===== SINTETICIDADE ===== (in. Syntheticity). [[lexico:v:validade|validade]] das proposições que depende dos fatos. Pelo menos este é o [[lexico:s:significado|significado]] que hoje se costuma atribuir ao [[lexico:a:adjetivo|adjetivo]] [[lexico:s:sintetico|sintético]] quando se refere a proposições ou enunciados. [[lexico:k:kant|Kant]], a [[lexico:q:quem|quem]] se deve a introdução dos termos [[lexico:a:analitico|analítico]] e sintético, empregou-os para distinguir os juízos explicativos e os juízos extensivos. Os primeiros [[lexico:n:nada|nada]] acrescentam, por [[lexico:m:meio|meio]] do [[lexico:p:predicado|predicado]], ao [[lexico:c:conceito|conceito]] do [[lexico:s:sujeito|sujeito]], mas limitam-se a dividir por meio da [[lexico:a:analise|análise]] o conceito em seus [[lexico:c:conceitos|conceitos]] parciais, que nele já eram pensados, ainda que confusamente; os segundos, pelo contrário, acrescentam ao conceito do sujeito um predicado que [[lexico:n:nao|não]] estava contido nele nem podia [[lexico:s:ser|ser]] dele deduzido por análise" ([[lexico:c:critica-da-razao-pura|Crítica da Razão Pura]], Intr., § IV). Mas, segundo Kant, os [[lexico:j:juizos-sinteticos|juízos sintéticos]] são não apenas os que se referem a [[lexico:c:coisas|coisas]] de [[lexico:f:fato|fato]], mas também os da [[lexico:m:matematica|matemática]] e da [[lexico:f:fisica|física]] pura, porquanto baseados na [[lexico:i:intuicao|intuição]] [[lexico:a:a-priori|a priori]] do [[lexico:e:espaco|espaço]] e do [[lexico:t:tempo|tempo]] e nas [[lexico:c:categorias|categorias]], sendo por isso chamados de "[[lexico:j:juizos-sinteticos-a-priori|juízos sintéticos a priori]]". Na [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] contemporânea, porém, a sinteticidade como [[lexico:c:carater|caráter]] das expressões foi entendida no [[lexico:s:sentido|sentido]] das "proposições de fato" de [[lexico:h:hume|Hume]] ou das "[[lexico:v:verdades-de-fato|verdades de fato]]" de [[lexico:l:leibniz|Leibniz]] (v. [[lexico:e:experiencia|experiência]]; fato), ou seja, como proposições que se referem a situações ou estados de coisas e que podem ser verdadeiras ou falsas em [[lexico:r:relacao|relação]] a elas. Carnap diz: "Um [[lexico:e:enunciado|enunciado]] sintético é [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] às vezes — quando existem certos fatos — e às vezes [[lexico:f:falso|falso]]; portanto, ele diz algo sobre quais os fatos que existem. Os sintéticos são os enunciados autênticos acerca da [[lexico:r:realidade|realidade]]" (Logische Syntax der Sprache, § 14). Todavia, os lógicos muitas vezes preferem definir negativamente os enunciados sintéticos, como enunciados que não são [[lexico:a:analiticos|analíticos]] nem contraditórios: é o que fazem, p. ex., Lewis (Analysis of Knowledge and Valuation, 1946, p. 35) e [[lexico:r:reichenbach|Reichenbach]] (Theory of Probability, 1949, p. 20). Assim como as proposições analíticas (v. [[lexico:a:analiticidade|analiticidade]]) são chamadas de "verdades necessárias" porque sua [[lexico:n:negacao|negação]] é [[lexico:i:impossivel|impossível]], também as proposições sintéticas são chamadas frequentemente de contingentes, no sentido de não serem nem necessárias nem impossíveis (cf. Carnap, Meaning and Necessity, § 39).