===== PROVA ONTOLÓGICA ===== A [[lexico:p:prova|prova]] da [[lexico:e:existencia-de-deus|existência de Deus]]. — Distingue-se três tipos de provas clássicas: 1.° a [[lexico:p:prova-ontologica|prova ontológica]], que deduz da [[lexico:i:ideia-de-deus|ideia de Deus]], [[lexico:s:ser|ser]] infinitamente [[lexico:p:perfeito|perfeito]], a [[lexico:n:necessidade|necessidade]] de sua [[lexico:e:existencia|existência]] (se ele [[lexico:n:nao|não]] existisse, não seria perfeito). [[lexico:k:kant|Kant]] censurou a essa prova ser apenas [[lexico:f:formal|formal]] e não [[lexico:r:real|real]]: prova a necessidade da [[lexico:i:ideia|ideia]] de existência e não a da existência real; 2.° a prova cosmológica, que deduz a existência de [[lexico:d:deus|Deus]] da necessidade de encontrar-se uma [[lexico:c:causa-primeira|causa primeira]] para o [[lexico:p:processo|processo]] [[lexico:i:infinito|infinito]] das [[lexico:c:causas|causas]]: uma telha cai; a [[lexico:c:causa|causa]] é o vento; mas por que o vento? uma [[lexico:d:depressao|depressão]] atmosférica; mas por que uma depressão?, etc, e remonta-se a Deus. Segundo Kant, essa prova comporta um "[[lexico:s:salto|salto]]" injustificável, pois entre nosso [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] dos fenômenos naturais (cuja cadeia é infinita) e a [[lexico:a:afirmacao|afirmação]] de Deus, não há continuidade mas [[lexico:m:mudanca|mudança]] de registro: o [[lexico:c:carater|caráter]] [[lexico:i:indefinido|indefinido]] de nosso [[lexico:c:conhecimento-sensivel|conhecimento sensível]] não constitui em si a prova de um conhecimento [[lexico:t:transcendente|transcendente]] (de Deus). Ou ainda: entre a infinidade (empírica) do [[lexico:m:mundo|mundo]] e a infinidade (qualitativa) de Deus, não há [[lexico:m:medida|medida]] comum; 3.° a, prova psicoteológica, que deduz a existência de Deus da [[lexico:b:beleza|beleza]] e variedade do mundo, da [[lexico:f:finalidade|finalidade]] na [[lexico:n:natureza|natureza]] etc. (Deus como [[lexico:a:artista|artista]] supremo). Esta prova, entretanto, funda-se apenas numa [[lexico:a:analogia|analogia]], que imaginamos arbitrariamente, entre a [[lexico:a:atividade|atividade]] do [[lexico:h:homem|homem]] e a de Deus. — Kant quis também juntar a essas fracas provas uma prova plenamente válida: a que é baseada na existência em nós do [[lexico:s:sentimento|sentimento]] [[lexico:m:moral|moral]] do [[lexico:d:dever|dever]] (prova moral de Deus). O [[lexico:p:proprio|próprio]] [[lexico:f:fato|fato]] da [[lexico:o:obrigacao|obrigação]] moral é a prova de uma intervenção [[lexico:s:sobrenatural|sobrenatural]] em nós; representa a [[lexico:v:voz|voz]] de Deus: devemos então afirmar sua existência ainda que [[lexico:n:nada|nada]] possamos dizer de sua natureza. (v. provas de Deus)