===== SPELAION ===== spélaion = caverna. Latim: spelunca [[lexico:a:alegoria|alegoria]] criada por [[lexico:p:platao|Platão]] no início do livro VII da [[lexico:r:republica|República]] (514a-518b) para [[lexico:r:representar|representar]] a [[lexico:c:condicao-humana|condição humana]] e a missão do [[lexico:f:filosofo|filósofo]]. A caverna representa o [[lexico:m:mundo|mundo]] [[lexico:s:sensivel|sensível]], [[lexico:l:lugar|lugar]] dos corpos nos quais se encarnaram as almas depois da [[lexico:q:queda|Queda]] do mundo [[lexico:i:inteligivel|inteligível]]. A penumbra na qual eles estão mergulhados é a penumbra do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] [[lexico:o:obscuro|obscuro]], do qual as almas só conseguirão libertar-se pela [[lexico:p:purificacao|purificação]] ([[lexico:k:katharsis|katharsis]] / kátharsis) e pela [[lexico:d:dialetica|dialética]] ([[lexico:d:dialektike|dialektike]] / dialektiké), para obter o conhecimento inteligível, representado pela [[lexico:l:luz|luz]] solar. Pode-se resumir assim a [[lexico:a:alegoria-da-caverna|alegoria da caverna]]: **Alegoria** **[[lexico:s:significado|significado]]** Os homens, desde o nascimento, estão acorrentados numa morada subterrânea. Os homens, desde a [[lexico:e:encarnacao|encarnação]], estão mergulhados na penumbra do [[lexico:c:corpo|corpo]]. Das realidades exteriores, às quais dão as costas, eles só conhecem a [[lexico:p:projecao|projeção]] das sombras na parede. Eles só conhecem as verdadeiras Realidades eternas pelo mundo sensível, que é sombra do mundo [[lexico:r:real|real]] ([[lexico:d:doxa|doxa]] / dóxa). O prisioneiro liberto é incapaz de se mover no mundo real; fica ofuscado e [[lexico:n:nao|não]] pode distinguir os verdadeiros objetos. A [[lexico:l:libertacao|libertação]] da [[lexico:a:alma|alma]] é difícil e dolorosa: nos primeiros graus da katharsis / kátharsis, não é [[lexico:p:possivel|possível]] conhecer as [[lexico:e:essencias|Essências]]. Os prisioneiros arrastados para fora revoltam-se e preferem voltar para a caverna. Devido a essa dificuldade, a maioria dos homens rejeita a [[lexico:f:filosofia|Filosofia]]. Se eles quiserem realmente [[lexico:v:ver|ver]] o mundo [[lexico:s:superior|superior]], precisarão proceder de [[lexico:m:modo|modo]] [[lexico:s:sistematico|sistemático]]: ver primeiramente as sombras dos homens e suas imagens na água, para depois ver os objetos; em seguida, verão à noite a lua e as estrelas e, finalmente, o [[lexico:p:proprio|próprio]] [[lexico:s:sol|sol]]. Se quiserem realmente ver o mundo superior, precisarão passar pela dialética: primeiramente, a conjectura (eikasia / eikasía), depois a [[lexico:p:percepcao|percepção]] ([[lexico:p:pistis|pistis]] / pístis), em seguida o conhecimento das Essências (eide / eíde) e por [[lexico:f:fim|fim]] o conhecimento do próprio [[lexico:b:bem|Bem]] ([[lexico:a:agathon|agathon]] / Agathón). Então, eles ficam sabendo que é o sol que governa o mundo sensível, e que ele também era a [[lexico:c:causa|causa]] das sombras na parede. Então, o filósofo vê que o Bem é a causa das Essências, assim como do mundo sensível. Aquele que, habituado à [[lexico:v:visao|visão]] do sol, volta à caverna, fica com os olhos feridos pela visão. O filósofo só sente indiferença pelo mundo sensível e por seus prazeres: nele só encontra incômodo e desagrado. Apesar disso, retorna, por [[lexico:p:piedade|piedade]] pelos companheiros de outrora. No entanto, ele se [[lexico:m:mistura|mistura]] aos homens para trazer-lhes a [[lexico:v:verdade|verdade]]. Mas estes zombam de sua [[lexico:a:atitude|atitude]] desprendida e se recusam a segui-lo para o alto; sentem até mesmo ódio por ele e procuram matá-lo. Mas estes não reconhecem sua [[lexico:s:santidade|santidade]] e se negam à [[lexico:c:conversao|conversão]]. Preferem livrar-se dele definitivamente, como ocorreu com [[lexico:s:socrates|Sócrates]].