===== PRINCÍPIO DE FINALIDADE ===== Por [[lexico:p:principio-de-finalidade|princípio de finalidade]] costuma entender-se, na [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] [[lexico:e:escolastica|escolástica]], a [[lexico:p:proposicao|proposição]] que diz: toda [[lexico:o:operacao|operação]] é dirigida a um [[lexico:f:fim|fim]] (omne agens agit propler finem); e, por vezes, também esta outra, conexa com a primeira, mas [[lexico:n:nao|não]] de [[lexico:s:sentido|sentido]] equivalente: urna tendencia [[lexico:n:natural|natural]] não pode [[lexico:s:ser|ser]] vã (impossibile est desiderium naturale [[lexico:e:esse|esse]] vanum). Para distingui-las, chamaremos a primeira [[lexico:p:principio|princípio]] de [[lexico:a:apeticao|apetição]] do fim, e a segunda principio de infrustrabilidade do fim. Como [[lexico:p:principios-do-conhecimento|princípios do conhecimento]] ([[lexico:p:principios|princípios]] do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]]), revestidos de alcance metafísico, nenhum dos dois princípios pode encontrar sua fundamentação na experiencia da [[lexico:f:finalidade|finalidade]], mas unicamente na [[lexico:i:inteleccao|intelecção]] apriorística da [[lexico:e:essencia|essência]]. O princípio de apetição do fim entende-se facilmente, referindo-o a toda operação resultante da [[lexico:r:reflexao|reflexão]] [[lexico:r:racional|racional]] (importa, porém, observar, que para a operação de [[lexico:d:deus|Deus]], não existe um fim que deva ser alcançado, mas a própria [[lexico:b:bondade|bondade]] divina constitui seu [[lexico:m:motivo|motivo]] [criação]). Mas também uma operação, que não provenha de [[lexico:m:modo|modo]] [[lexico:i:imediato|imediato]] da reflexão racional, é, em derradeira [[lexico:i:instancia|instância]], teleologicamente determinada, visto proceder de um [[lexico:a:apetite|apetite]] natural, [[lexico:i:instinto|instinto]] no ser natural como [[lexico:f:forca|força]] que impele a uma determinada operação e que, em última instância, só tem sua [[lexico:e:explicacao|explicação]] na [[lexico:m:mente|mente]] do Criador que estabelece os fins. O princípio de infrustrabilidade do fim diz, [[lexico:a:alem|além]] disso, que o fim do apetite natural é também alcançável; pois tal apetite seria "destituído de sentido", se se dirigisse a um fim inteiramente [[lexico:i:impossivel|impossível]] ou se à [[lexico:n:natureza|natureza]] das próprias [[lexico:c:coisas|coisas]] faltassem as disposições indispensáveis para a consecução de [[lexico:d:dito|dito]] fim. Isto não exclui uma frustração do apetite em casos particulares, devida, p. ex., a forças contra-operantes e, por sua [[lexico:p:parte|parte]], também dirigidas teleologicamente; mais ainda, tal frustração é, não raro, necessária, em vista de fins superiores. Nos apetites naturais subordinados, os casos de malogro do fim imediato podem mesmo ser numerosos (pense-se, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], no [[lexico:n:numero|número]] relativamente diminuto de [[lexico:s:sementes|sementes]] que chegam [[lexico:a:a-se|a se]] desenvolver). Discute-se se o princípio de infrustrabilidade do fim é um "princípio" no sentido de uma proposição imediata ou quase imediatamente [[lexico:i:inteligivel|inteligível]]. Em [[lexico:t:todo|todo]] caso, ele encontra sua fundamentação na [[lexico:s:sabedoria|sabedoria]] do Criador. — De Vries. O [[lexico:e:estudo|estudo]] da [[lexico:c:causalidade|causalidade]] na natureza já forneceu a [[lexico:o:ocasiao|ocasião]] de abordar a [[lexico:n:nocao|noção]] de finalidade. Mas é aqui que convém encarar esta noção em toda sua universalidade. A [[lexico:c:causa|causa]] final, acabamos de dizer, só pode corresponder a um [[lexico:b:bem|Bem]], e, inversamente, todo bem é um fim. Do [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista da [[lexico:a:atividade|atividade]] ou do ser em [[lexico:t:tendencia|tendência]], todo [[lexico:a:agente|agente]] age portanto em vista de um fim, [[lexico:o:o-que-e|o que é]] a própria [[lexico:f:formula|fórmula]] do princípio dito de finalidade: Omne agens agit propter finem. Diversas justificações, em planos diferentes, podem ser dadas deste princípio. Mas a [[lexico:r:razao|razão]] [[lexico:m:metafisica|metafísica]] mais profunda da [[lexico:n:necessidade|necessidade]] de um fim para toda [[lexico:a:acao|ação]] se encontra no [[lexico:f:fato|fato]] de que um agente, que do ponto de vista de sua atividade está em [[lexico:p:potencia|potência]], carece para agir, de ser determinado. Ele agirá somente se for determinado a [[lexico:a:alguma-coisa|alguma coisa]] de certo que tenha [[lexico:f:funcao|função]] de fim. "Si enim agens non esset determinatum ad aliquem affectum, non magis ageret hoc quam illud. [[lexico:a:ad-hoc|ad hoc]] ergo [[lexico:q:quod|quod]] determinatum effectum producat, necesse est quod determinetur [[lexico:a:ad-aliquid|ad aliquid]] certum, quod habet rationem finis". Ia IIae, q. 1, a. 2 No fundo, é ainda a doutrina fundamental da ordenação [[lexico:e:essencial|essencial]] da potência ao [[lexico:a:ato|ato]] — ou da [[lexico:d:determinacao|determinação]] daquela a partir deste — que entra em [[lexico:j:jogo|jogo]] Restaria mostrar, como o faz [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]] no artigo que acabamos de citar, que esse princípio se aplica analogicamente Um é o exercício da finalidade na natureza inanimada, que é essencialmente movida rumo a um fim, e [[lexico:o:outro|outro]] nos seres racionais que se movem a si mesmos na direção de um fim que conhecem. E é ainda outra [[lexico:c:coisa|coisa]] na [[lexico:m:medida|medida]] em que se vê transposto na própria atividade divina.