===== SENTIDOS EXTERNOS ===== A presente [[lexico:e:exposicao|exposição]] tem por [[lexico:f:fundamento|fundamento]] os textos aristotélicos do "[[lexico:d:de-anima|De anima]]" (II, c. 5-12) e do "De Sensu et sensato". [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]] retomou, no seu conjunto, a [[lexico:t:teoria|teoria]] de [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]], orientando-a e equilibrando-a de maneira um pouco diferente (cf. ainda os comentários dos textos precedentes: S. Th. Ia Pa, q. 78, a. 3; Quaest. disp. De [[lexico:a:anima|anima]], a. 13. Os comentadores, especialmente João de Tomás de Aquino (Cf. Curs. phil., De Anima, q. 4 e 5) [[lexico:n:nao|não]] deixaram de dar precisões que lhes são próprias. Será [[lexico:n:necessario|necessário]], servindo-se de todas estas fontes, salientar a contribuição [[lexico:p:pessoal|pessoal]] de cada um. **[[lexico:n:numero|Número]] dos [[lexico:s:sentidos-externos|sentidos externos]].** [[lexico:c:como-se|como se]] distinguem os sentidos entre si? Não pelos órgãos, pois estes são [[lexico:r:relativos|relativos]] aos sentidos. Nem tampouco, e pela mesma [[lexico:r:razao|razão]], pelos meios: Abstratamente consideradas, as [[lexico:q:qualidades-sensiveis|qualidades sensíveis]] são apenas inteligíveis e, portanto, aqui não servem para [[lexico:n:nada|nada]]. Resta que os sentidos se diferenciam por aquilo que lhes convém formalmente, isto é, pelo seu [[lexico:s:sensivel|sensível]] [[lexico:p:proprio|próprio]] (cf. S. Th., Ia Pa, q. 78, a. 3; Quaest. Disp. de An., a. 13). A partir deste [[lexico:p:principio|princípio]], distingue Aristóteles os cinco sentidos que se tornaram clássicos (De Anima, II, c. 6 ss). Não é dada nenhuma razão [[lexico:a:a-priori|a priori]] desta [[lexico:e:enumeracao|enumeração]] que assim parece não [[lexico:t:ter|ter]] [[lexico:o:outro|outro]] fundamento [[lexico:a:alem|além]] da [[lexico:e:experiencia|experiência]] [[lexico:v:vulgar|vulgar]]. Tomás de Aquino, entretanto, que gosta de tais ordenações, deixou-nos uma dupla tentativa de sistematização destas potências. Podemos, antes de tudo, ordená-las conforme seu [[lexico:g:grau|grau]] de [[lexico:i:imaterialidade|imaterialidade]] relativa, proporcionando-se esta à importância da modificação material que acompanha a "imutação" espiritual do [[lexico:s:sentido|sentido]]. Assim, no cume estaria situada a vista que não implica em nenhuma modificação corporal. Abaixo, viria o ouvido e o olfato que comportam uma modificação por [[lexico:p:parte|parte]] do [[lexico:o:objeto|objeto]]. No pé da escala, enfim, o [[lexico:g:gosto|gosto]] e o tacto que supõem, a mais, uma modificação do [[lexico:o:orgao|órgão]]. Tais observações, evidentemente, precisariam [[lexico:s:ser|ser]] aperfeiçoadas, embora o princípio desta sistematização permaneça sempre válido. No De Anima (III, l.17-18) Tomás de Aquino classifica os sentidos conforme sua [[lexico:u:utilidade|utilidade]], ou segundo a [[lexico:f:finalidade|finalidade]] que preenchem na [[lexico:v:vida|vida]] [[lexico:a:animal|animal]]. O Doutor angélico distingue duas [[lexico:c:categorias|categorias]] de sentidos depois de ter observado que, embora todos os viventes tenham [[lexico:n:necessidade|necessidade]] de uma [[lexico:f:funcao|função]] nutritiva, nem todos têm necessariamente [[lexico:f:faculdade|faculdade]] de conhecer: os sentidos inferiores e fundamentais, dos quais a vida animal não pode prescindir, ao menos o tacto e o gosto, e os sentidos superiores, que conferem a esta mesma vida uma maior [[lexico:p:perfeicao|perfeição]], a [[lexico:s:saber|saber]], o ouvido, o olfato e a vista, os quais são precisamente os sentidos que, pelo seu [[lexico:m:meio|meio]], têm seu objeto à distância. Esta [[lexico:d:divisao|divisão]] teria sua razão de ser na necessidade que sentem os animais superiores de se deslocar para buscar seu meio de vida, circunstância esta que evidentemente requer o [[lexico:u:uso|uso]] de um maior número de sentidos. Os animais inferiores, por encontrarem imediatamente a seu alcance o meio de sustento, não precisam se mover, nem, em [[lexico:c:consequencia|consequência]], perceber de longe. [[lexico:e:explicacao|Explicação]] tão engenhosa quão difícil de se verificar. Dificuldade. O sentido do tacto é um ou [[lexico:m:multiplo|múltiplo]]? A [[lexico:d:diversidade|diversidade]] das impressões comumente aduzidas a este sentido, como esforços musculares, [[lexico:p:peso|peso]], calor, [[lexico:d:dor|dor]], etc., levam-nos naturalmente a formular a [[lexico:q:questao|questão]]. Tomás de Aquino já se inquietara com isto (cf. S. Th. Ia Pa, q. 78, a 1, ad 3) . Estava inclinado a [[lexico:p:pensar|pensar]] que o tacto é um certo [[lexico:g:genero|gênero]] que comportaria diversas espécies. Distinguir-se-ia hoje, de [[lexico:b:bom|Bom]] grado, um sentido de esfôrço e um sentido térmico, ligando-se o [[lexico:s:sentimento|sentimento]] da dor antes à [[lexico:a:afetividade|afetividade]]. Aristóteles inclinava-se também a assimilar o gosto ao tacto, fazendo do gosto uma [[lexico:e:especie|espécie]] de tacto limitado à [[lexico:l:lingua|língua]].