===== RAZÃO SUFICIENTE ===== VIDE [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] O [[lexico:p:principio-de-razao-suficiente:start|princípio de razão suficiente]] ou [[lexico:r:razao:start|razão]] determinante enuncia que [[lexico:n:nada:start|nada]] é sem que haja uma razão para que seja ou sem que haja uma razão que explique que seja. É um [[lexico:p:principio:start|princípio]] que foi formulado várias vezes na [[lexico:h:historia-da-filosofia:start|história da filosofia]]. No entanto, é tradicional atribuir a [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]] a formulação madura de tal princípio. O referido [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]] apresentou-o repetidas vezes nas suas obras, considerando sempre o princípio de [[lexico:r:razao-suficiente:start|razão suficiente]] como um princípio fundamental. Na [[lexico:m:monadologia:start|monadologia]] assinala que o princípio de razão suficiente é - juntamente com o de [[lexico:c:contradicao:start|contradição]] - um dos dois grandes [[lexico:p:principios:start|princípios]] em que se fundamentam os nossos raciocínios. Em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] do mesmo, consideramos que nenhum [[lexico:f:fato:start|fato]] pode [[lexico:s:ser:start|ser]] [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]] ou existente e nenhuma [[lexico:e:enunciacao:start|enunciação]] verdadeira sem que haja uma razão suficiente para que seja assim e [[lexico:n:nao:start|não]] de [[lexico:o:outro:start|outro]] [[lexico:m:modo:start|modo]]. Em outro [[lexico:t:texto:start|texto]], escreve que “outro princípio, apenas menos [[lexico:g:geral:start|geral]] que o [[lexico:p:principio-de-contradicao:start|princípio de contradição]], aplica-se à [[lexico:n:natureza:start|natureza]] da [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]]. Trata-se do princípio de que nada acontece sem a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de que uma [[lexico:m:mente:start|mente]] omnisciente possa dar alguma razão do [[lexico:m:motivo:start|motivo]] por que acontece em vez de não acontecer. [[lexico:a:alem:start|Além]] disso, parece-me que este princípio tem para as [[lexico:c:coisas:start|coisas]] contingentes o mesmo [[lexico:u:uso:start|uso]] que para as coisas necessárias”. O uso do princípio no mencionado filósofo não oferece muitas dificuldades. Eis aqui três argumentos fundamentados no princípio: 1) há algo em vez de nada, porque há uma razão suficiente: a superioridade do ser sobre o não ser. “2) Não há [[lexico:v:vacuo:start|vácuo]] na natureza, porque então haveria que [[lexico:e:explicar:start|explicar]] porque razão algumas partes estão ocupadas e outras não, e a razão disso não pode encontrar-se no [[lexico:p:proprio:start|próprio]] vácuo. 3) não pode reduzir-se a [[lexico:m:materia:start|matéria]] à [[lexico:e:extensao:start|extensão]], porque não haveria razão que explicasse porque motivo [[lexico:p:parte:start|parte]] da matéria está no [[lexico:l:lugar:start|lugar]] x em vez de no lugar y. Mas se o uso não oferece grande dificuldade, a [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] geral do princípio oferece a Bertrand [[lexico:r:russell:start|Russell]] indica que sob a [[lexico:e:expressao:start|expressão]] “princípio de razão suficiente” latejam, em rigor, dois princípios. Um é de [[lexico:c:carater:start|caráter]] geral e aplica-se a todos os [[lexico:m:mundos:start|mundos]] possíveis. O outro é especial e aplica-se apenas ao [[lexico:m:mundo:start|mundo]] [[lexico:a:atual:start|atual]]. Ambos os princípios se referem a mundos existentes, possíveis ou atuais, mas enquanto o primeiro é uma [[lexico:f:forma:start|forma]] da [[lexico:l:lei-de-causalidade:start|lei de causalidade]] final, o segundo consiste na [[lexico:a:afirmacao:start|afirmação]] de que toda a produção causal atual está determinada pelo [[lexico:d:desejo:start|desejo]] do [[lexico:b:bem:start|Bem]]. Por isso o primeiro princípio é metafisicamente [[lexico:n:necessario:start|necessário]], ao passo que o [[lexico:u:ultimo:start|último]] é [[lexico:c:contingente:start|contingente]]. O princípio leibniziano de razão suficiente ocupou lugar proeminente na [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] de [[lexico:w:wolff:start|Wolff]] e sua [[lexico:e:escola:start|escola]]. Tem-se posto em relevo que há em Wolff uma confusão que reapareceu em muitos autores wolffianos: a confusão da [[lexico:o:ordem:start|ordem]] [[lexico:l:logica:start|lógica]] com a [[lexico:o:ontologica:start|ontológica]], especialmente quando se tratou de derivar o princípio de razão suficiente do princípio de não contradição. A esta confusão pode juntar-se outra: a que se manifesta ao conceber-se o princípio de razão suficiente como um princípio [[lexico:p:psicologico:start|psicológico]] na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que se entende por ele a [[lexico:i:impossibilidade:start|impossibilidade]] de [[lexico:p:pensar:start|pensar]] um [[lexico:j:juizo:start|juízo]] sem razão suficiente. Em SOBRE A QUÁDRUPLA [[lexico:r:raiz:start|raiz]] DO PRINCÍPIO DE RAZÃO SUFICIENTE (1811) [[lexico:s:schopenhauer:start|Schopenhauer]] distingue entre o princípio da razão suficiente no acontecer, o do conhecer, o do ser e o do obrar. Com isto se adverte de novo a multivocidade do princípio e em [[lexico:p:particular:start|particular]] a mais fundamental excisão do mesmo consoante se refira ao ser [[lexico:r:real:start|real]] ou ao ser [[lexico:i:ideal:start|ideal]]. No primeiro caso, a razão suficiente tem um caráter marcadamente [[lexico:o:ontologico:start|ontológico]]; no segundo, intervém, além disso, o [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] [[lexico:l:logico:start|lógico]], mesmo quando este afeta apenas a parte mais superficial e externa do princípio que pode considerar-se totalmente como ontológico e, no que se refere à [[lexico:e:esfera:start|esfera]] do conhecer, como gnoseológico. [[lexico:h:heidegger:start|Heidegger]] indicou que o princípio aflora as questões centrais da [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]]. No seu aspecto metafísico, o [[lexico:p:problema:start|problema]] da razão suficiente é [[lexico:c:consequencia:start|consequência]] do mais amplo problema do fundamento. Heidegger referiu-o à liberdade de fundamentar. Observou que o princípio de razão suficiente tem uma forma negativa (no “nada é sem razão”) e uma afirmativa (no “[[lexico:t:todo:start|todo]] o ser tem a sua razão”) e assinalou que a forma negativa é mais reveladora que a afirmativa. O princípio de razão suficiente ou “princípio de razão” trata do fundo, que se encontra sempre “por baixo” daquilo de que se trata; portanto, o princípio em [[lexico:q:questao:start|questão]] é um princípio que não fica agarrado às coisas, das quais se afirma algo, mas ao fundamento das coisas. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}