===== PROVA DA REALIDADE ===== No seu ensaio sobre Luto e [[lexico:m:melancolia|melancolia]], [[lexico:f:freud|Freud]] acena apenas ao eventual [[lexico:c:carater|caráter]] fantasmático do [[lexico:p:processo|processo]] melancólico, observando que a revolta contra a [[lexico:p:perda|perda]] do [[lexico:o:objeto|objeto]] de [[lexico:a:amor|amor]] “pode chegar a tal [[lexico:p:ponto|ponto]] que o [[lexico:s:sujeito|sujeito]] se esquiva da [[lexico:r:realidade|realidade]] e se apega ao objeto perdido graças a uma [[lexico:p:psicose|psicose]] alucinatória do [[lexico:d:desejo|desejo]]”. Importa, portanto, remeter-se ao Complemento metapsicológico à doutrina dos sonhos (que iria fazer [[lexico:p:parte|parte]], com o ensaio sobre a melancolia, junto com o qual foi publicado, do projetado volume de Preparação para uma metapsicologia) para encontrar esboçada, paralelamente a uma [[lexico:a:analise|análise]] do [[lexico:m:mecanismo|mecanismo]] do [[lexico:s:sonho|sonho]], uma [[lexico:i:investigacao|investigação]] sobre o processo mediante o qual os fantasmas do desejo conseguem enganar a [[lexico:i:instituicao|instituição]] fundamental do [[lexico:e:eu|eu]], que é a [[lexico:p:prova-da-realidade|prova da realidade]], e a penetrar na [[lexico:c:consciencia|consciência]]. Segundo Freud, no [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]] da [[lexico:v:vida-psiquica|vida psíquica]], o eu passa por um estágio inicial, em que [[lexico:n:nao|não]] dispõe ainda de uma [[lexico:f:faculdade|faculdade]] que lhe permita diferenciar as percepções reais das imaginárias: *No início da nossa [[lexico:v:vida|vida]] psíquica — escreve Freud — toda vez que provávamos a [[lexico:n:necessidade|necessidade]] de um objeto capaz de nos satisfazer, uma [[lexico:a:alucinacao|alucinação]] nos fazia crer que de [[lexico:f:fato|fato]] estava presente. Mas, nesse caso, não ocorria depois a esperada satisfação, e o insucesso teve que levar-nos [[lexico:b:bem|Bem]] cedo a [[lexico:c:criar|criar]] uma organização capaz de permitir que distinguíssemos [[lexico:s:semelhante|semelhante]] [[lexico:p:percepcao|percepção]] de desejo da realidade verdadeira e própria, e de, em seguida, nos tornar capazes de a evitar. Por outros termos, abandonamos precocemente a satisfação alucinatória do desejo e construímos uma [[lexico:e:especie|espécie]] de [[lexico:p:prova|prova]] da realidade.* Em certos casos, a prova da realidade pode [[lexico:s:ser|ser]] evitada ou posta temporariamente fora de [[lexico:j:jogo|jogo]]. E isso que acontece nas psicoses alucinatórias do desejo, que se apresentam como [[lexico:r:reacao|reação]] diante de uma perda que a realidade afirma, mas que o eu deve negar por não poder suportá-la: *O eu rompe, assim, o seu vínculo com a realidade e retira do [[lexico:s:sistema|sistema]] [[lexico:c:consciente|consciente]] das percepções o [[lexico:p:proprio|próprio]] investimento. E através desta esquiva do [[lexico:r:real|real]] que a prova da realidade acaba evitada e os fantasmas do desejo, não removidos, mas perfeitamente conscientes, podem penetrar na consciência e vir a ser aceitos como realidades melhores.* [AgambenE:48-49]