===== PRIVAÇÃO ===== (gr. [[lexico:s:steresis:start|steresis]]; lat. privatio; in. Privation; fr. Privation; al. Privation; it. Privazioné). [[lexico:f:falta:start|falta]] daquilo que, por qualquer [[lexico:r:razao:start|razão]], poderia ou deveria [[lexico:s:ser:start|ser]]. E este o [[lexico:s:sentido:start|sentido]] da [[lexico:d:definicao:start|definição]] de [[lexico:w:wolff:start|Wolff]]: "[[lexico:a:ausencia:start|Ausência]] de uma [[lexico:r:realidade:start|realidade]] que podia ser ou à qual [[lexico:n:nao:start|não]] repugna ser" (Ont., § 273). [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] incluíra entre os significados desse [[lexico:t:termo:start|termo]] (todos redutíveis ao que acabamos de enunciar) também a falta de um [[lexico:a:atributo:start|atributo]] que não pertence naturalmente à [[lexico:c:coisa:start|coisa]], como quando se diz que uma planta não tem olhos (Met., V, 22, 1022 b 22). Mas essa [[lexico:g:generalizacao:start|generalização]] excessiva torna o [[lexico:c:conceito:start|conceito]] quase que inútil. O [[lexico:p:proprio:start|próprio]] Wolff fazia a [[lexico:d:distincao:start|distinção]] entre entidades privativas, que consistem na falta (como cegueira, [[lexico:m:morte:start|morte]], trevas, etc.) e em seus nomes [[lexico:r:relativos:start|relativos]], de entidades positivas e seus nomes (Ont., § 273-274); essa distinção foi reproduzida por John [[lexico:s:stuart-mill:start|Stuart Mill]], que observava a [[lexico:r:respeito:start|respeito]]: "Os nomes denominados privativos indicam duas [[lexico:c:coisas:start|coisas]]: ausência de certos atributos e [[lexico:p:presenca:start|presença]] de outros, a partir dos quais se poderia esperar naturalmente a presença dos primeiros" (Logic, I, 2, § 6). Estas distinções conservaram-se na [[lexico:l:logica:start|lógica]] tradicional do séc. XIX (cf., p. ex., Sigwart, Logik., 1889, I, § 22). Significa geralmente a não-existência de um [[lexico:e:estado:start|Estado]] ou de uma [[lexico:p:propriedade:start|propriedade]], de que uma coisa é capaz e que deveria possuir, para ser perfeita em sua [[lexico:e:especie:start|espécie]] (p. ex., a cegueira). Não designa, portanto, [[lexico:s:simples:start|simples]] [[lexico:n:negacao:start|negação]] de um ser, mas pressupõe sempre um [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] que não possui tudo quanto devia possuir, de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com a sua [[lexico:n:natureza:start|natureza]]. Se a [[lexico:c:carencia:start|carência]] de uma [[lexico:p:perfeicao:start|perfeição]] [[lexico:o:ontologica:start|ontológica]] for considerada sob o [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista do [[lexico:b:bem:start|Bem]], recebe o [[lexico:n:nome:start|nome]] de [[lexico:m:mal:start|mal]]. — A privação não é, em si, algo [[lexico:r:real:start|real]]; mas designa um [[lexico:o:objeto:start|objeto]] de [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] real. — Na [[lexico:f:filosofia-natural:start|filosofia natural]] aristotélica ([[lexico:h:hilemorfismo:start|hilemorfismo]]) a privação desempenha um papel como [[lexico:p:principio:start|princípio]] do [[lexico:d:devir:start|devir]]: um [[lexico:c:corpo:start|corpo]], cujos [[lexico:p:principios-ontologicos:start|princípios ontológicos]] são [[lexico:m:materia-e-forma:start|matéria e forma]], é o ponto de partida de uma [[lexico:m:mudanca:start|mudança]] [[lexico:f:formal:start|formal]], quando, sob a [[lexico:i:influencia:start|influência]] de uma [[lexico:c:causa:start|causa]] eficiente, assume a [[lexico:r:relacao:start|relação]] de privação relativamente a uma [[lexico:f:forma:start|forma]] diversa da que efetivamente tem, ou seja, quando seus acidentes são de tal [[lexico:s:sorte:start|sorte]] modificados pela causa eficiente, que à sua [[lexico:m:materia:start|matéria]] não corresponde mais a forma [[lexico:e:essencial:start|essencial]] anterior, mas uma outra nova. — vide [[lexico:o:oposicao:start|oposição]]. — Naumann. Segundo Aristóteles, entende-se privação em vários sentidos: 1) “quando um ser não tem um dos atributos que deve possuir naturalmente; por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], diz-se de uma planta que não tem olhos”. 2) “Quando devendo encontrar-se naturalmente uma [[lexico:q:qualidade:start|qualidade]] num ser ou no seu [[lexico:g:genero:start|gênero]], não a possui; assim, é muito diferente o [[lexico:f:fato:start|fato]] de se encontrar desprovido de vista o [[lexico:h:homem:start|homem]] cego e a toupeira; para esta, a privação é contrária ao gênero [[lexico:a:animal:start|animal]]; para o homem, é contrária à sua própria natureza [[lexico:n:normal:start|normal]]”. 3) “Quando um ser que deve possuir naturalmente uma qualidade a não tem; assim, a cegueira é uma privação, mas não se diz de um ser que é sempre cego, mas só que o é quando, tendo atingido a idade em que deveria possuir a vista, a não tem”. 4) “Chama-se cego a um homem que não possui a vista nas circunstâncias em que a deveria [[lexico:t:ter:start|ter]]”. A privação opõe-se, pois, à [[lexico:p:posse:start|posse]], mas só é privação autêntica no [[lexico:u:ultimo:start|último]] caso, isto é, quando não exista a qualidade de que se trata, concorrendo todas as circunstâncias necessárias para que exista. Para outros aspectos do [[lexico:p:problema:start|problema]] da privação [[lexico:v:ver:start|ver]] o artigo [[lexico:n:nada:start|nada]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}