===== PROBLEMA FILOSÓFICO ===== Como [[lexico:s:saber:start|saber]] que se busca, repousa a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] numa [[lexico:a:atitude:start|atitude]] essencialmente [[lexico:p:problematica:start|problemática]], pois o [[lexico:h:homem:start|homem]] existe indagando, uma vez que se encontra perdido entre as [[lexico:c:coisas:start|coisas]] e diante das coisas. Para o homem indagador — para o [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]] — atirado na confusão das coisas, sua única saída é formar, como diz [[lexico:o:ortega-y-gasset:start|Ortega y Gasset]], um repertório de opiniões, crenças, técnicas ou atitudes íntimas com [[lexico:r:relacao:start|relação]] a elas. Com este [[lexico:f:fim:start|fim]] mobiliza suas [[lexico:f:faculdades:start|faculdades]] mentais, traçando um [[lexico:p:plano:start|plano]] de atenções diante de cada [[lexico:c:coisa:start|coisa]] e de seu conjunto ou [[lexico:u:universo:start|universo]]. Evidentemente, a filosofia deve [[lexico:s:ser:start|ser]] estudada — e ensinada — [[lexico:n:nao:start|não]] em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] da resposta precisa que proporciona aos problemas que ela própria suscita, mas sim em virtude desses problemas. Porque, consoante Bertrand [[lexico:r:russell:start|Russell]], eles ampliam as concepções que temos acerca daquilo que é [[lexico:p:possivel:start|possível]]; porque opulentam a [[lexico:i:imaginacao:start|imaginação]] intelectual do homem; porque fazem diminuir a arrogância dogmática que cerra à [[lexico:e:especulacao:start|especulação]] o nosso [[lexico:e:espirito:start|espírito]]; e, acima de tudo, pelo [[lexico:m:motivo:start|motivo]] de que, pela [[lexico:g:grandeza:start|grandeza]] do [[lexico:m:mundo:start|mundo]], que a filosofia contempla, resulta engrandecido e sublimado o espírito, tornando-se capaz dessa [[lexico:u:uniao:start|união]] com o universo em que consiste, afinal, o seu [[lexico:b:bem-supremo:start|bem supremo]]. Em filosofia, porém, ‘[[lexico:p:problema:start|problema]]’ não é apenas a [[lexico:q:questao:start|questão]] por resolver, como ocorreria com os problemas científicos ou políticos, e sim quando se propõe como problema para alguém. Nesse [[lexico:s:sentido:start|sentido]], afirma Julián [[lexico:m:marias:start|Marías]] que "um problema não é definido somente pelo seu conteúdo, isto é, pelo [[lexico:s:simples:start|simples]] [[lexico:e:enunciado:start|enunciado]] de algo não conhecido ou da [[lexico:i:incompatibilidade:start|incompatibilidade]] [[lexico:a:aparente:start|aparente]] de duas [[lexico:i:ideias:start|ideias]], e sim, antes de tudo, por sua [[lexico:p:problematicidade:start|problematicidade]], embora pareça redundante dizê-lo. De início, isso significa que um problema requer um homem que o pense e para [[lexico:q:quem:start|quem]] ele existe; mas se apenas se tratasse disso, o problema não passaria de uma trivialidade; com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], logo que fosse enunciado e compreendido por alguém seria um problema [[lexico:e:efetivo:start|efetivo]]. Mas isto não acontece: o [[lexico:f:fato:start|fato]] de que [[lexico:e:eu:start|eu]] ignore [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]] ou não encontre a maneira de tornar compatíveis dois dados ou ideias, embora tendo plena [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] dessa [[lexico:i:ignorancia:start|ignorância]] ou dessa incapacidade, não basta para constituir um problema. [[lexico:f:falta:start|falta]] ainda alguma coisa, extremamente simples, e que por tão elementar é esquecida: é preciso que eu necessite saber alguma coisa ou ligar as noções discordantes. As coisas que eu ignoro ou cuja congruência me escapa são infinitas, sem que nunca tenham sido e nunca possam ser problemas para mim. Os últimos séculos da [[lexico:h:historia:start|história]] europeia abusaram — levianamente — da [[lexico:d:denominacao:start|denominação]] ‘problema’; qualificando assim toda [[lexico:p:pergunta:start|pergunta]], o homem [[lexico:m:moderno:start|moderno]], e principalmente a partir do [[lexico:u:ultimo:start|último]] século, habituou-se a [[lexico:v:viver:start|viver]] tranquilamente entre problemas, distraído do dramatismo de uma [[lexico:s:situacao:start|situação]] quando esta se torna problemática, isto é, quando não se pode [[lexico:e:estar:start|estar]] nela e por isso exige uma solução". Por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, enquanto as ciências tendem a resolver problemas, a filosofia tem como missão principal, e talvez única, a problematização de tudo o que se lhe apresenta, tanto da [[lexico:r:realidade:start|realidade]] como das proposições sobre ela. Isto é, a única coisa que pode fazer a filosofia é [[lexico:v:ver:start|ver]] os problemas como problemas, ou seja, examinar a [[lexico:s:significacao:start|significação]] de todos os problemas e de [[lexico:t:todo:start|todo]] o [[lexico:p:problematico:start|problemático]]. E como o mais problemático é a própria filosofia, converte-se ela em seu principal problema. Esta concepção da filosofia — que se denomina [[lexico:p:problematicismo:start|problematicismo]], instituída por Ugo Spirito — entende a filosofia como uma [[lexico:e:especie:start|espécie]] de "consciência suprema de toda crise enquanto crise", uma [[lexico:a:atividade:start|atividade]] ela mesma [[lexico:c:critica:start|crítica]], perpetuamente "aberta" diante de qualquer [[lexico:a:acao:start|ação]] ou de qualquer [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]]. Em [[lexico:s:suma:start|suma]], a problematização equivale à vivificação e por isso a filosofia problematizante resulta não só justificada como inteiramente "inevitável". Disto deflui que o problematicismo filosófico é menos uma "[[lexico:a:analise:start|análise]] de [[lexico:s:significacoes:start|significações]]" que uma "crise permanente", menos uma "atividade", no sentido de [[lexico:w:wittgenstein:start|Wittgenstein]], que um "[[lexico:c:compromisso:start|compromisso]]" no sentido de [[lexico:j:jaspers:start|Jaspers]] ou de [[lexico:s:sartre:start|Sartre]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}