===== SENSO COMUM ===== gr. [[lexico:a:aisthesis-koine:start|aisthesis koine]]: [[lexico:e:endoxon:start|endoxon]] para o primeiro, [[lexico:v:ver:start|ver]] [[lexico:s:sensus-communis:start|sensus communis]]; para o segundo, communis opinio (gr. koine aisthesis; lat. sensus communis; in. Common sense; fr. Sens commun; al. Gemeinsinn; it. Senso comune). 1) [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] designou com esta [[lexico:e:expressao:start|expressão]] a [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] [[lexico:g:geral:start|geral]] de sentir, à qual atribuiu duas funções: la constituir a [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] da [[lexico:s:sensacao:start|sensação]], que é o "sentir o sentir", porquanto tal consciência [[lexico:n:nao:start|não]] pode pertencer a um [[lexico:o:orgao:start|órgão]] especial do [[lexico:s:sentido:start|sentido]], como, p. ex., à [[lexico:v:visao:start|visão]] ou ao [[lexico:t:tato:start|tato]] (De somno, 2, 455 a 13); 2) perceber as determinações sensíveis comuns a vários sentidos, como o [[lexico:m:movimento:start|movimento]], o repouso, o [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]], o tamanho, o [[lexico:n:numero:start|número]] e a [[lexico:u:unidade:start|unidade]] (De an., III, I, 425 a 14). Essa [[lexico:n:nocao:start|noção]] foi admitida também pelos estoicos, que atribuíam ao [[lexico:s:senso-comum:start|senso comum]] as mesmas funções (J. Stobeo, Ecl, I, 50). Retomada por [[lexico:a:avicena:start|Avicena]] (Dean., III, 30), passou para a [[lexico:e:escolastica:start|escolástica]] medieval (cf. [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]], [[lexico:s:suma-teologica:start|Suma Teológica]], I, q. 78, a 4) e mais [[lexico:t:tarde:start|Tarde]] também foi comumente aceita por todos os aristotélicos e pelos escritores que se inspiraram de algum [[lexico:m:modo:start|modo]] na [[lexico:p:psicologia:start|psicologia]] aristotélica. 2) Nos escritores clássicos latinos, essa expressão tem o [[lexico:s:significado:start|significado]] de [[lexico:c:costume:start|costume]], [[lexico:g:gosto:start|gosto]], modo comum de [[lexico:v:viver:start|viver]] ou de [[lexico:f:falar:start|falar]]. Neste sentido, Cícero adverte que no orador é [[lexico:f:falta:start|falta]] grave "abominar o [[lexico:g:genero:start|gênero]] [[lexico:v:vulgar:start|vulgar]] do [[lexico:d:discurso:start|discurso]] e o costume do [[lexico:s:senso:start|senso]] comum" (Deor., I, 3, 12; cf. 2, 16, 68), e [[lexico:s:seneca:start|Sêneca]] afirma que "a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] visa a desenvolver o senso comum" (Ep., 5, 4; cf. 105, 3). [[lexico:v:vico:start|Vico]] expressava numa [[lexico:f:formula:start|fórmula]] lapidar o [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] tradicional dos autores latinos ao afirmar: "O senso comum é um [[lexico:j:juizo:start|juízo]] sem [[lexico:r:reflexao:start|reflexão]], comumente sentido por toda uma [[lexico:o:ordem:start|ordem]], [[lexico:t:todo:start|todo]] um [[lexico:p:povo:start|povo]], toda uma [[lexico:n:nacao:start|nação]], ou por todo o gênero [[lexico:h:humano:start|humano]]" ([[lexico:c:ciencia-nova:start|Ciência nova]], 1744, [[lexico:d:dignidade:start|dignidade]] 12), e ao atribuir ao senso comum a [[lexico:f:funcao:start|função]] de confirmar e determinar "o arbítrio humano, incertíssimo por sua própria [[lexico:n:natureza:start|natureza]], (...) no que diz [[lexico:r:respeito:start|respeito]] às necessidades ou utilidades humanas" (Ibid., Dignidade 11). Essa expressão teve o mesmo significado na [[lexico:e:escola-escocesa:start|escola escocesa]]. Em [[lexico:i:investigacao:start|Investigação]] sobre o [[lexico:e:espirito:start|espírito]] humano segundo os [[lexico:p:principios:start|princípios]] do senso comum (1764), T. Reid usa essa expressão para designar as crenças tradicionais do gênero humano, aquilo em que todos os homens acreditam ou devem acreditar. Para essa [[lexico:e:escola:start|escola]], o senso comum é o [[lexico:c:criterio:start|critério]] [[lexico:u:ultimo:start|último]] de juízo e o [[lexico:p:principio:start|princípio]] que dirime todas as dúvidas filosóficas. Hoje, essa expressão costuma [[lexico:t:ter:start|ter]] significado [[lexico:a:analogo:start|análogo]], embora sem a [[lexico:c:conotacao:start|conotação]] elogiosa atribuída pelos filósofos escoceses. [[lexico:d:dewey:start|Dewey]], p. ex., ressalta o [[lexico:c:carater:start|caráter]] [[lexico:p:pratico:start|prático]] do senso comum: "Visto que os problemas e as indagações em torno do senso comum dizem respeito às interações entre os seres vivos e o [[lexico:a:ambiente:start|ambiente]], com o [[lexico:f:fim:start|fim]] de realizar objetos de [[lexico:u:uso:start|uso]] e de [[lexico:f:fruicao:start|fruição]], os [[lexico:s:simbolos:start|símbolos]] [[lexico:e:empregados:start|empregados]] são determinados pela [[lexico:c:cultura:start|cultura]] corrente de um [[lexico:g:grupo:start|grupo]] [[lexico:s:social:start|social]]. Eles formam um [[lexico:s:sistema:start|sistema]], mas trata-se de um sistema de caráter mais prático que intelectual. [[lexico:e:esse:start|esse]] sistema é constituído por tradições, profissões, técnicas, interesses e instituições estabelecidas no grupo. As [[lexico:s:significacoes:start|significações]] que o compõem são [[lexico:e:efeito:start|efeito]] da [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] cotidiana comum, com a qual os membros do grupo se intercomunicam" (Logic, VI, 6; trad. it., p. 170). 3) Na doutrina de [[lexico:k:kant:start|Kant]] o senso comum é o princípio do gosto, da [[lexico:f:faculdade:start|faculdade]] de formar juízos sobre os objetos do [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]] em geral. "Tal princípio só poderia [[lexico:s:ser:start|ser]] considerado senso comum, que é essencialmente diferente da [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]] comum, que às vezes também é chamada de senso comum ([[lexico:s:sensus:start|sensus]] communis), pois esta não julga conforme o sentimento, mas conforme [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]], embora se trate em geral de conceitos obscuramente representados" (Crít. do Juízo, § 20). A inteligência comum (Gemeine Verstand) neste trecho é o senso comum dos escritores latinos e da escola escocesa, que Kant considera inútil em filosofia (Prol., A 197); essa também é a [[lexico:o:opiniao:start|opinião]] de [[lexico:h:hegel:start|Hegel]] e de outros (cf. R. Cantoni, [[lexico:t:tragico:start|Trágico]] e senso comune, pp. 35 ss.). a) Chamava Aristóteles de [[lexico:k:koine:start|koine]] [[lexico:a:aisthesis:start|aisthesis]] (sensus communis, dos escolásticos) o sentido central cuja função é coordenar as sensações próprias de cada sentido em [[lexico:p:particular:start|particular]]. b) É usada para indicar o conjunto das opiniões geralmente admitidas, e que constituem a base da esquemática do procedimento social para cada um, cuja [[lexico:o:obediencia:start|obediência]] é uma [[lexico:n:norma:start|norma]] social, e cuja infração representa um [[lexico:a:ato:start|ato]] anti-social, ou associal, dependendo do [[lexico:g:grau:start|grau]] da infração. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}