===== PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS ===== Historicamente, a consideração da [[lexico:o:ordem:start|ordem]] da [[lexico:n:natureza:start|natureza]] foi o que primeiro sugeriu, desde o alvor da [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] ocidental, o [[lexico:a:argumento:start|argumento]] para chegar a um [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] [[lexico:p:primitivo:start|primitivo]] espiritual do [[lexico:m:mundo:start|mundo]] ([[lexico:n:nous:start|noûs]]). Esboços desta "[[lexico:p:prova:start|prova]] teleológica" já se encontram em [[lexico:a:anaxagoras:start|Anaxágoras]], depois em [[lexico:p:platao:start|Platão]], nos estoicos e em Cicero; os [[lexico:a:apologistas:start|apologistas]] cristãos dos séculos II e III aduzem-na explicitamente como [[lexico:d:demonstracao:start|demonstração]] de um [[lexico:d:deus:start|Deus]] [[lexico:p:pessoal:start|pessoal]] e supramundano. — A doutrina platônica das [[lexico:i:ideias:start|ideias]] contém as ideias básicas da prova pelos graus de [[lexico:p:perfeicao:start|perfeição]] (prova dos graus de perfeição): a [[lexico:d:diversidade:start|diversidade]] de graus de [[lexico:b:beleza:start|beleza]] e de [[lexico:b:bondade:start|bondade]], que há nas [[lexico:c:coisas:start|coisas]], mostra que elas são belas e boas "por [[lexico:p:participacao:start|participação]]" e pressupõe, como fundamento [[lexico:u:ultimo:start|último]] e [[lexico:a:arquetipo:start|arquétipo]], a pura e imutável Beleza e Bondade. Estas ideias exerceram especial [[lexico:i:influencia:start|influência]] em S. [[lexico:a:agostinho:start|Agostinho]] e S. Anselmo e, através destes, em S. [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]] e na filosofia [[lexico:e:escolastica:start|escolástica]]. [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], em sua prova pelo [[lexico:m:movimento:start|movimento]] (prova cinesiológica), [[lexico:p:parte:start|parte]] do movimento local dos corpos, principalmente das revoluções das esferas celestes, e daí conclui a [[lexico:e:existencia-de-deus:start|existência de Deus]] como [[lexico:p:primeiro-motor:start|primeiro motor]], o qual movendo apenas enquanto [[lexico:f:fim:start|fim]] desejado, permanece imóvel. Contrariamente a isto, S. Tomás mostra que Deus, sem prejuízo de sua [[lexico:i:imutabilidade:start|imutabilidade]], deve [[lexico:s:ser:start|ser]] admitido também como [[lexico:c:causa:start|causa]] eficiente; mas, sobretudo, eleva a prova a um [[lexico:p:plano:start|plano]] metafísico, ao conceber o "movimento" como trânsito da [[lexico:p:potencia:start|potência]] ao [[lexico:a:ato:start|ato]]. Apesar disso, a prova encontrou muitos críticos até dentro da escolástica. — Em Cícero e nos apologistas cristãos da [[lexico:a:antiguidade:start|antiguidade]], encontram-se as ideias fundamentais da prova, tomadas da [[lexico:p:persuasao:start|persuasão]] concorde dos povos sobre a [[lexico:e:existencia:start|existência]] de Deus (prova histórica ou etnológica). — A prova de S. Agostinho, fundada na imutabilidade da [[lexico:v:verdade:start|verdade]], que pressupõe uma verdade primeira, subsistente, tem sido [[lexico:o:objeto:start|objeto]] de múltiplas interpretações. Provavelmente, [[lexico:n:nao:start|não]] deve ela ser tomada como "prova ideológica" que da [[lexico:v:validade:start|validade]] pura infere a necessária base [[lexico:o:ontologica:start|ontológica]] da mesma, mas no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] de o [[lexico:r:raciocinio:start|raciocínio]] chegar a Deus como [[lexico:l:luz:start|luz]] que ilumina nosso [[lexico:e:espirito:start|espírito]] e como Verdade subsistente, fundamento primitivo e arquétipo do (ontologicamente) [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]]. — S. Anselmo de Cantuária foi [[lexico:q:quem:start|quem]] primeiro se propôs demonstrar a existência de Deus só a partir do seu [[lexico:c:conceito:start|conceito]]. Esta prova, que no século XVIII recebeu o [[lexico:n:nome:start|nome]] de "[[lexico:p:prova-ontologica:start|prova ontológica]]" ([[lexico:a:argumento-ontologico:start|argumento ontológico]]), foi retomada por [[lexico:d:descartes:start|Descartes]] e, em [[lexico:f:forma:start|forma]] mais depurada, por Scotus e [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]]; pelo contrário, foi rejeitada não só por [[lexico:k:kant:start|Kant]], como também por S. Tomás e pela maioria dos escolásticos. — Tornaram-se clássicas as provas que S. Tomás expôs em suas "cinco vias". Todas elas, baseadas no [[lexico:p:principio-de-causalidade:start|princípio de causalidade]], levam à conclusão de Deus, [[lexico:c:causa-primeira:start|causa primeira]] do [[lexico:u:universo:start|universo]]. Ulterior amplificação encontraram as [[lexico:p:provas-da-existencia-de-deus:start|provas da existência de Deus]] entre os apologistas do século XVIII, na [[lexico:l:luta:start|luta]] contra o [[lexico:a:ateismo:start|ateísmo]] da [[lexico:e:epoca:start|época]]. Neles aparece, pela primeira vez, a [[lexico:c:classificacao:start|classificação]] das provas em metafísicas, físicas e morais. Enquanto as provas metafísicas passavam a plano Secundário, as preferências iam para as "físicas" (nomeadamente para a teleológica, então denominada "prova físico-teleológica") e para as morais. Entre estas últimas contam-se, [[lexico:a:alem:start|além]] da etnológica, a prova [[lexico:m:moral:start|moral]] em sentido [[lexico:e:estrito:start|estrito]], isto é, baseada na [[lexico:o:obrigacao:start|obrigação]] moral que pressupõe um legislador [[lexico:d:divino:start|divino]] ("prova ético-teológica") e a prova tomada da inata [[lexico:a:aspiracao:start|aspiração]] do [[lexico:h:homem:start|homem]] à [[lexico:f:felicidade:start|felicidade]], posteriormente denominada prova eudemonológica, a qual chega à conclusão de Deus como supremo [[lexico:b:bem:start|Bem]] e fim último do homem. Recentemente tentaram-se outras provas, p. ex., a fundada na [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] de um primeiro [[lexico:p:principio:start|princípio]] [[lexico:t:temporal:start|temporal]] do mundo, o qual se procurou demonstrar por considerações apriorísticas ou com a ajuda da [[lexico:l:lei:start|lei]] [[lexico:f:fisica:start|física]] da [[lexico:e:entropia:start|entropia]], isto é, da [[lexico:t:transformacao:start|transformação]] crescente de toda [[lexico:e:energia:start|energia]] em energia calorífica (prova da entropia). De [[lexico:m:modo:start|modo]] [[lexico:a:analogo:start|análogo]], se intentou mais recentemente calcular o início da [[lexico:e:evolucao:start|evolução]] do universo, tomando como fundamento a progressiva expansão deste e a [[lexico:d:desintegracao:start|desintegração]] da [[lexico:m:materia:start|matéria]] radioativa. Perante a acumulação de provas da existência de Deus no transcurso dos séculos, hoje, no tratamento [[lexico:s:sistematico:start|sistemático]] delas, com [[lexico:r:razao:start|razão]] se atribui a importância [[lexico:m:maxima:start|máxima]] à sua sustentação fundamental e à sua estabilidade. A este [[lexico:r:respeito:start|respeito]], merecem a preferência as provas "clássicas" de S. Tomás. Partem elas de notas ou [[lexico:c:caracteres:start|caracteres]] experimentalmente comprováveis, peculiares de [[lexico:t:todo:start|todo]] [[lexico:e:ente:start|ente]] intra-mundano; por essa forma demonstram a [[lexico:c:contingencia:start|contingência]] [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] deste e, com o auxílio do princípio de [[lexico:c:causalidade:start|causalidade]], concluem a existência de Deus como Causa primeira do mundo. Assim, a prova teleológica, partindo da [[lexico:c:caracteristica:start|característica]] da ordem [[lexico:e:experimental:start|experimental]] da natureza, infere que nas coisas, principalmente nos seres vivos, deve admitir-se uma autêntica [[lexico:f:finalidade:start|finalidade]] produzida pelo espírito; mas, como o espírito ordenador não se encontra nem nos seres particulares naturais, nem no universo como conjunto (à maneira de [[lexico:a:alma:start|alma]] cósmica), deve necessariamente exigir-se um Ordenador supramundano. A prova pelo movimento, entendida meta-fisicamente, mostra como todo ato, que é enriquecimento [[lexico:o:ontologico:start|ontológico]] de um ente, de si apenas potencial, depende de [[lexico:o:outro:start|outro]] ser [[lexico:a:atual:start|atual]] no [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] respectivo, e, por essa forma, chega finalmente a um [[lexico:a:ato-puro:start|ato puro]], fundamento [[lexico:p:primario:start|primário]] de toda evolução neste mundo temporal. A prova cosmológica (prova da contingência), baseando-se no nascimento e no deperecimento das coisas, conclui a contingência das mesmas, e partindo da mutabilidade própria também dos [[lexico:e:elementos:start|elementos]] constitutivos fundamentais cuja [[lexico:o:origem:start|origem]] não pode ser mostrada experimentalmente, infere sua natureza também [[lexico:c:contingente:start|contingente]], provando dessa maneira que o mundo todo é causado por um Criador supramundano. A mais profunda e, a um [[lexico:t:tempo:start|tempo]], a mais difícil prova da existência de Deus é a prova dos graus. Tomando como base a [[lexico:f:finitude:start|finitude]] de todas as coisas mundanas, mostra que as perfeições puras ontológicas só lhes advêm "por participação", e, por conseguinte, não de maneira necessária; por essa forma, conduz a uma Causa primeira que, como Ser subsistente, é a infinita plenitude do ser. Esta prova é completada pela prova henológica, a qual, partindo da [[lexico:m:multiplicidade:start|multiplicidade]] numérica de perfeições especificamente iguais neste mundo, infere, de modo [[lexico:i:identico:start|idêntico]], o "ser-por-participação" das mesmas e com isso demonstra a [[lexico:u:unicidade:start|unicidade]] do Ser subsistente. As restantes provas afastam-se destas clássicas, em [[lexico:g:grau:start|grau]] maior ou menor. Os argumentos baseados no [[lexico:c:comeco:start|começo]] temporal do universo ou do acontecer cósmico, p. ex., a prova da entropia, concluem com a ajuda do princípio de causalidade, mas o centro de gravidade desloca-se para a comprovação da característica (do começo temporal) indicadora de contingência. Afora isso, graves objeções se têm erguido contra esta prova. Outras provas, deixando de lado a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] de causalidade eficiente, procurem mostrar diretamente Deus como arquétipo ou fim do universo. Entre estas últimas conta-se, sobretudo, a prova eudemonológica, que se fundamenta no "princípio de infrustrabilidade do fim" ([[lexico:p:principio-de-finalidade:start|princípio de finalidade]]) e, por conseguinte, na [[lexico:p:propriedade:start|propriedade]] de "ter-sentido" que convém a todo ser; neste caso surge a [[lexico:q:questao:start|questão]]: se com isso não se pressupõe já a [[lexico:s:sabedoria:start|sabedoria]] do Criador. As provas moral e histórica apresentam, em comum, a particularidade de não referir a Deus como Causa (eficiente, final ou [[lexico:e:exemplar:start|exemplar]]) o ser [[lexico:r:real:start|real]] de um ente intra-mundano, mas de partir de uma [[lexico:e:especie:start|espécie]] de [[lexico:u:uniao:start|união]] [[lexico:i:intencional:start|intencional]] de nossas [[lexico:f:faculdades:start|faculdades]] espirituais, para explicá-la, embora não de igual modo, partindo de um [[lexico:i:influxo:start|influxo]] de Deus: a união moral de nossa [[lexico:v:vontade:start|vontade]] (que, é claro, tem de pressupor-se) só pode realizar-se mediante uma lei divina; a união naturalmente necessária do [[lexico:e:entendimento:start|entendimento]], tal [[lexico:c:como-se:start|como se]] manifesta na persuasão [[lexico:u:universal:start|universal]], só encontra [[lexico:e:explicacao:start|explicação]] na [[lexico:e:evidencia:start|evidência]] da existência de Deus. Na prova ideológica deveria mostrar-se que o trânsito da mera validade da verdade ao ser [[lexico:e:eterno:start|eterno]] de uma verdade subsistente não se justifica. Com maior razão, devido ao trânsito injustificado da ordem puramente mental à ordem ontológica, deve ser rejeitada a prova ontológica, a qual por seu modo de proceder apriorístico se aparta, o máximo [[lexico:p:possivel:start|possível]], dos argumento clássicos. — De Vries. **A existência de Deus.** Se a filosofia de Descartes não pudesse sair daqui, encalharia naquilo que se chama "[[lexico:s:solipsismo:start|solipsismo]]", ou seja: existo [[lexico:e:eu:start|eu]] e meus [[lexico:p:pensamentos:start|Pensamentos]], e mais [[lexico:n:nada:start|nada]]. Porém eis aqui que Descartes descobre dentre os pensamentos claros e distintos um [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]], um só, que talvez seja o [[lexico:u:unico:start|único]] que tem em [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]] a [[lexico:g:garantia:start|garantia]] de que o objeto pensado existe fora do pensamento. De modo que há um pensamento que se distingue de todos os demais pensamentos claros e distintos porque contém no [[lexico:p:proprio:start|próprio]] pensamento esta garantia de existência do seu objeto. E este pensamento único é o pensamento de Deus, a [[lexico:i:ideia-de-deus:start|ideia de Deus]]. A ideia de Deus é tal que se a examinamos como tal ideia, encontramos nela, não somente que pensamos num ente (Deus) do qual não sabemos se existe ou não existe, mas que pensamos num ente (Deus) e que este pensamento contém uma porção de caracteres segundo os quais Deus, além de ser objeto do meu pensamento, existe realmente fora de mim. E então desenvolve esses caracteres que a ideia de Deus tem, na forma de três provas, de três demonstrações da existência de Deus. A primeira demonstração da existência de Deus, consiste em considerar o pensado por nós quando pensamos em Deus; e em examinar a própria ideia de Deus. Examinamos essa ideia e encontramos a ideia de um ser [[lexico:i:infinito:start|infinito]], [[lexico:p:perfeito:start|perfeito]], infinitamente [[lexico:b:bom:start|Bom]], onisciente; todo-poderoso. Ora: essa ideia que temos, que pensamos, [[lexico:e:esse:start|esse]] objeto que ainda não sei se existe ou não, mas que está contido dentro do meu pensamento. Como poderíamos nós tê-lo formado? Donde poderíamos nós [[lexico:t:ter:start|ter]] tirado essa ideia? Não de nós mesmos, porque o contido nessa ideia é tão enormemente [[lexico:s:superior:start|superior]] a tudo quanto nós somos, que não é possível que de nós mesmos, de nosso próprio fundo, tenhamos extraído o referido nessa ideia. O mencionado nessa ideia é tão enormente [[lexico:t:transcendente:start|transcendente]], tão por cima das possibilidades de [[lexico:i:invencao:start|invenção]] e combinação que possa haver em nosso [[lexico:p:pensar:start|pensar]] em [[lexico:g:geral:start|geral]], que sem [[lexico:d:duvida:start|dúvida]] alguma não é possível outra [[lexico:c:coisa:start|coisa]] senão que o conteúdo nessa ideia, essa perfeição infinita, essa "infinidade", responda a uma [[lexico:r:realidade:start|realidade]] fora dela. A segunda prova que dá Descartes da existência de Deus é uma aplicação da prova que dá Aristóteles. A que dá Descartes é a seguinte: eu existo; tal é a primeira verdade que descobri ao afastar minha vista dos objetos e concentrá-la sobre os pensamentos. Descobri-me a mim mesmo, como [[lexico:e:eu-pensante:start|eu pensante]]. Eu existo, mas eu, que existo, tenho uma existência cujo fundamento não percebo, não vejo. Eu existo com uma existência contingente. Não vale dizer que devo a existência a meus pais; não vale dizer que no passado e no [[lexico:f:futuro:start|futuro]] minha existência permanece; porque não há nenhum [[lexico:m:motivo:start|motivo]] pelo qual se dê na minha existência a prolongação dela dentro de um [[lexico:m:momento:start|momento]] ou de ter existido um momento antes. Por conseguinte, minha existência é contingente; não é necessária. E se minha existência é contingente, necessita um fundamento. Mesmo que eu vá longe tomar este fundamento, subindo a outro e a outro e a outro, terei que acabar sempre, de longe e de perto, admitindo um ser, uma existência (Deus), que seja o fundamento da minha. A terceira prova da existência de Deus que dá Descartes é o famoso argumento ontológico. Descartes lhe concede uma importância especial; tanto que lhe consagra quase uma [[lexico:m:meditacao:start|meditação]] inteira. Expõe-no num capítulo distinto do capítulo em que expôs os dois argumentos anteriores. O argumento ontológico consiste em assinalar a característica da ideia de Deus como uma ideia singularíssima, única, na qual o pensamento de Deus contém também sua existência. O pensamento desse objeto — Deus — é o pensamento de um objeto em cujas notas características, em cujo objeto pensado está também a existência. Vou formular o argumento ontológico de uma maneira não cartesiana; falsa, por conseguinte, e que não responde ao espírito de Descartes, mas que nos ajudará a entendê-lo. Eu tenho a ideia de um ser perfeito; este ser existe. Demonstração: um ser perfeito tem todas as perfeições; a existência é uma perfeição; logo o ser perfeito tem existência. Descartes não o formula nesta forma [[lexico:s:silogistica:start|silogística]], mas nessa outra, ou seja: no pensamento da [[lexico:e:essencia:start|essência]] do ser perfeito está contida necessariamente a existência; e está contida a existência como uma das notas que ao mesmo tempo resulta ser [[lexico:n:nota:start|nota]] do conteúdo do pensamento e nota da realidade objetiva do pensamento. Descartes considera a ideia de Deus como a única das ideias que leva em si mesma a marca, a garantia de sua realidade [[lexico:e:exterior:start|exterior]]. De todos os argumentos de que se vale Descartes, o único no qual realmente acredita profundamente é este último. O segundo, o da contingência da existência, ultrapassa por completo o [[lexico:c:circulo:start|círculo]], a maneira de pensar cartesiana. Parte de existências: da existência do eu, o qual já é um [[lexico:m:mal:start|mal]] para Descartes; é um pis aller verdadeiro. Os únicos argumentos nos quais confia são o primeiro e o [[lexico:t:terceiro:start|terceiro]]; no terceiro sobretudo. VIDE [[lexico:d:dialetica:start|dialética]] [[lexico:t:transcendental:start|transcendental]] Passa Kant à terceira parte de seu [[lexico:e:estudo:start|estudo]], na [[lexico:c:critica-da-razao-pura:start|Crítica da Razão Pura]], que se refere à existência de Deus. Kant encontra também, nas provas que tradicional [[lexico:m:mente:start|mente]] se vêm dando da existência de Deus, um [[lexico:e:erro:start|erro]] de raciocínio, o qual consiste — como os anteriores — em eludir a razão, as condições de todo [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] possível, de toda [[lexico:o:objetividade:start|objetividade]] possível. Kant agrupa as provas tradicionais da existência de Deus em três argumentos principais: o argumento ontológico, o argumento cosmológico e o argumento físico-teleológico. O argumento ontológico é aquele que Descartes nos expõe numa de suas [[lexico:m:meditacoes-metafisicas:start|Meditações metafísicas]]. Descartes não foi o primeiro em expô-lo, mas provavelmente o estudou já em [[lexico:s:santo:start|santo]] Anselmo. É o argumento que todos recordamos: eu tenho a ideia de um ser, de um ente perfeito; este ente perfeito tem que [[lexico:e:existir:start|existir]], porque se não existisse faltar-lhe-ia a perfeição da existência e não seria perfeito. Kant discute este argumento e mostra que a existência, aquilo que chamamos existência, tem um sentido muito claro e muito completo na [[lexico:s:serie:start|série]] das condições do conhecimento possível. Existir, a existência, é uma [[lexico:c:categoria:start|categoria]]; e uma categoria [[lexico:f:formal:start|formal]], como o [[lexico:e:espaco:start|espaço]], o tempo, a causalidade, a [[lexico:s:substancia:start|substância]], que nós aplicamos, mas que não podemos legitimamente aplicar mais que a percepções sensíveis. Se nós não aplicássemos a categoria de existência à [[lexico:p:percepcao:start|percepção]] [[lexico:s:sensivel:start|sensível]], teríamos de dizer, como [[lexico:h:hume:start|Hume]], que nossas percepções sensíveis são nada mais que nossas, e que não lhes correspondem nada fora de nós. Mas justamente o aplicarmos às percepções sensíveis a categoria de existência, de substância, de causa, é o ato pelo qual estabelecemos os objetos a conhecer, os fenômenos. Este é o sentido da existência. De modo que para afirmar que algo existe não é suficiente ter a ideia deste algo, mas ademais há de se ter a percepção sensível correspondente; tê-la ou poder tê-la. É assim que de Deus não temos, não podemos ter a percepção sensível correspondente; logo não podemos em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] de sua ideia, afirmar sua existência. Ou, [[lexico:d:dito:start|dito]] de outro modo, podemos dizer: eu tenho a ideia de um ente perfeito e tenho a ideia de que este ente perfeito existe, porque na ideia de um ente perfeito está contida a ideia da existência. Porém, não saímos da ideia. A existência autêntica, ou, como diz Kant, "aquilo que diferencia cem táleres realmente existentes de cem táleres ideais" não é mais que isto: que os cem táleres reais são sensíveis, perceptíveis. E isso é justamente que [[lexico:f:falta:start|falta]] à ideia de Deus. Depois examina Kant o argumento cosmológico. Consiste em ir enumerando séries de [[lexico:c:causas:start|causas]] até ter que chegar a deter-se numa causa incausada, que é Deus. Para Kant o erro do raciocínio consiste em que so deixa de aplicar de repente a categoria de causalidade sem motivo algum. Kant examina, por último, o argumento físico-teleológico, que é o argumento popular por [[lexico:e:excelencia:start|excelência]], é o da finalidade. É o de descrever e descobrir na Natureza uma porção de formas reais de coisas (como, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], a maravilha da [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] do olho [[lexico:h:humano:start|humano]] ou o maravilha dos organismos animais), formas cujas engrenagens e conjunturas várias não podem realmente explicar-se senão supondo uma [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]] criadora que lhes tenha impresso estas formas tão perfeitamente engrenadas para a realização dos fins. Porém Kant alega também aqui que o conceito de fim é um desses [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] metódicos que nós fazemos para a [[lexico:d:descricao:start|descrição]] da realidade, mas do qual não podemos tirar nenhuma outra [[lexico:c:consequencia:start|consequência]], senão que tal ou qual forma é adequada a um fim. Não podemos, sem ultrapassarmos os limites da [[lexico:e:experiencia:start|experiência]], tirar dessa [[lexico:a:adequacao:start|adequação]] a um fim conclusões referentes ao criador dessas formas. Em definitivo, Kant pretende demonstrar em cada uma das argumentações da metafísica o [[lexico:p:pecado:start|pecado]] que todas elas cometem, e que consiste em que ultrapassam os limites da experiência; em que aplicam as [[lexico:c:categorias:start|categorias]] ou não as aplicam, segundo a sua vontade; em que tomam por objeto a conhecer, aquilo que não é objeto a conhecer, mas coisa em si mesma. A metafísica, segundo ele, comete a falha [[lexico:e:essencial:start|essencial]] de querer conhecer o [[lexico:i:incognoscivel:start|incognoscível]]. É, pois, uma [[lexico:d:disciplina:start|disciplina]] [[lexico:i:impossivel:start|impossível]]. À [[lexico:p:pergunta:start|pergunta]]: é possível a metafísica?, Kant responde dizendo radicalmente: não é possível. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}