===== SINGULAR ===== (in. Singular; fr. Singulier; al. Einzig, Singular; it. Singolaré). [[lexico:t:termo|termo]] ou uma [[lexico:p:proposicao|proposição]] que denota um [[lexico:u:unico|único]] [[lexico:o:objeto|objeto]]; em outras [[lexico:p:palavras|palavras]], "[[lexico:f:forma|forma]] (ou [[lexico:e:expressao|expressão]]) que contém uma única variável livre" (Church, Introduction to Mathematical Logic, 1956, § 02; cf. Quine, Methods of Logic, § 34). (in. Single; fr. Singulier; al. Einzeln; it. Singold). 1. Que é um [[lexico:i:individuo|indivíduo]]. 2. O indivíduo considerado como [[lexico:v:valor|valor]] metafísico, [[lexico:r:religioso|religioso]], [[lexico:m:moral|moral]] e [[lexico:p:politico|político]] supremo. Neste [[lexico:s:sentido|sentido]], é o [[lexico:t:tema|tema]] preferido de algumas filosofias modernas e contemporâneas. [[lexico:k:kierkegaard|Kierkegaard]], polemizando com [[lexico:h:hegel|Hegel]], afirmava o valor [[lexico:e:existencial|existencial]] do singular: "A [[lexico:e:existencia|existência]] corresponde à [[lexico:r:realidade|realidade]] singular (o que já foi ensinado por [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]]): [[lexico:n:nao|não]] é abarcada pelo [[lexico:c:conceito|conceito]] e, de qualquer [[lexico:m:modo|modo]], não coincide com ele". (Diário, X2 A, 328). O singular é [[lexico:s:superior|superior]] ao [[lexico:u:universal|universal]], ao contrário do que julgava Hegel. "Nos gêneros animais sempre vale o [[lexico:p:principio|princípio]] de que ‘o indivíduo é inferior ao [[lexico:g:genero|gênero]]’. O gênero [[lexico:h:humano|humano]], em que cada indivíduo é criado à [[lexico:i:imagem-de-deus|imagem de Deus]], tem essa [[lexico:c:caracteristica|característica]], de o singular [[lexico:s:ser|ser]] superior ao gênero" (Ibid., X2, A, 426). Em Kierkegaard, essa exaltação do singular é acompanhada pela desvalorização da [[lexico:c:categoria|categoria]] "[[lexico:p:publico|público]]", em que o singular desaparece; mas o público não é a [[lexico:c:comunidade|comunidade]] na qual, ao contrário, o singular é reconhecido como tal (Ibid., X2, A, 390). O único, de [[lexico:s:stirner|Stirner]], e o [[lexico:s:super-homem|super-homem]], de [[lexico:n:nietzsche|Nietzsche]], são concepções análogas à que Kierkegaard indicou como singular. No mesmo sentido, [[lexico:j:jaspers|Jaspers]] insiste no [[lexico:c:carater|caráter]] excepcional do singular (Phil, II, p. 360). (lat. singularis) [[lexico:r:relativo|relativo]] ao indivíduo, que se aplica a um único indivíduo. Na [[lexico:l:logica|lógica]] tradicional se distingue a proposição singular. que possui um único [[lexico:s:sujeito|sujeito]], ex.: "[[lexico:s:socrates|Sócrates]] é calvo", da proposição [[lexico:p:particular|particular]], que se aplica a alguns indivíduos, ex.: "Alguns homens são calvos". Os termos singulares são aqueles como os nomes próprios "Sócrates", e as expressões do [[lexico:t:tipo|tipo]] "este [[lexico:h:homem|homem]]", que só podem ser sujeitos de uma proposição e nunca [[lexico:p:predicados|predicados]], ao contrário dos termos gerais que podem ser ambas as [[lexico:c:coisas|coisas]]. Apoiada nos [[lexico:p:principios|princípios]] mais gerais do [[lexico:s:sistema|sistema]], a [[lexico:t:tese|tese]] defendida por [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]] aparece logicamente inatacável. Ei-la em termos perfeitamente claros (I, q. 86, a. 1): "Nossa [[lexico:i:inteligencia|inteligência]] não pode captar de modo direto e [[lexico:i:imediato|imediato]] o singular nas coisas materiais. A [[lexico:r:razao|razão]] disto está no [[lexico:f:fato|fato]] de o princípio da [[lexico:s:singularidade|singularidade]], em tais coisas, ser a [[lexico:m:materia|matéria]] individual. Ora, nossa inteligência, como foi [[lexico:d:dito|dito]], procede em seu [[lexico:a:ato|ato]] abstraindo desta matéria a "[[lexico:s:species|species]]", e [[lexico:o:o-que-e|o que é]] abstraído da matéria individual é universal. Nossa inteligência diretamente atinge só o universal. Pode todavia atingir o singular, mas de modo indireto e por uma certa [[lexico:r:reflexao|reflexão]], indirecte et per quamdam reflexionem; isto se explica pelo fato de que mesmo após [[lexico:t:ter|ter]] abstraído a "species" [[lexico:i:inteligivel|inteligível]], só pode, por seu intermédio, conhecer em ato, sob a [[lexico:c:condicao|condição]] de se voltar para as imagens nas quais capta a dita "species" (cf. [[lexico:d:de-anima|De anima]], III, c. 7 431 b 1). Assim, capta diretamente o universal por [[lexico:m:meio|meio]] da "species" inteligível, e. indiretamente os singulares com os quais os fantasmas se relacionam." (Cf. Igualmente sobre esta doutrina: Ia Pa, q. 14, a. 11; q. 57, a. 2; Quaest. Disp. de [[lexico:a:anima|anima]], a. 20; De Veritate, q. 10, a. 5) . [[lexico:c:como-se|como se]] deve [[lexico:r:representar|representar]] esta "convertio ad phantasmata" que está no princípio do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] indireto do singular? Antes de tudo, é certo que não se trata aqui de uma outra "convertio", diferente da que foi falada quando se perguntou se seria [[lexico:p:possivel|possível]] conhecer intelectualmente sem imagens. Mas pode-se precisar como se efetua esta volta? Eis como no De Veritate (q. 10, a. 5), Tomás de Aquino no-lo apresenta: "O [[lexico:e:espirito|espírito]], todavia, consegue ingerir-se nas coisas particulares enquanto se prolonga pelas [[lexico:p:potencias-sensiveis|potências sensíveis]] que têm por objeto o singular... E assim conhece o singular por uma certa reflexão, enquanto conhecendo seu objeto, que é uma [[lexico:n:natureza|natureza]] universal, chega ao conhecimento de seu ato, e ulteriormente à "species" que está no seu princípio, e enfim ao [[lexico:f:fantasma|fantasma]] donde as espécies foram abstraídas; é assim que tem um certo conhecimento do singular." É, portanto, tomando [[lexico:c:consciencia|consciência]] da [[lexico:o:origem|origem]] de seu ato que a inteligência capta o singular: este, sobre o qual reflete, tem por princípio a "species" que lhe parece provir das imagens. Sendo o objeto destas sempre particularizado, a inteligência, pelo prolongamento do [[lexico:c:conhecimento-sensivel|conhecimento sensível]], atinge assim o singular, mas como o singular é apreendido diretamente só pelas potências sensíveis, trata-se então só de um conhecimento indireto. Pode-se ir mais [[lexico:a:alem|além]] nesta [[lexico:d:determinacao|determinação]] e admitir que a inteligência, nesta [[lexico:a:atividade|atividade]], faz uma concepção própria do singular? As precisões dos comentadores: o conhecimento "arguitivo" de Cajetano. Cajetano (in Iam Part. q. 86, I, VII) estima que do singular assim apreendido temos só um conceito estranho, isto é, que não o representa propriamente, embora convenha só a ele. Tomemos uma comparação. Se falamos da [[lexico:s:sabedoria|sabedoria]] infinita, pensamos em uma [[lexico:c:coisa|coisa]] da qual não temos conceito [[lexico:p:proprio|próprio]], mas somente um conceito inadequado. Assim também para o singular. Embora compreendamos o que é o singular universalmente considerado, não concebemos o que é em particular a "socrateitas", mas concebemos em nós o que é o "homem" e a "singularidade", e que o "homem", donde não subsiste [[lexico:p:por-si|por si]], arguimos e concluímos por um conhecimento quididativamente não representável, a [[lexico:s:saber|saber]] a "socrateitas", que na realidade existe uma coisa singular diferente do universal "homem". Não nos representamos, pois, formalmente o singular, mas o concluímos em um conceito estranho, que o compreende de algum modo e de maneira confusa, e depois de uma reflexão sobre sua origem singular. O conceito de "Sócrates" é tão somente o conceito de "homem" colocado em [[lexico:r:relacao|relação]], por uma [[lexico:e:especie|espécie]] de [[lexico:r:raciocinio|raciocínio]] [[lexico:i:implicito|implícito]], com este indivíduo singular que percebo pelos sentidos. O conceito próprio e distinto do singular em João de Tomás de Aquino. João de Tomás de Aquino não adota esta maneira de [[lexico:v:ver|ver]] (cf. De Anima, q. 10, art. 4). Para ele, se não se tem uma [[lexico:r:representacao|representação]] direta e adequada do singular, tem-se dele contudo um conceito próprio e distinto. Sem isso estaríamos na [[lexico:i:impossibilidade|impossibilidade]] de discernir uns dos outros os diversos indivíduos e de ter juízos perfeitamente determinados como estes: "Pedro é homem", "João não foi o Cristo". Esta [[lexico:o:opiniao|opinião]] parece distinguir-se da precedente no fato de que, segundo ela, para que se determine singularmente o conceito basta, quando percebida, a relação de origem com [[lexico:r:referencia|referência]] à [[lexico:i:imagem|imagem]], sem que seja [[lexico:n:necessario|necessário]] apelar para uma espécie de raciocínio. Resta que em ambas estas explicações existe um conceito de Sócrates que, em referência ao conhecimento [[lexico:s:sensivel|sensível]], convém só a ele João de Tomás de Aquino percebeu [[lexico:b:bem|Bem]] que sua [[lexico:t:teoria|teoria]] não deixava de apresentar dificuldades. Como, com [[lexico:e:efeito|efeito]], conciliá-la com a tese exposta, fundamental no peripatetismo, do [[lexico:p:primado|primado]] do conhecimento do universal? Se cada conceito deve ser referido a uma imagem que é representativa do singular, não haverá, na origem, tão somente [[lexico:c:conceitos|conceitos]], embora indiretos, mas próprios e distintos do singular? Foi respondido negativamente (loco citato) pois o que determina o conceito é aquilo para o qual tende o [[lexico:m:movimento|movimento]] do [[lexico:p:pensamento|pensamento]]. Ora, este movimento, na [[lexico:a:apreensao|apreensão]] do objeto, pode-se dirigir quer para o universal, quer para o singular que representa. No primeiro caso, tem-se o [[lexico:c:conceito-universal|conceito universal]] (e só ele representa direta e adequadamente seu objeto), no segundo caso, o conceito singular (que o representa só indireta e inadequadamente). É, pois, por uma atividade psicológica contínua que se passa do universal para o particular, tese esta que tem a [[lexico:v:vantagem|vantagem]] de dar à [[lexico:v:vida|vida]] do espírito uma atividade concreta, que a [[lexico:d:distincao|distinção]] demais rígida das [[lexico:f:faculdades|faculdades]] e de seus objetos arrisca-se a esquecer. É, definitivamente, um mesmo sujeito que pensa e que imagina, capta o singular e apreende o universal: e o que era preciso separar, legitimamente aliás, deve ser em seguida retomado na [[lexico:u:unidade|unidade]] de uma só consciência viva.