===== RITO ===== (in. Rite; fr. Rite; al. Ritus; it. Rito). [[lexico:t:tecnica:start|Técnica]] mágica ou religiosa que visa a obter sobre as forças naturais um controle que as técnicas racionais [[lexico:n:nao:start|não]] podem oferecer, ou a obter a manutenção ou conservação de alguma [[lexico:g:garantia:start|garantia]] de [[lexico:s:salvacao:start|salvação]] em [[lexico:r:relacao:start|relação]] a essas forças. O [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de rito como "prática relativa às [[lexico:c:coisas:start|coisas]] sagradas" foi esclarecido por [[lexico:d:durkheim:start|Durkheim]] (Formes élémentaires de la vie religieuse, 1912, passim) (cf. T. Parsons, The Structure of [[lexico:s:social:start|social]] Action, 2a ed., 1949, pp. 420 ss., 673 ss., etc; cf. [[lexico:r:religiao:start|religião]]). É pelo [[lexico:m:mito:start|mito]] que se manifesta a [[lexico:p:potencia:start|potência]] das [[lexico:o:origens:start|origens]]. Pela iniciação, o [[lexico:h:homem:start|homem]] tornar-se companheiro delas. É durante o rito que a [[lexico:e:energia:start|energia]] mítica é utilizada pelo iniciado para furar o [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]] e recriar o [[lexico:p:principio:start|princípio]] [[lexico:d:divino:start|divino]] em [[lexico:t:terra:start|Terra]]. De [[lexico:f:fato:start|fato]], pelo rito, o homem realiza em terra o [[lexico:m:modelo:start|modelo]] arquetípico. Segundo sua etimologia sânscrita (rita), a [[lexico:p:palavra:start|palavra]] "rito" designa [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] conforme à [[lexico:o:ordem:start|ordem]]. Se ele constrói um [[lexico:t:templo:start|templo]], é por um [[lexico:r:ritual:start|ritual]] de consagração que ele lhe confere [[lexico:f:forca:start|força]] e eficácia pondo-o em concordância perfeita com o [[lexico:a:arquetipo:start|arquétipo]]. Se ele ocupa um território, ele lhe confere [[lexico:v:valor:start|valor]] e [[lexico:f:forma:start|forma]] para que possa habitá-lo. É o papel do ritual. Separando-os do [[lexico:h:habito:start|hábito]] profano, o rito dá valor de [[lexico:r:realidade:start|realidade]] a [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:t:tempo:start|tempo]], a esse território. O [[lexico:e:efeito:start|efeito]] do ritual é conferir uma [[lexico:d:dimensao:start|dimensão]] de realidade e um [[lexico:s:sentido:start|sentido]]. A realidade manifestar-se, para a [[lexico:m:mentalidade:start|mentalidade]] arcaica, como força, eficácia e [[lexico:d:duracao:start|duração]]. Dessa maneira, o [[lexico:r:real:start|real]] por [[lexico:e:excelencia:start|excelência]] é o [[lexico:s:sagrado:start|sagrado]]; pois somente o sagrado é de uma maneira absoluta, age eficazmente, cria e faz durar as coisas. Os inúmeros gestos de consagração — espaços, objetos, homens, etc. — traem a [[lexico:o:obsessao:start|obsessão]] do real, o [[lexico:d:desejo:start|desejo]] do [[lexico:p:primitivo:start|primitivo]] para o [[lexico:s:ser:start|ser]]. Assim, a [[lexico:a:acao:start|ação]] do homo religiosus refere-se a um arquétipo que lhe confere sua eficácia. No Egito, a [[lexico:v:vida:start|vida]] da [[lexico:n:natureza:start|natureza]] está ligada à ação primordial de Osíris que se torna o arquétipo da fertilidade. E também pela ação primordial de Osíris entrando na vida eterna que cada ser [[lexico:h:humano:start|humano]] poderá conquistá-la. Houve um [[lexico:a:ato:start|ato]] inicial de reconstituição do [[lexico:c:corpo:start|corpo]] de Osíris. É [[lexico:n:necessario:start|necessário]] refazer esse ato. Todos os rituais de embalsamamento e dos funerais no Egito antigo prendem-se ao mito osiriano. Definitivamente, [[lexico:t:todo:start|todo]] ritual tem um modelo divino, um arquétipo. A Festa constitui a [[lexico:e:expressao:start|expressão]] ritual mais importante das sociedades tradicionais. Ela é a [[lexico:r:representacao:start|representação]], por excelência, do mito em terra, cada participante tornando-se o princípio [[lexico:m:mediador:start|mediador]] indispensável à [[lexico:e:encarnacao:start|encarnação]] do mito e à regeneração do que foi. O [[lexico:s:sacrificio:start|Sacrifício]] é, sem [[lexico:d:duvida:start|dúvida]], o rito [[lexico:r:religioso:start|religioso]] por excelência: ele tem por [[lexico:o:objeto:start|objeto]] interpor uma vítima entre os [[lexico:m:mundos:start|mundos]] profano e sagrado, tratando de colocar em contato um com o [[lexico:o:outro:start|outro]]. O sacrifício pode ser combinado com a comunhão, quando a vítima consagrada é imolada e dividida entre os membros do [[lexico:g:grupo:start|grupo]]. Passar-se em seguida a uma elaboração mais decisiva, quando a [[lexico:i:ideia-de-deus:start|ideia de Deus]], ele [[lexico:p:proprio:start|próprio]] vítima, morre e ressuscita para fazer a ligação entre o [[lexico:m:mundo:start|mundo]] humano e o sagrado. Podemos distinguir principalmente três espécies de ritos ou de cerimônias: - os ritos de fecundidade, que asseguram o [[lexico:r:renascimento:start|Renascimento]] da Natureza. - os ritos religiosos, que asseguram a manutenção do mundo e dos homens. - enfim, os ritos iniciáticos, que asseguram a passagem da [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] humana do profano ao Sagrado. Trataremos em [[lexico:p:particular:start|particular]] da Iniciação, já que esse rito é distintivo de toda a [[lexico:s:sociedade:start|sociedade]] tradicional viva. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}