===== REALIDADE DO EU ===== Em sua [[lexico:a:antropologia|antropologia]], [[lexico:k:kant|Kant]] diz achar maravilhoso que para a criança pareça nascer um [[lexico:m:mundo|mundo]] novo quando ela começa a [[lexico:f:falar|falar]] de si mesma dizendo [[lexico:e:eu|eu]]. Na [[lexico:r:realidade|realidade]], isto é muito [[lexico:n:natural|natural]]; é o mundo intelectual que se lhe abre, pois [[lexico:q:quem|quem]] pode dizer eu a [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]], se eleva, justamente por isso, sobre o mundo [[lexico:o:objetivo|objetivo]], e passa da [[lexico:i:intuicao|intuição]] alheia à sua própria. A [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] tem que partir sem [[lexico:d:duvida|dúvida]] daquele [[lexico:c:conceito|conceito]] que abarca em si toda a intelectualidade, e a partir do qual esta se desdobra. Precisamente por isto, é preciso [[lexico:v:ver|ver]] que no conceito do eu há algo [[lexico:s:superior|superior]] à mera [[lexico:e:expressao|expressão]] da [[lexico:i:individualidade|individualidade]], que é o [[lexico:a:ato|ato]] da [[lexico:c:consciencia|consciência]] de si mesmo em [[lexico:g:geral|geral]], com o qual tem que [[lexico:a:aparecer|aparecer]] ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]], certamente, a consciência da individualidade, [[lexico:n:nao|não]] contendo porém ele mesmo [[lexico:n:nada|nada]] individual. Até [[lexico:a:agora|agora]] só se [[lexico:f:fala|fala]] do eu como ato da consciência de si mesmo em geral, e só dele se tem que deduzir toda individualidade. (...) A pura consciência de si mesmo é um ato que está fora de [[lexico:t:todo|todo]] tempo, e só ela constitui todo tempo; a consciência empírica é a que só se produz no tempo e na [[lexico:s:sucessao|sucessão]] das representações. A [[lexico:q:questao|questão]] de se o eu é uma [[lexico:c:coisa|coisa]] em si ou um [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]], é em si mesma um contra-senso. Não é em [[lexico:a:absoluto|absoluto]] uma coisa, nem coisa em si nem fenômeno. O [[lexico:d:dilema|dilema]] com que a isto se responde: tudo tem que [[lexico:s:ser|ser]] ou algo ou nada etc, funda-se na [[lexico:e:equivocidade|equivocidade]] do conceito algo. Se algo deve designar em geral algo [[lexico:r:real|real]] em [[lexico:o:oposicao|oposição]] ao meramente imaginário, o eu tem que ser, certamente, algo real, pois é o [[lexico:p:principio|princípio]] de toda realidade. Mas é igualmente claro que, precisamente porque é princípio de toda realidade, não pode ser real no mesmo [[lexico:s:sentido|sentido]] que aquilo a que simplesmente corresponde uma realidade derivada. A realidade que aqueles têm pela única verdadeira, a das [[lexico:c:coisas|coisas]], é uma realidade meramente emprestada, e só o [[lexico:r:reflexo|reflexo]] daquela superior, O dilema, considerado a esta [[lexico:l:luz|luz]], reduz-se, portanto, a este: tudo é ou uma coisa ou nada; o que mostra sua [[lexico:f:falsidade|falsidade]] precisa, visto haver,. certamente, um conceito superior ao de coisa, a [[lexico:s:saber|saber]]: o do fazer, da [[lexico:a:atividade|atividade]]. Este conceito tem que ser muito superior ao de coisa, pois as coisas mesmas só se podem conceber como modificações de uma [[lexico:a:atitude|atitude]] limitada de diversas maneiras. O ser das coisas não consiste em um [[lexico:s:simples|simples]] repouso ou inatividade. Pois inclusive todo preenchimento de [[lexico:e:espaco|espaço]] é só um [[lexico:g:grau|grau]] de atividade, e cada coisa é só um certo grau de atividade, com o qual o espaço se enche. Como tampouco corresponde ao eu qualquer [[lexico:p:predicado|predicado]] que corresponda às coisas, por aí se [[lexico:e:explicar|explicar]] o [[lexico:p:paradoxo|paradoxo]] de que do eu não se possa dizer que é. Pois não se pode dizer do eu que é, unicamente porque é o ser mesmo. O ato [[lexico:e:eterno|eterno]] da consciência de si mesmo, não concebido no tempo, que chamamos eu, é o que dá a todas as coisas a [[lexico:e:existencia|existência]], o que, portanto, não necessita nenhum [[lexico:o:outro|outro]] ser que suporte, mas que, sustentando-se e apoiando-se a si mesmo, aparece objetivamente como o [[lexico:d:devir|devir]] eterno, subjetivamente como a produção infinita. (System des transzendentalen Idealismus, [[lexico:p:parte|parte]] I, seção II, notas gerais, 2.)