===== RACISMO ===== (in. Racialism; fr. Racisme; al. Rassismus; it. Razzismó). Doutrina segundo a qual todas as manifestações histórico-sociais do [[lexico:h:homem:start|homem]] e os seus valores (ou desvalores) dependem da [[lexico:r:raca:start|raça]]; também segundo essa doutrina existe uma raça [[lexico:s:superior:start|superior]] ("ariana" ou "nórdica") que se destina a dirigir o [[lexico:g:genero:start|gênero]] [[lexico:h:humano:start|humano]]. O fundador dessa doutrina foi o francês Gobineau, em seu Essai sur l’inégalité des races humaines (1853-55), que visava a defender a [[lexico:a:aristocracia:start|aristocracia]] contra a democracia. No início do séc. XX, um inglês naturalizado alemão, Houston [[lexico:s:stewart:start|Stewart]] Chamberlain, difundiu o [[lexico:m:mito:start|mito]] do arianismo na Alemanha (Die Grundlagen des XIX Jahrhunderts, 1899), identificando a raça superior com a alemã. Como o anti-semitismo era antigo na Alemanha, a doutrina do [[lexico:d:determinismo:start|determinismo]] racial e da raça superior encontrou fácil difusão, traduzindo-se no apoio [[lexico:d:dado:start|dado]] ao preconceito contra os judeus e à [[lexico:c:crenca:start|crença]] de que existe uma conspiração judaica para dominar o [[lexico:m:mundo:start|mundo]]; assim, o capitalismo, o [[lexico:m:marxismo:start|marxismo]] e, em [[lexico:g:geral:start|geral]], as manifestações culturais e políticas que enfraquecem a [[lexico:o:ordem:start|ordem]] nacional são fenômenos judaicos. Depois da Primeira [[lexico:g:guerra:start|guerra]] Mundial, os alemães viram no racismo um mito consolador, uma [[lexico:f:fuga:start|fuga]] da [[lexico:d:depressao:start|depressão]] da derrota; Hitler transformou-o no carro-chefe de sua [[lexico:p:politica:start|política]], e a doutrina foi elaborada por Alfred Rosenberg, em Mito do século XX (1930). Rosenberg afirma um rigoroso determinismo racial: qualquer [[lexico:m:manifestacao:start|manifestação]] cultural de um [[lexico:p:povo:start|povo]] depende de sua raça. A [[lexico:c:ciencia:start|ciência]], a [[lexico:m:moral:start|moral]], a [[lexico:r:religiao:start|religião]] e os valores que a [[lexico:c:cultura:start|cultura]] descobre e defende dependem da raça e são expressões da [[lexico:f:forca:start|força]] vital da raça. Portanto, a [[lexico:v:verdade:start|verdade]] é verdade apenas para determinada raça. A raça superior é a ariana que, provindo do Norte, difundiu-se na [[lexico:a:antiguidade:start|antiguidade]] para o Egito, a índia, a Pérsia, a [[lexico:g:grecia:start|Grécia]] e Roma, dando [[lexico:o:origem:start|origem]] às civilizações antigas, que decaíram porque os arianos se misturaram com raças inferiores. Todas as ciências, artes e instituições fundamentais da [[lexico:v:vida:start|vida]] humana foram criadas por essa raça. Em [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] a ela, está a anti-raça parasitária judaica, que criou os venenos da raça, que são a democracia, o marxismo, o capitalismo, o [[lexico:i:intelectualismo:start|intelectualismo]] [[lexico:a:artistico:start|artístico]] e até mesmo os ideais de [[lexico:a:amor:start|amor]], [[lexico:h:humildade:start|humildade]] e [[lexico:i:igualdade:start|igualdade]] difundidos pelo cristianismo, que representa uma [[lexico:c:corrupcao:start|corrupção]] romano-judaica dos ensinamentos do ariano Jesus. Em seu conjunto, essa doutrina foi apresentada explicitamente pelo nazismo como um mito, criado, difundido e mantido pela força vital da raça. Isso [[lexico:n:nao:start|não]] significa que não se procurou racionalizá-la, atribuindo base científica ao [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de raça, que era seu [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]]. Na [[lexico:r:realidade:start|realidade]], porém, o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] [[lexico:u:uso:start|uso]] que o racismo faz da [[lexico:n:nocao:start|noção]] de raça revela, do [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista científico e filosófico, a [[lexico:i:inconsistencia:start|inconsistência]] da doutrina. Hoje, o conceito de raça é considerado unanimemente pelos antropólogos como um recurso [[lexico:u:util:start|útil]] à [[lexico:c:classificacao:start|classificação]] e capaz de fornecer o [[lexico:e:esquema:start|esquema]] zoológico no qual podem [[lexico:s:ser:start|ser]] situados os vários grupos do gênero humano. Essa [[lexico:p:palavra:start|palavra]], portanto, deve ser reservada exclusivamente aos grupos humanos dotados de características físicas diferentes, que podem ser transmitidas por [[lexico:h:hereditariedade:start|hereditariedade]]. Tais características são principalmente: a cor da pele, a altura, a conformação da cabeça e do rosto, a cor e a [[lexico:q:qualidade:start|qualidade]] dos cabelos, a cor e a [[lexico:f:forma:start|forma]] dos olhos, o formato do nariz e a compleição [[lexico:f:fisica:start|física]]. Convencionou-se distinguir três grandes raças, que são a branca, a amarela e a negra, ou seja, a caucasiana, a mongólica e a negroide. Portanto, os grupos nacionais, religiosos, geográficos, linguísticos e culturais não podem ser chamados de "raças" por nenhum [[lexico:m:motivo:start|motivo]]; não constituem raças os italianos, os alemães, os ingleses, assim como não constituíram os latinos ou os gregos, etc. Não existe nenhuma raça "ariana" ou "nórdica", assim como não há qualquer [[lexico:p:prova:start|prova]] de que a raça ou as diferenças raciais exerçam algum [[lexico:t:tipo:start|tipo]] de [[lexico:i:influencia:start|influência]] nas manifestações culturais ou nas possibilidades de [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] da cultura em geral. Tampouco existem provas de que os grupos em que pode ser dividido o gênero humano diferem em sua [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] inata de desenvolvimento intelectual ou [[lexico:e:emocional:start|emocional]]. Ao contrário, os estudos históricos e sociológicos tendem a fortalecer a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] de que as diferenças genéticas são fatores insignificantes na [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] de diferenças sociais e culturais entre grupos humanos diferentes. Foram inúmeras as transformações sociais ocorridas sem [[lexico:r:relacao:start|relação]] com mudanças raciais. Tampouco está provado que as misturas raciais produzam resultados biológicos prejudiciais. É muito [[lexico:p:provavel:start|provável]] que não haja "raça pura" e que nunca tenha havido, até onde se possa averiguar no passado. Os resultados sociais das misturas raciais, sejam eles bons ou maus, podem ser atribuídos a fatores sociais. Em 1951, junto à UNESCO, em Paris, uma comissão composta por cinco geneticistas e seis antropólogos, de países diferentes, elaborou uma declaração sobre as raças, que consiste na [[lexico:e:exposicao:start|exposição]] dos [[lexico:p:principios:start|princípios]] acima mencionados (sobre eles, cf. Ruth Benedict, Race, Science and Politics, 1940; e Ralph Linton, The Science of [[lexico:m:man:start|Man]] in the World Crisis, 7a ed., 1952). Na realidade, esteja onde estiver e seja qual for a sua justificativa, o [[lexico:r:racionalismo:start|racionalismo]] é da alçada da [[lexico:p:psiquiatria:start|psiquiatria]], que Veblen chamava de aplicada, ou seja, à [[lexico:a:arte:start|arte]] de explorar para fins pessoais um preconceito preexistente. Trata-se neste caso de um preconceito extremamente pernicioso porque contradiz e impede o encaminhamento moral da [[lexico:h:humanidade:start|humanidade]] para a [[lexico:i:integracao:start|integração]] universalista e porque transforma os valores humanos (a começar pela verdade) em fatos arbitrários que, por expressarem a força vital da raça, não têm [[lexico:s:substancia:start|substância]] própria e podem ser livremente manipulados com fins violentos ou abjetos. A crença: 1.° em que existam raças humanas definíveis; 2.° que sejam desiguais; 3.° que as raças superiores têm o [[lexico:d:direito:start|direito]] de dirigir as raças inferiores. — Na verdade, do ponto de vista biológico, a noção de raça humana é extremamente imprecisa: a cor da pele, a forma do rosto são características morfológicas aparentes, mas biologicamente confusas. Mesmo ante a [[lexico:s:suposicao:start|suposição]] de que existam raças diferentes, os critérios da força física ou da [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]] (mensurada pelos testes) não fazem [[lexico:a:aparecer:start|aparecer]] nenhuma desigualdade [[lexico:s:sistematica:start|sistemática]]: se os povos das nações industrializadas gozam de uma [[lexico:c:constituicao:start|constituição]] mais fraca que os das nações africanas, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], e se, em compensação, a cultura é menos divulgada entre esses últimos do que entre os povos ocidentais, isso não afeta em [[lexico:n:nada:start|nada]] as possibilidades físicas de uns, nem as possibilidades intelectuais de outros. Por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, as diferenças de características — que nos fazem opor tradicionalmente o vigor intelectual do homem "branco" ao [[lexico:e:espirito:start|espírito]] intuitivo e à generosidade instintiva do homem "negro", ou a franqueza desses dois tipos à flexibilidade felina e ao [[lexico:p:profundo:start|profundo]] poder de [[lexico:d:dissimulacao:start|dissimulação]] do homem "amarelo" — não correspondem de [[lexico:m:modo:start|modo]] nenhum a uma [[lexico:h:hierarquia:start|hierarquia]] de valores; as diferenças de características não devem ser uma [[lexico:f:fonte:start|fonte]] de oposição, e sim uma fonte de ensino: compreendendo o outro, o homem de cada raça compreender-se-á melhor e disso poderá tirar uma lição para sua [[lexico:c:conduta:start|conduta]] na vida. Quanto ao próprio [[lexico:p:principio:start|princípio]] do racismo, que é de dirigir, explorar ([[lexico:r:regime:start|regime]] de "segregação", em que os indivíduos de uma só raça possuem [[lexico:t:todo:start|todo]] o poder [[lexico:p:politico:start|político]] e todo o poder econômico, como na [[lexico:a:africa:start|África]] do Sul), e até mesmo suprimir certas raças (como fizeram os norte-americanos com as raças indígenas, e os alemães com os judeus quando da Segunda Guerra Mundial), é do ponto de vista moral, universalmente condenado. Em [[lexico:s:suma:start|suma]], o racismo não tem nenhum fundamento científico (biológico ou [[lexico:p:psicologico:start|psicológico]]) e é condenado como um [[lexico:d:desvio:start|desvio]] moral. De onde vêm as tendências racistas? Psicólogos norte-americanos (John Dollard, Lewin e White) empregaram-se em [[lexico:c:compreender:start|compreender]] a [[lexico:g:genese:start|gênese]] dos sentimentos racistas em alguns de seus compatriotas. Evidenciaram o [[lexico:f:fato:start|fato]] de que o racismo se desenvolve em toda [[lexico:s:sociedade:start|sociedade]] de tipo "autoritário", que faz pesar sobre os indivíduos todo um conjunto de constrangimentos rígidos (é o caso, notadamente, das manifestações de amor nos E.U.A. — que são severamente reprimidas —, da mesma maneira que a menor [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] de conduta na rua ou o fato de não "[[lexico:p:pensar:start|pensar]] como todo o mundo" etc.): nessas sociedades se desenvolve espontaneamente, nos indivíduos, um [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]] de [[lexico:a:agressividade:start|agressividade]] que se volta contra as minorias étnicas (negros nos E.U.A., judeus no regime hitlerista etc). A solução do racismo acha-se então, de maneira geral, numa vida [[lexico:s:social:start|social]] mais livre e menos constrangedora para todos os indivíduos. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}