===== PRINCÍPIO DE CAUSALIDADE ===== O [[lexico:p:principio|princípio]] (metafísico) de [[lexico:c:causalidade|causalidade]] é um dos mais importantes [[lexico:p:principios-do-conhecimento|princípios do conhecimento]] ([[lexico:p:principios|princípios]] do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]]). Reveste-se de [[lexico:c:capital|capital]] importância sobretudo na [[lexico:d:demonstracao|demonstração]] da [[lexico:e:existencia-de-deus|existência de Deus]] ([[lexico:p:prova|prova]] da [[lexico:e:existencia|existência]] de [[lexico:d:deus|Deus]]) — Formulação do [[lexico:p:principio-de-causalidade|princípio de causalidade]]: a [[lexico:f:formula|fórmula]] "[[lexico:n:nao|não]] há [[lexico:e:efeito|efeito]] sem [[lexico:c:causa|causa]]" é inadequada, por [[lexico:s:ser|ser]] tautológica. Também a fórmula "tudo o que começa a ser, tem uma causa" é, para nós, em muitos casos, inutilizável, porque o [[lexico:c:comeco|começo]] [[lexico:t:temporal|temporal]] de muitas [[lexico:c:coisas|coisas]] — especialmente do [[lexico:u:universo|universo]] como um [[lexico:t:todo|todo]] — dificilmente pode ser demonstrado com [[lexico:c:certeza|certeza]] por [[lexico:p:parte|parte]] das ciências experimentais. Pelo que, é preferível a fórmula "todo [[lexico:e:ente|ente]] [[lexico:c:contingente|contingente]] é causado" ([[lexico:c:contingencia|contingência]]). "Ente’’ deve aqui entender-se como "realmente existente"; "causado" significa mais exatamente originado, produzido por uma causa eficiente (VIDE causa). Portanto, o princípio diz que um ente, indiferente por sua [[lexico:e:essencia|essência]] para ser ou não ser, é um ente dependente; que tal ente deve seu ser à [[lexico:a:acao|ação]] de [[lexico:o:outro|outro]] — precisamente da causa —; que, por conseguinte, é "feito". A causa pode ser considerada como causa suficiente só no caso em que possua uma [[lexico:p:perfeicao|perfeição]] [[lexico:o:ontologica|ontológica]] pelo menos igual à do efeito que por ela deve ser explicado. O [[lexico:v:valor|valor]] do princípio de causalidade deriva [[lexico:a:a-priori|a priori]] os [[lexico:c:conceitos|conceitos]] essenciais de contingente e de causado. A essência contingente exprime [[lexico:p:por-si|por si]] apenas a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] ([[lexico:p:potencia|potência]]), não a [[lexico:r:realidade|realidade]] (o [[lexico:a:ato|ato]]) de [[lexico:e:existir|existir]]; portanto, é absolutamente incapaz de contribuir por si nalguma [[lexico:c:coisa|coisa]] para sua própria realização, necessitando por isso do auxílio de outro que, por sua parte, exista realmente, e independentemente deste contingente, e que, mediante sua ação, seja para ele causa do ser. — No que tange à peculiaridade [[lexico:l:logica|lógica]] do princípio de causalidade, muito discutida, tem sido a [[lexico:q:questao|questão]] de [[lexico:s:saber|saber]] se ele é um princípio "[[lexico:a:analitico|analítico]]" ou "[[lexico:s:sintetico|sintético]]" (princípios do conhecimento). Os defensores de seu [[lexico:c:carater|caráter]] analítico pretendem muitas vezes dizer apenas que ele estriba numa inteleção apriórica resultante da comparação dos conceitos e que, por conseguinte, enuncia uma [[lexico:n:necessidade|necessidade]] [[lexico:e:essencial|essencial]] incondicionada. Ambas as afirmações são exatas. Mas, se devem chamar-se [[lexico:a:analiticos|analíticos]] apenas aqueles juízos em que o [[lexico:p:predicado|predicado]] apresenta uma parte do conteúdo do [[lexico:c:conceito|conceito]] do [[lexico:s:sujeito|sujeito]], em tal caso o princípio de causalidade não pode ser [[lexico:c:chamado|chamado]] analítico, porque o ser causado não é co-pensado (nem está incluído) no conceito de contingente; portanto, neste [[lexico:s:sentido|sentido]], o princípio de causalidade é "sintético a priori". Pelo que nem por uma [[lexico:d:demonstracao-indireta|demonstração indireta]] pode ser reduzido ao [[lexico:p:principio-de-contradicao|princípio de contradição]], se for posta a exigência de que a [[lexico:r:reducao|redução]] só deve ser feita mediante a [[lexico:a:analise|análise]] dos conceitos. Sobre a [[lexico:r:relacao|relação]] do princípio de causalidade com o de [[lexico:r:razao-suficiente|razão suficiente]] (princípio da [[lexico:r:razao|razão]] suficiente). Um caso [[lexico:p:particular|particular]] do princípio de causalidade é o chamado princípio de [[lexico:m:movimento|movimento]], eme remonta a [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]]: tudo o que se move (= se muda ou modifica) é movido (modificado) por outro ([[lexico:q:quid|quid]] quid movetur, [[lexico:a:ab-alio|ab alio]] movetur). Neste princípio exige-se uma causa para a [[lexico:m:mudanca|mudança]] — para a modificação ou variação em [[lexico:o:ordem|ordem]] a uma maior plenitude do ser, em ordem à perfeição (trânsito da potência ao ato), e diz-se, [[lexico:a:alem|além]] disso, que dita causa — ao menos parcialmente — deve ser buscada noutro ente diferente daquele que muda, e que, por conseguinte, este não se basta a [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]] para desdobrar suas disposições. A razão disso é que o inferior em perfeição ontológica, inferioridade implicada inicialmente no ente submetido à mudança, não é causa suficiente para produzir o que tenha perfeição ontológica [[lexico:s:superior|superior]]. — Distinta do princípio metafísico de causalidade é a [[lexico:l:lei|lei]] [[lexico:f:fisica|física]] de causalidade ([[lexico:l:lei-de-causalidade|lei de causalidade]]), a qual se circunscreve aos processos do [[lexico:m:mundo|mundo]] corpóreo e exige para a [[lexico:n:natural|natural]] [[lexico:e:explicacao|explicação]] dos mesmos uma causa que produza com necessidade física o [[lexico:p:processo|processo]] em questão. Da consideração exclusiva desta [[lexico:c:causalidade-natural|causalidade natural]] deduz-se que a [[lexico:e:expressao|expressão]] "processo causal" muitas vezes é sinônima de "processo [[lexico:n:necessario|necessário]]". O princípio metafísico de causalidade, pelo contrário, deixa em [[lexico:a:aberto|aberto]] a possibilidade de uma causa que atue com [[lexico:l:liberdade|liberdade]]. — De Vries.