===== SUBSTÂNCIA E FUNÇÃO ===== Em 1910, [[lexico:c:cassirer|Cassirer]] publica "[[lexico:s:substancia-e-funcao|Substância e Função]]". Nesse [[lexico:t:trabalho|trabalho]], através de seguro domínio da [[lexico:h:historia|história]] da [[lexico:c:ciencia|ciência]], ele realiza uma [[lexico:i:investigacao|investigação]] sobre o [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] matemático, geométrico, [[lexico:f:fisico|físico]] e químico, a [[lexico:f:fim|fim]] de mostrar que esses conhecimentos [[lexico:n:nao|não]] buscam o comum, isto é, a [[lexico:s:substancia|substância]], e sim a [[lexico:l:lei|lei]], a [[lexico:r:relacao|relação]], isto é, a [[lexico:f:funcao|função]]. [[lexico:r:relacoes|Relações]] e funções instituem os entes matemáticos e constituem as expressões geométricas. No [[lexico:c:conhecimento-cientifico|conhecimento científico]] e também no conhecimento comum encontramos muito mais do que dados sensíveis. Olhamos as [[lexico:c:coisas|coisas]] através de pontos de vista, teorias, leis, isto é, relações. Em [[lexico:s:suma|suma]], o [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]] do [[lexico:p:pensamento|pensamento]] científico nos leva a passar do [[lexico:c:conceito|conceito]] de substância ao de função. A [[lexico:m:metafisica|metafísica]] de [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] falava de [[lexico:m:mundo|mundo]] de coisas das quais era preciso abstrair as características comuns, a [[lexico:e:essencia|essência]]. Mas, por um lado, enquanto [[lexico:e:esse|esse]] [[lexico:m:metodo|método]] levou a toda uma [[lexico:m:massa|massa]] de estéreis resultados (entre outras coisas, não há [[lexico:g:garantia|garantia]] alguma de que o comum seja o [[lexico:e:essencial|essencial]]), por [[lexico:o:outro|outro]] lado, viu-se que as ciências progrediram porque se matematizaram (na [[lexico:m:matematica|matemática]] não entra o conceito de substância, senão o de função): progrediram porque deixaram de buscar [[lexico:s:substancias|substâncias]] e voltaram-se para a busca de relações funcionais entre os objetos. E assim como as funções matemáticas não se obtém por [[lexico:a:abstracao|abstração]], mas constroem-nas o pensamento, da mesma [[lexico:f:forma|forma]] também os pontos de vista, as teorias ou relações funcionais que instituem e vinculam os objetos do conhecimento científico (e do conhecimento comum) são produtos do pensamento, que tornam "[[lexico:p:possivel|possível]] [[lexico:a:a-priori|a priori]]" o conhecimento, estabelecendo suas condições de [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]]. E o [[lexico:f:fato|fato]] de que a ciência consiste em teorias por relações construídas pelo [[lexico:h:homem|homem]] e que os objetos da ciência sejam instituídos por esses pontos de vista, por essas teorias, não significa de [[lexico:m:modo|modo]] algum cair no [[lexico:s:subjetivismo|subjetivismo]]. Escreve Cassirer: "Nós não conhecemos os objetos, [[lexico:c:como-se|como se]] eles fossem dados e determinados como objetos, antes e independentemente de nosso conhecimento. Ao contrário, nós conhecemos objetivamente, já que, no transcorrer [[lexico:u:uniforme|uniforme]] dos conteúdos da [[lexico:e:experiencia|experiência]], criamos determinadas delimitações e estabelecemos determinados [[lexico:e:elementos|elementos]] duráveis e determinados nexos entre eles."