===== PRIMEIROS PRINCÍPIOS ===== [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] ([[lexico:m:metafisica:start|Metafísica]], L.4, c.3) liga ao [[lexico:e:estudo:start|estudo]] do [[lexico:s:ser-enquanto-ser:start|ser enquanto ser]], o estudo de certas verdades primeiras que denomina axiomas. A [[lexico:r:razao:start|razão]] deste [[lexico:f:fato:start|fato]] é aqui nitidamente precisada: tais verdades devem [[lexico:s:ser:start|ser]] consideradas na [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] suprema porque possuem tanta amplitude ou a mesma universalidade que o ser, [[lexico:o:objeto:start|objeto]] desta ciência: "Uma vez que é evidente que os axiomas se aplicam a todos os seres enquanto seres, é do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] do ser enquanto ser que decorre o estudo destas verdades". Garantidos por esta [[lexico:a:afirmacao:start|afirmação]] de seu [[lexico:m:mestre:start|mestre]], inúmeros peripatéticos fazem seguir; nos seus tratados de metafísica, o estudo do ser de um capítulo consagrado aos [[lexico:p:primeiros-principios:start|primeiros princípios]]. Por vezes, é [[lexico:v:verdade:start|verdade]], este estudo é relegado à [[lexico:l:logica:start|lógica]], alegando-se, [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] [[lexico:e:exato:start|exato]], que tais [[lexico:p:principios:start|princípios]] são os reguladores supremos de toda nossa [[lexico:a:atividade:start|atividade]] [[lexico:r:racional:start|racional]]. Mas [[lexico:n:nao:start|não]] é menos verdade que, antes de presidir o [[lexico:b:bom:start|Bom]] funcionamento de nosso [[lexico:e:espirito:start|espírito]], os primeiros princípios possuem inicialmente [[lexico:v:valor:start|valor]] — e é assim que nos são imediatamente dados — de leis objetivas do ser. É, portanto, como dizia claramente Aristóteles, ao estudo do ser enquanto ser que se liga propriamente a [[lexico:a:analise:start|análise]] destas verdades primeiras. É [[lexico:n:necessario:start|necessário]] acrescentar que estas considerações, que visam assegurar as primeiras verdades do nosso espírito, tomam naturalmente [[lexico:l:lugar:start|lugar]] na linha do estudo crítico do ser e dos primeiros fundamentos do nosso conhecimento que empreendemos neste capítulo. Aqui metafísica e [[lexico:c:critica:start|crítica]] praticamente coincidem. O que se deve entender exatamente por primeiro [[lexico:p:principio:start|princípio]]? De um [[lexico:m:modo:start|modo]] [[lexico:g:geral:start|geral]], os primeiros princípios representam o [[lexico:t:termo:start|termo]] [[lexico:u:ultimo:start|último]] na [[lexico:o:ordem:start|ordem]] ascendente da resolução de nossos conhecimentos; habitualmente designam-se por esta [[lexico:e:expressao:start|expressão]] juízos ou proposições, mas [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]] a aplica igualmente aos termos ou noções [[lexico:s:simples:start|simples]] que entram como [[lexico:e:elementos:start|elementos]] nestes juízos. Nós nos deteremos aqui na primeira destas [[lexico:s:significacoes:start|significações]]. É evidente, todavia, que na [[lexico:t:teoria-do-ser:start|teoria do ser]], não devemos nos interessar pelos princípios especiais de cada ciência, mas somente por aqueles que, convindo a [[lexico:t:todo:start|todo]] ser, são absolutamente comuns. Considerados em si mesmos, nós o vimos em lógica, os primeiros princípios devem ser verdadeiros e necessários, o que é óbvio, e [[lexico:a:alem:start|além]] disso, imediatos (per se notae). A [[lexico:n:nota:start|nota]] de imediatidade, aplicada a um princípio, significa que se nos apercebemos de sua verdade sem intermediários ou termos médios; é suficiente que se tenham apreendido os termos que compõem tal princípio para que o valor da [[lexico:p:proposicao:start|proposição]] apareça com plena [[lexico:e:evidencia:start|evidência]]; neste [[lexico:s:sentido:start|sentido]] diz-se que são conhecidos [[lexico:p:por-si:start|por si]] mesmos. Deve-se acrescentar que, no [[lexico:m:momento:start|momento]] em que se trata de um princípio absolutamente primeiro, os próprios termos de que ele é [[lexico:c:composto:start|composto]] devem ser absolutamente simples, isto é, não podem ser reportados a nenhuma [[lexico:n:nocao:start|noção]] anterior. Por si, estas proposições primeiras, como o seu [[lexico:n:nome:start|nome]] de início já o indica, se referem, ou mais exatamente, são princípios de [[lexico:r:referencia:start|referência]] de toda uma ordem de conhecimentos que repousa sobre tais proposições ou que as implicam e as supõem de maneira necessária. Aos princípios metafísicos [[lexico:r:relativos:start|relativos]] ao ser se subordinam universalmente todos os conhecimentos: o que é afirmar a importância [[lexico:c:capital:start|capital]] destas verdades primeiras. Qual é o primeiro de todos estes princípios? Ainda em nossos dias isto é discutido. Para Aristóteles a [[lexico:q:questao:start|questão]] se encontrava resolvida (Metafísica, c.3) . Este primeiro princípio deve satisfazer a três condições: ser o melhor conhecido; ser possuído antes de todo [[lexico:o:outro:start|outro]] conhecimento; ser o mais certo de todos. Ora, este princípio é incontestavelmente "aquele a propósito do qual é [[lexico:i:impossivel:start|impossível]] se enganar", isto é, o [[lexico:p:principio-de-nao-contradicao:start|princípio de não-contradição]]. Aristóteles liga ao princípio de não-contradição uma [[lexico:f:formula:start|fórmula]] que não é mais do que uma [[lexico:c:consequencia:start|consequência]]: "entre a afirmação e a [[lexico:n:negacao:start|negação]] do ser não há intermediário", "o ser é ou não é" é o [[lexico:p:principio-do-terceiro-excluido:start|princípio do terceiro excluído]]. É-nos suficiente tê-lo assinalado. Os autores modernos estudam igualmente aqui toda uma [[lexico:s:serie:start|série]] de outros princípios: princípios de razão de ser, de [[lexico:c:causalidade:start|causalidade]], de [[lexico:f:finalidade:start|finalidade]], de [[lexico:s:substancia:start|substância]]. Tais princípios são evidentemente essenciais à [[lexico:v:vida:start|vida]] do espírito; mas, pondo em [[lexico:a:acao:start|ação]] noções ou distinções que não são ainda reconhecidas, apenas mais [[lexico:t:tarde:start|Tarde]] tais princípios virão logicamente no [[lexico:p:progresso:start|progresso]] regular do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] metafísico. Nós nos submeteremos a essa marcha [[lexico:m:metodica:start|metódica]] e iremos passar em seguida à [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] das [[lexico:p:propriedades-do-ser:start|propriedades do ser]], além do ser ele mesmo considerado como "[[lexico:q:quididade:start|quididade]]" e de sua [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] ao [[lexico:n:nao-ser:start|não-ser]]. **[[lexico:o:origem:start|origem]] e [[lexico:f:formacao:start|formação]] dos primeiros princípios.** Os primeiros princípios não são verdades inatas ou possuídas pela [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]] anteriormente a todo conhecimento. Mais precisamente, só nossa inteligência, que está em pura [[lexico:p:potencia:start|potência]] com [[lexico:r:respeito:start|respeito]] aos inteligíveis, é inata. É apenas no momento em que nossas [[lexico:f:faculdades:start|faculdades]] de conhecer são determinadas pelos objetos sensíveis que tomamos [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] dos primeiros princípios. E ainda faz-se mister precisar que inicialmente só os apreendemos em casos particulares, em [[lexico:r:relacao:start|relação]] a tal ser; só podemos nos elevar a fórmulas [[lexico:u:universais:start|universais]] relativas a todo ser após haver elaborado a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] comum de ser. Se não são inatos, estes princípios são todavia ditos naturais à nossa inteligência, pois se seguem naturalmente ao seu exercício: toda inteligência que se exerceu os possui necessariamente. Em relação a essa inteligência, constituem o que se chama uni habitus, isto é, uma [[lexico:d:disposicao:start|disposição]] estável que assegura à [[lexico:f:faculdade:start|faculdade]] a facilidade e a segurança em seu exercício. [[lexico:e:esse:start|esse]] habitus também se diversifica na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que se trata dos primeiros princípios na ordem especulativa ou dos primeiros princípios na ordem da ação prática. Fixemos, pois, que o habitus dos primeiros princípios especulativos da inteligência, sem ser [[lexico:i:inato:start|inato]], aperfeiçoa contudo de modo [[lexico:n:natural:start|natural]] esta faculdade (Tomás de Aquino, Metaf., IV, 1, 6, n. 599). {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}