypokeimenon|hypokeimenon]]) e o seu [[lexico:a:atributo|atributo]] ou acompanhamento (symbebekos). Este é definido como algo que «pertence a uma coisa, não por [[lexico:n:necessidade|necessidade]] ou pela maior [[lexico:p:parte|parte]]... mas aqui e [[lexico:a:agora|agora]]» ([[lexico:m:metafisica|Metafísica]] 1025a). Ao contrário de [[lexico:g:genos|genos]] ou da [[lexico:d:definicao|definição]], não exprime a [[lexico:e:essencia|essência]] ([[lexico:t:ti-esti|ti esti]]) de uma coisa nem, como a [[lexico:p:propriedade|propriedade]] ([[lexico:i:idion|idion]]), está necessariamente ligado a [[lexico:e:esse|esse]] sujeito (Top. I, 102b). [[lexico:d:dado|dado]] que não há necessidade (eles podem [[lexico:s:ser|ser]] diferentes) em tais seres acidentais, segue-se que não pode haver [[lexico:d:demonstracao|demonstração]] ([[lexico:a:apodeixis|apodeixis]]) e, logo, [[lexico:c:conhecimento-cientifico|conhecimento científico]] ([[lexico:e:episteme|episteme]]) neles baseado (Anal. post. I, 75a-b; Metafísica 1026b). O symbebekos é um dos «[[lexico:p:predicaveis|predicáveis]]» (ver idion). 3. Ter-se-ia pensado que [[lexico:e:epicuro|Epicuro]] aderiria ao ponto de vista atomista de Demócrito e restringiria toda a realidade aos átomos e ao [[lexico:v:vazio|vazio]] ([[lexico:k:kenon|kenon]]). Mas uma vez que aceitou a [[lexico:s:sensacao|sensação]] ([[lexico:a:aisthesis|aisthesis]]) como [[lexico:c:criterio|critério]] infalível de [[lexico:v:verdade|verdade]], ele não pode remontar à convenção ([[lexico:n:nomos|nomos]]) como a [[lexico:o:origem|origem]] das [[lexico:q:qualidades-sensiveis|qualidades sensíveis]]. E assim Epicuro tem uma teoria dos acidentes completamente desenvolvida (ver D. L. X, 68, 69). Estas qualidades perceptíveis, e logo corpóreas, que aderem aos corpos podem ser divididas, como em Aristóteles, naquelas que estão necessariamente ligadas à [[lexico:n:natureza|natureza]] dos corpos e assim sempre presentes num [[lexico:c:corpo|corpo]] e naquelas que acontecem a um corpo de tempos a tempos. À primeira [[lexico:c:categoria|categoria]], o idion aristotélico, chama Epicuro symbebekos, invertendo precisamente a nomenclatura aristotélica. Para o segundo [[lexico:t:tipo|tipo]] de qualidades ele inventa o novo [[lexico:t:termo|termo]] «acidente» (symptoma). Exemplos de symptomata são as qualidades sensíveis dos corpos compósitos (Plutarco, Adv. Col. 1110) e a sensação é sempre um symptoma do «[[lexico:e:elemento|elemento]] não nomeado» presente na [[lexico:a:alma|alma]] (D. L. X, 64; ver [[lexico:h:holon|holon]], [[lexico:p:psyche|psyche]]). Há entidades ainda mais complicadas, como o [[lexico:t:tempo|tempo]], que não podem ser descritas senão como «acidentes de acidentes» (ver [[lexico:c:chronos|chronos]]). 4. Os estoicos mantiveram a doutrina aristotélica do sujeito e dos acidentes mas numa [[lexico:f:forma|forma]] alterada. A distinção entre um sujeito e os seus atributos é mantida (SVF II, 369), mas os atributos são reduzidos a três: qualidade, [[lexico:e:estado|Estado]] e [[lexico:r:relacao|relação]], os últimos presumivelmente atributos do [[lexico:p:principio-ativo|princípio ativo]] [[lexico:p:primario|primário]] do [[lexico:u:universo|universo]], o lagos (D. L. VII, 134; ver [[lexico:l:logos|Logos]], [[lexico:p:paschein|paschein]]).