===== QUANTIDADE ===== (gr. [[lexico:p:poson|poson]]; lat. quantitas; in. Quantity; fr. Quantité; al. Quantität; it. Quantità). Em [[lexico:g:geral|geral]], a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] da [[lexico:m:medida|medida]]. Foi [[lexico:e:esse|esse]] o [[lexico:c:conceito|conceito]] emitido por [[lexico:p:platao|Platão]] e [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]]. Platão afirmou que a quantidade está entre o [[lexico:i:ilimitado|ilimitado]] e a [[lexico:u:unidade|unidade]], e que só ela é o [[lexico:o:objeto|objeto]] do [[lexico:s:saber|saber]]; p. ex., conhece realmente os sons [[lexico:q:quem|quem]] [[lexico:n:nao|não]] admite que eles sejam infinitos nem procura reduzi-los a um [[lexico:u:unico|único]] som, mas conhece a quantidade deles, ou seja, seu [[lexico:n:numero|número]] (Fil., 17a, 18 b). Aristóteles, por sua vez, definiu a quantidade como [[lexico:o:o-que-e|o que é]] divisível em partes determinadas ou determináveis. Uma quantidade numerável é uma [[lexico:p:pluralidade|pluralidade]] divisível em partes descontínuas. Uma quantidade mensurável é uma [[lexico:g:grandeza|grandeza]] divisível em partes contínuas, em uma, duas ou três dimensões. Uma pluralidade completa é um número; um comprimento completo é uma linha; uma [[lexico:e:extensao|extensão]] completa é um [[lexico:p:plano|plano]]; uma profundidade completa é um [[lexico:c:corpo|corpo]] (Met., V, 13, 1027 a 7). Essas determinações de Aristóteles foram repetidas na [[lexico:e:escolastica|escolástica]] e passaram a fazer [[lexico:p:parte|parte]] das noções geralmente aceitas no início da Idade [[lexico:m:moderna|moderna]]. Pareceu indubitável que a [[lexico:m:matematica|matemática]] pudesse [[lexico:s:ser|ser]] definida como "a [[lexico:c:ciencia|ciência]] da quantidade" até que a [[lexico:e:evolucao|evolução]] dessa ciência mostrasse que essa [[lexico:d:definicao|definição]] era restrita e imprópria. Foi justamente pensando na matemática que no séc. XVIII [[lexico:w:wolff|Wolff]] definiu a quantidade como "aquilo em [[lexico:v:virtude|virtude]] do que as [[lexico:c:coisas|coisas]] semelhantes, ressalvada a sua [[lexico:s:semelhanca|semelhança]], podem diferir intrinsecamente" (Cosm., § 348), definição que poderia ser facilmente invertida dizendo-se que quantidade é aquilo em virtude do que as coisas dessemelhantes, ressalvada a sua [[lexico:d:dessemelhanca|dessemelhança]], podem ser semelhantes. Mas com esta [[lexico:f:forma|forma]], que corresponderia mais aos [[lexico:c:conceitos|conceitos]] matemáticos modernos, não se estaria definindo a quantidade, e sim a grandeza. De [[lexico:f:fato|fato]], em matemática o [[lexico:t:termo|termo]] quantidade tornou-se sinônimo de grandeza, que é específico de certo [[lexico:c:campo|campo]] de [[lexico:i:indagacao|indagação]] e que depende da [[lexico:e:escolha|escolha]] oportuna de unidades de medida. Portanto, a quantidade como [[lexico:c:categoria|categoria]] ou conceito generalíssimo não pertence mais às ciências, e no máximo pode-se dizer que constitui o [[lexico:c:carater|caráter]] generalíssimo comum aos objetos díspares das ciências positivas, que é a possibilidade de serem medidos. A [[lexico:t:tendencia|tendência]] geral do [[lexico:p:pensamento|pensamento]] científico a reduzir [[lexico:q:qualidade|qualidade]] a quantidade foi interpretada de maneira [[lexico:s:singular|singular]] por [[lexico:h:hegel|Hegel]], que falou em "[[lexico:l:linha-nodal|linha nodal]] das [[lexico:r:relacoes|relações]] de medida". A [[lexico:m:mudanca|mudança]] gradual da quantidade levaria, em certo [[lexico:p:ponto|ponto]] (ponto ou "linha nodal"), à mudança da qualidade, e a mudança gradual desta nova qualidade levaria a [[lexico:o:outro|outro]] ponto nodal, e assim por diante. Hegel observava que, do lado qualitativo, a passagem para uma nova qualidade "é um [[lexico:s:salto|salto]]: as duas qualidades são postas de [[lexico:m:modo|modo]] completamente [[lexico:e:extrinseco|extrínseco]] uma à outra", e que por isso a gradualidade da mudança quantitativa não permite [[lexico:c:compreender|compreender]] o [[lexico:d:devir|devir]] (Wissenschaft der Logik, I, seç. 3a, cap. 2; trad. it., I, pp. 446-47). Com isso ele negava que a passagem da quantidade à qualidade ou vice-versa servisse para [[lexico:a:alguma-coisa|alguma coisa]]. Isso, porém, não impediu que [[lexico:e:engels|Engels]] considerasse "a [[lexico:c:conversao|conversão]] quantidade em qualidade" como [[lexico:l:lei|lei]] fundamental da [[lexico:d:dialetica|dialética]] e visse em Hegel o descobridor dessa lei (Dialektik der Natur, trad. it., pp. 57 ss.). (V. dialética; nodal; linha; salto). (do latim quantum = quão grande) é aquela [[lexico:p:propriedade|propriedade]] que separa o ser corpóreo de todos os restantes, em virtude da qual um corpo pode ser dividido ([[lexico:d:divisibilidade|divisibilidade]]) em partes individuais independentes, da mesma [[lexico:n:natureza|natureza]] que o [[lexico:t:todo|todo]]. A [[lexico:c:consequencia|consequência]] mais importante da quantidade é a extensão (extensio), pela qual as partes de um [[lexico:e:ente|ente]] corpórea estão no [[lexico:e:espaco|espaço]] umas junto das outras e correspondem às partes do mesmo espaço. Embora a quantidade seja uma propriedade que brota da [[lexico:e:essencia|essência]] da [[lexico:s:substancia|substância]] corpórea, todavia não se identifica com esta, como pensava [[lexico:d:descartes|Descartes]]; pelo que, não inclui [[lexico:c:contradicao|contradição]] o fato de a quantidade [[lexico:e:estar|estar]] separada da substância (como, p. ex., é admitido pela [[lexico:t:teologia|teologia]]), embora não possuamos [[lexico:e:explicacao|explicação]] que permita compreender isto "positivamente. A extensão é contínua (ininterrupta) ou descontinua (interrompida). E descontinua a extensão, cujas partes estão separadas entre si por limites. Se estes coincidem, de [[lexico:s:sorte|sorte]] que as extensões parciais se toquem num [[lexico:l:limite|limite]] comum, temos um contíguo (contiguum); assim muitas casas edificadas ao lado umas das outras podem considerar-se um contíguo. Caso os limites não coincidam, de modo que entre eles se encontrem um ou mais corpos de natureza distinta, temos então uma quantitas discreta, p. ex., a extensão do firmamento estrelado. A extensão contínua, o [[lexico:c:continuo|contínuo]] (continuum), não manifesta limites internos, mas estende-se no espaço sem interrupção. O limite de uma extensão consiste em que esta cessa de [[lexico:e:existir|existir]] em certa [[lexico:d:dimensao|dimensão]] (= [[lexico:p:puro|puro]] término) e, ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]], a partir deste término, começa uma nova extensão (= limite [[lexico:r:real|real]]). O limite carece de extensão na dimensão em que é limite. O limite dos corpos é a superfície; o da superfície é a linha; o da linha é o ponto, inextenso em qualquer dimensão. Donde, o não poder uma linha construir-se com pontos, como nem uma superfície com linhas, nem um corpo com superfícies. Antes, no que tange à extensão, todo contínuo é, ao menos mentalmente, indefinidamente divisível, em partes, que, por sua vez, possuem extensão contínua. Sob este [[lexico:a:aspecto|aspecto]], todo contínuo é potencialmente [[lexico:i:infinito|infinito]]. — A extensão, realizada nas coisas como [[lexico:d:determinacao|determinação]] acidental das mesmas, denomina-se extensão [[lexico:f:fisica|física]]. Contudo, na [[lexico:r:realidade|realidade]] as coisas não são continuamente extensas, tal como aparecem aos sentidos; a continuidade realiza-se ao [[lexico:s:sumo|sumo]], nos últimos [[lexico:e:elementos|elementos]] constitutivos dos corpos. Pelo contrário, a extensão matemática é o conceito [[lexico:a:abstrato|abstrato]] da extensão enquanto tal, prescindindo de uma eventual realização no [[lexico:m:mundo|mundo]] [[lexico:o:objetivo|objetivo]] das coisas. Como na extensão física radicam também diferenças qualitativas, distingue-se, sob este aspecto, uma extensão homogênea, cujas partes são da mesma natureza, e uma extensão heterogênea, que tem partes de [[lexico:e:especie|espécie]] diferente. Como contínuo heterogêneo sobressai o [[lexico:o:organismo|organismo]]. O conceito de quantidade, no [[lexico:s:sentido|sentido]] de grandeza transferiu-se do domínio espacial ao domínio não-espacial. Assim ocorreu principalmente com o [[lexico:m:movimento|movimento]] local intimamente ligado ao espaço (velocidade) e ao tempo; depois, transferiu-se do [[lexico:e:efeito|efeito]] [[lexico:d:dinamico|dinâmico]] mensurável no espaço à própria [[lexico:f:forca|força]] (grandeza intensiva, [[lexico:i:intensidade|intensidade]]); finalmente, verificou-se a [[lexico:t:transferencia|transferência]] a objetos não corpóreos (p. ex., grande virtude), de sorte que a quantidade, em sentido muito lato, pode denotar tudo aquilo a que convém, em [[lexico:g:grau|grau]] maior ou menor, o [[lexico:p:predicado|predicado]] "grande" ou "pequeno". — Em [[lexico:l:logica|lógica]] a quantidade de um conceito significa a extensão do mesmo. A quantidade de um [[lexico:j:juizo|juízo]] é determinada pela extensão do [[lexico:s:sujeito|sujeito]], segundo a qual se distinguem juízos [[lexico:u:universais|universais]], particulares e singulares. A quantidade é, sem [[lexico:d:duvida|dúvida]], uma determinação fundamental do ser corpóreo; pelo que, ela aparece na doutrina das [[lexico:c:categorias|categorias]], tanto aristotélica como kantiana. Segundo [[lexico:k:kant|Kant]], a quantidade constitui uma [[lexico:c:classe|classe]] das categorias, que compreende a unidade, a pluralidade e a [[lexico:t:totalidade|totalidade]]. Todavia vai demasiado longe a concepção quantitativa do [[lexico:u:universo|universo]], que tenta reduzir todas as qualidades das coisas a puras determinações quantitativas. — vide [[lexico:m:mecanicismo|mecanicismo]]. — Junk Aristóteles chama quantidade àquilo que “é divisível em dois ou mais elementos integrantes, sendo cada um deles, por natureza, uma [[lexico:c:coisa|coisa]] única e determinada”. De [[lexico:a:acordo|acordo]] com isto, uma [[lexico:m:multiplicidade|multiplicidade]] é uma quantidade. Se for numerável, e uma grandeza, se for mensurável. A quantidade é aquilo que responde à [[lexico:p:pergunta|pergunta]]: “quanto?” e é, para Aristóteles, uma das categorias. A [[lexico:a:analise|análise]] das diversas formas da quantidade foi feita com grande minúcia dentro da escolástica e sobretudo dentro do [[lexico:t:tomismo|tomismo]]. Segundo esta doutrina, a quantidade é a medida da substância, a extensão das partes na mesma substância. Na [[lexico:e:epoca|época]] moderna, o predomínio da [[lexico:n:nocao|noção]] de quantidade impôs-se em várias correntes filosóficas, e, ao mesmo tempo, foi enfraquecendo a noção [[lexico:o:ontologica|ontológica]] de quantidade, isto é, a consideração desta como medida da substância. A quantidade passa a ser [[lexico:e:expressao|expressão]] matemática das relações. Deste modo começa a impor-se a [[lexico:q:quantificacao|quantificação]] da realidade como algo [[lexico:n:necessario|necessário]]. Contudo, por [[lexico:c:causa|causa]] da dissolução introduzida pelo movimento empirista, tornou- se necessária uma fundamentação filosófica da própria quantidade, e voltou-se a considerá-la como categoria, mas não já como categoria do real, mas da [[lexico:m:mente|mente]]. É isto o que acontece em Kant. Com Hegel, o conceito de quantidade adquire outra vez um cariz metafísico definido não só pelo [[lexico:p:principio|princípio]] de que a mudança de quantidade provoca uma mudança de qualidade, mas também porque a própria quantidade pode ser uma caraterística do [[lexico:a:absoluto|absoluto]] como quantidade pura. A quantidade diz Hegel, é ser puro não determinado, ao contrário da grandeza, que é uma quantidade determinada. As discussões filosóficas em torno deste conceito referiram- se sobretudo aos problemas da sua [[lexico:r:relacao|relação]] com a determinação da sua [[lexico:o:origem|origem]] (subjectiva, objetiva ou [[lexico:t:transcendental|transcendental]]), e à sua relação com a qualidade. Estas discussões tiveram algo a [[lexico:v:ver|ver]] com os problemas levantados pelas matemáticas. Na [[lexico:l:logica-formal|lógica formal]], chama-se quantidade do juízo ao fato de um conceito subjectivo do juízo poder referir-se a um ou a mais objetos e submetê-los a juízo. A quantidade é só a [[lexico:m:mencao|menção]] que o conceito sujeito faz dos objetos nele compreendidos. Na lógica clássica, os juízos dividem-se, segundo a quantidade, em universais, particulares e singulares.