===== REVIRAVOLTA LINGUÍSTICA ===== A [[lexico:l:linguagem|linguagem]] se tornou, em nosso século, a [[lexico:q:questao|questão]] central da [[lexico:f:filosofia|Filosofia]]. O [[lexico:e:estimulo|estímulo]] para sua consideração surgiu a partir de diferentes problemáticas: na [[lexico:t:teoria-do-conhecimento|teoria do conhecimento]], a [[lexico:c:critica|crítica]] [[lexico:t:transcendental|transcendental]] da [[lexico:r:razao|razão]] foi, por sua vez, submetida a uma crítica e se transformou em "crítica do [[lexico:s:sentido|sentido]]" enquanto crítica da linguagem; a [[lexico:l:logica|lógica]] se confrontou com o [[lexico:p:problema|problema]] das linguagens artificiais e com a [[lexico:a:analise|análise]] das linguagens naturais; a [[lexico:a:antropologia|antropologia]] vai considerar a linguagem um [[lexico:p:produto|produto]] específico do [[lexico:s:ser|ser]] [[lexico:h:humano|humano]] e tematizar a [[lexico:c:correlacao|correlação]] entre [[lexico:f:forma|forma]] da linguagem e [[lexico:v:visao|visão]] do [[lexico:m:mundo|mundo]]; a [[lexico:e:etica|ética]], questionada em [[lexico:r:relacao|relação]] a sua [[lexico:r:racionalidade|racionalidade]], vai partir da [[lexico:d:distincao|distinção]] fundamental entre [[lexico:s:sentencas|sentenças]] declarativas e sentenças normativas. Com razão se pode afirmar, com K.-O. [[lexico:a:apel|Apel]], que a linguagem se transformou em [[lexico:i:interesse|interesse]] comum de todas as escolas e [[lexico:d:disciplinas-filosoficas|disciplinas filosóficas]] da [[lexico:a:atualidade|atualidade]]. Nesse contexto, é muito importante perceber que a "virada" filosófica na direção da linguagem [[lexico:n:nao|não]] significa, apenas, nem em primeiro [[lexico:l:lugar|lugar]], a [[lexico:d:descoberta|descoberta]] de um novo [[lexico:c:campo|campo]] da [[lexico:r:realidade|realidade]] a ser trabalhado filosoficamente, mas, antes de tudo, uma virada da própria filosofia, que vem a significar uma [[lexico:m:mudanca|mudança]] na maneira de entender a própria filosofia e na forma de seu procedimento. Num primeiro [[lexico:m:momento|momento]], isso significa uma nova maneira de articular as perguntas filosóficas. Assim, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], contrariamente a quanto se fazia no passado, perguntar pela [[lexico:e:essencia|essência]] da [[lexico:c:causalidade|causalidade]] ou pelo conteúdo do [[lexico:c:conceito|conceito]] "causalidade", pergunta-se [[lexico:a:agora|agora]] pelo "[[lexico:u:uso|uso]] da [[lexico:p:palavra|palavra]]" causalidade. Foi de tal [[lexico:m:modo|modo]] intensa a concentração em questões da linguagem, que se chegou a identificar filosofia e crítica da linguagem. Pouco a pouco se tornou claro que se tratava, no caso da "[[lexico:r:reviravolta-linguistica|reviravolta linguística]]" (linguistic turn), de um novo [[lexico:p:paradigma|paradigma]] para a filosofia enquanto tal, o que significa dizer que a linguagem passa de [[lexico:o:objeto|objeto]] da [[lexico:r:reflexao|reflexão]] filosófica para a "[[lexico:e:esfera|esfera]] dos fundamentos" de [[lexico:t:todo|todo]] [[lexico:p:pensar|pensar]], e a [[lexico:f:filosofia-da-linguagem|filosofia da linguagem]] passa a poder levantar a pretensão de ser "a [[lexico:f:filosofia-primeira|filosofia primeira]]" à altura do nível de [[lexico:c:consciencia|consciência]] crítica de nossos dias. Isso significa dizer que a [[lexico:p:pergunta|pergunta]] pelas condições de [[lexico:p:possibilidade-do-conhecimento|possibilidade do conhecimento]] confiável, que caracterizou toda a [[lexico:f:filosofia-moderna|filosofia moderna]], se transformou na pergunta pelas condições de [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de sentenças intersubjetivamente válidas a [[lexico:r:respeito|respeito]] do mundo. Isso implica radicalização da crítica do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]], como ela foi articulada nos últimos séculos, pois a pergunta pela [[lexico:v:verdade|verdade]] dos juízos válidos é precedida pela pergunta pelo sentido, linguisticamente articulado, o que significa dizer que é [[lexico:i:impossivel|impossível]] tratar qualquer [[lexico:q:questao-filosofica|questão filosófica]] sem esclarecer previamente a questão da linguagem. Numa palavra, não existe mundo totalmente [[lexico:i:independente|independente]] da linguagem, ou seja, não existe mundo que não seja exprimível na linguagem. A linguagem é o [[lexico:e:espaco|espaço]] de expressividade do mundo, a [[lexico:i:instancia|instância]] de articulação de sua [[lexico:i:inteligibilidade|inteligibilidade]]. O [[lexico:p:processo|processo]] de reflexividade iniciado com a pergunta transcendental [[lexico:m:moderna|moderna]] desembocou, hoje, na pergunta pela linguagem como instância intranscendível da expressividade do mundo. A reviravolta [[lexico:l:linguistica|linguística]] do [[lexico:p:pensamento-filosofico|pensamento filosófico]] do século XX se centraliza, então, na [[lexico:t:tese|tese]] fundamental de que é impossível filosofar sobre algo sem filosofar sobre a linguagem, uma vez que esta é momento [[lexico:n:necessario|necessário]] [[lexico:c:constitutivo|constitutivo]] de todo e qualquer [[lexico:s:saber|saber]] humano, de tal modo que a formulação de conhecimentos intersubjetivamente válidos exige reflexão sobre sua infraestrutura linguística. É nesse sentido que K.-O. Apel vai dizer que a Filosofia Primeira não é mais a [[lexico:p:pesquisa|pesquisa]] a respeito da [[lexico:n:natureza|natureza]] ou das [[lexico:e:essencias|essências]] das [[lexico:c:coisas|coisas]] ou dos entes ([[lexico:o:ontologia|ontologia]]), nem tampouco a reflexão sobre as representações ou [[lexico:c:conceitos|conceitos]] da consciência ou da razão ([[lexico:t:teoria|teoria]] do conhecimento), mas reflexão sobre a [[lexico:s:significacao|significação]] ou o sentido das expressões linguísticas (análise da linguagem). A [[lexico:s:superacao|superação]] da [[lexico:i:ingenuidade|ingenuidade]] da [[lexico:m:metafisica|metafísica]] clássica implica, hoje, a tematização não só da [[lexico:m:mediacao|mediação]] consciencial, [[lexico:c:como-se|como se]] fez na filosofia transcendental da modernidade enquanto filosofia da consciência, mas também da mediação linguística. [MAdeO, 1996:11-12]