===== REAL E EXISTÊNCIA ===== Considera-se frequentemente como [[lexico:r:real|real]] (de res) tudo quanto se opõe a [[lexico:p:possivel|possível]]. Considera-se como real o [[lexico:s:ser|ser]] [[lexico:a:atual|atual]] (e [[lexico:n:nao|não]] apenas em [[lexico:p:potencia|potência]]) o ser que constitui uma [[lexico:r:realidade|realidade]] objetiva, o que não é [[lexico:p:puro|puro]] [[lexico:p:pensamento|pensamento]] (captado ou realizado pelo [[lexico:a:ato|ato]] de [[lexico:p:pensar|pensar]]), sem [[lexico:c:correspondencia|correspondência]] extra-mentis. Neste caso, o real opõe-se extrinsecamente ao [[lexico:n:nada|nada]]. É um diferente [[lexico:a:absoluto|absoluto]] deste. Não se pode propriamente dizer que o real mantém uma [[lexico:r:relacao|relação]] de [[lexico:o:oposicao|oposição]] extrínseca ao nada, por faltar a este realidade, o que tornaria tal relação sem [[lexico:c:consistencia|consistência]] de res. Mas como podemos conceber o nada por oposição ao ser, o nada seria a total e absoluta [[lexico:r:recusa|recusa]] de ser ao [[lexico:e:ente|ente]], o que dá, portanto, realidade à relação entre o real e o nada, o primeiro como [[lexico:e:esquema|esquema]] noético, [[lexico:a:abstrato|abstrato]] portanto, mas consistente, e nada, como esquema abstrato noético da recusa de toda prefixação sistencial e, ademais, recusa de toda e qualquer [[lexico:s:sistencia|sistência]]. Se considerarmos assim, tem realidade tudo quanto é [[lexico:a:alguma-coisa|alguma coisa]], tudo quanto não lhe podemos predicar a recusa total e absoluta de ser alguma [[lexico:c:coisa|coisa]]. Portanto tudo quanto é entitas. isto é, tem a [[lexico:p:propriedade|propriedade]] do que possui o ser, em qualquer [[lexico:s:sentido|sentido]] e em qualquer [[lexico:g:grau|grau]] que seja, é real. é aliquid res. Colocado neste [[lexico:p:ponto|ponto]], real opor-se-ia apenas a [[lexico:i:impossivel|impossível]], pois o nada é impossível e o que realmente podemos predicar ou apontar [[lexico:i:impossibilidade|impossibilidade]] é nada (realmente, aqui, refere-se à [[lexico:p:proposicao|proposição]] fundada na realidade da recusa, não no impossível, que não é entitas com perseidade, mas apenas o que conceituamos da impossibilidade, cuja realidade [[lexico:n:noetica|noética]] lhe é dada pela proporção à realidade recusada). Se considerarmos que real é apenas o que tem [[lexico:a:atualidade|atualidade]], excluímos desse [[lexico:c:conceito|conceito]] o possível. Mas o possível não contradiz o ser. E o possível não pode ser considerado mero nada. Se não é nada, é alguma coisa (aliquid); se é alguma coisa tem entitas, tem ser em um certo grau, ao menos, e se o tem, tem realitas. (Pode o que concebemos possível não o ser; neste caso a não realidade do possível, tomado em si noeticamente, é uma realidade noética, embora falsa. Neste caso a elaboração noética é real, não o é a [[lexico:r:referencia|referência]] tomada como [[lexico:f:fato|fato]]. Ou em outras [[lexico:p:palavras|palavras]]: há uma realidade noética e uma irrealidade ôntica. Em "[[lexico:t:teoria-do-conhecimento|teoria do conhecimento]]", tivemos [[lexico:o:ocasiao|ocasião]] de examinar a [[lexico:p:posicao|posição]] dos escolásticos e as polêmicas travadas entre eles sobre o real e a realidade. Se considerarmos que é real tudo quando se põe afirmativamente, em si ou em [[lexico:o:outro|outro]], teríamos uma realidade em si e uma realidade em outro. Um ser de [[lexico:r:razao|razão]] seria uma realidade em outro, uma [[lexico:e:existencia|existência]] em outro, de realidade mais restrita que um ser que tivesse perseidade, como um ser [[lexico:f:fisico|físico]], que seria real-físico, enquanto o primeiro seria real-ideal (ou ficcional, ou conceitual, etc). O [[lexico:t:tema|tema]] da realidade interessa sobremaneira à [[lexico:f:filosofia-moderna|filosofia moderna]], e foi estudado com o máximo cuidado por Nicolai [[lexico:h:hartmann|Hartmann]], veja nosso resumo em "real e ralidade".