===== PREVISÃO ===== (gr. proopsis; in. Prediction; fr. Prévision; al. Voraussage; it. Previsione). Um dos objetivos fundamentais da [[lexico:e:explicacao|explicação]] científica, ou a própria explicação. Na [[lexico:c:ciencia|ciência]] antiga, a importância da previsão foi acentuada apenas em medicina ([[lexico:h:hipocrates|Hipócrates]], Prognostikon, I). Galileu expunha [[lexico:e:esse|esse]] [[lexico:c:conceito|conceito]] afirmando que "chegar ao [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] de um [[lexico:u:unico|único]] [[lexico:e:efeito|efeito]] para suas [[lexico:c:causas|causas]] abre-nos o [[lexico:i:intelecto|intelecto]] ao [[lexico:e:entendimento|entendimento]] e à [[lexico:c:certeza|certeza]] de outros efeitos, sem [[lexico:n:necessidade|necessidade]] de recorrer à [[lexico:e:experiencia|experiência]]" (Discorsi intorno a due nuove scienze, Opere, ed. Utet, II, p. 799). A previsão foi utilizada por [[lexico:h:hume|Hume]] em sua [[lexico:c:critica-da-causalidade|crítica da causalidade]]: "Por sermos levados pelo [[lexico:c:costume|costume]] a transferir o passado para o [[lexico:f:futuro|futuro]], em todas as nossas inferências, sempre que o passado se manifesta regular e [[lexico:u:uniforme|uniforme]], esperamos o [[lexico:a:acontecimento|acontecimento]] com a [[lexico:m:maxima|máxima]] certeza e [[lexico:n:nao|não]] damos [[lexico:o:ocasiao|ocasião]] a suposições contrárias" ilnq. Cone. Underst., VI). [[lexico:c:comte|Comte]] pôs esse conceito em primeiro [[lexico:p:plano|plano]] com sua [[lexico:f:formula|fórmula]] "Ciência, portanto previsão; previsão, portanto [[lexico:a:acao|ação]]" (Cours dephil. pos., 1830, I, p. 51). Heltz expressou-o nas [[lexico:p:palavras|palavras]] de abertura da Introdução a Prinzipien der Mechanik(1894): "O [[lexico:p:problema|problema]] mais [[lexico:i:imediato|imediato]] e, certamente, o mais importante que nosso conhecimento da [[lexico:n:natureza|natureza]] permite resolver é a previsão dos acontecimentos futuros, de tal [[lexico:m:modo|modo]] que possamos organizar nossas [[lexico:a:atividades|atividades]] presentes de [[lexico:a:acordo|acordo]] com tais previsões". Para [[lexico:p:peirce|Peirce]], a previsão é a base da [[lexico:v:verdade|verdade]] prática da [[lexico:h:hipotese|hipótese]] científica: "Na [[lexico:i:inducao|indução]] não é o [[lexico:f:fato|fato]] previsto que, em alguma [[lexico:m:medida|medida]], determina a verdade da hipótese ou a torna [[lexico:p:provavel|provável]], mas sim o fato de ele [[lexico:t:ter|ter]] sido previsto com [[lexico:s:sucesso|sucesso]] e de [[lexico:s:ser|ser]] uma amostra aleatória de todas as previsão que podem basear-se na hipótese e que constituem a verdade prática dela" (Coll. Pap., 6.527). No neoempirismo contemporâneo, alguns filósofos tendem a reduzir a previsão à explicação; outros, a reduzir a explicação à previsão. No primeiro [[lexico:s:sentido|sentido]], Carnap expressa-se dizendo que "a natureza de uma previsão, no que diz [[lexico:r:respeito|respeito]] à [[lexico:c:confirmacao|confirmação]] ou à comprovação, é a mesma de um [[lexico:e:enunciado|enunciado]] sobre um [[lexico:e:evento|evento]] presente não diretamente observado por nós, como p. ex. sobre um [[lexico:p:processo|processo]] em curso no interior de uma [[lexico:m:maquina|máquina]] ou um acontecimento [[lexico:p:politico|político]] na China ("Testability and Meaning", em Readings in the Phil. of Science, 1953, p. 87). No segundo sentido, Quine declara acreditar que o [[lexico:e:esquema|esquema]] conceituai da ciência é, em última [[lexico:a:analise|análise]], um [[lexico:i:instrumento|instrumento]] para prever a experiência futura à [[lexico:l:luz|luz]] da experiência passada (From a Logical Point of View, II, 6). A [[lexico:i:identidade|identidade]] entre [[lexico:l:logica|lógica]] da previsão e lógica da explicação foi asseverada por Feigl (em Readings, cit., p. 417-18), enquanto Hempel defendeu a [[lexico:t:tese|tese]] da identidade estrutural (ou da [[lexico:s:simetria|simetria]]) entre explicação e previsão, no sentido de que "toda explicação adequada é potencialmente uma previsão, e, inversamente, toda previsão adequada é potencialmente uma explicação" (Aspects of Scientific Explanation, 1965, p. 367). [[lexico:p:popper|Popper]], depois de afirmar que todas as ciências teóricas, inclusive as sociais, são ciências de previsão, ressaltou a [[lexico:d:distincao|distinção]] entre a previsão científica e a [[lexico:p:profecia|profecia]] histórica, porque esta última carece do [[lexico:c:carater|caráter]] condicional da primeira: "As previsão comuns da ciência são condicionais. Asseveram que certas mudanças (p. ex., da temperatura da água numa chaleira) serão acompanhadas por certas transformações (p. ex., a ebulição da água)" (Conjectures and Refutations, 1965, p. 339). [[lexico:r:reichenbach|Reichenbach]] usou o [[lexico:t:termo|termo]] pós-visibilidade (post-dictability) para indicar a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de determinar "os dados passados em termos de observações dadas" (Philosophic Foundations of Quantum Mechanics, 1944, p. 13). O termo pós-visão ou retro-visão (postidiction or retrodictiori) foi empregado para indicar o inverso [[lexico:l:logico|lógico]] de uma previsão, ou seja, a [[lexico:i:inferencia|inferência]] que procede de um acontecimento presente para trás, em direção a uma [[lexico:c:condicao|condição]] inicial já conhecida (Hanson, The Concept of the Position, 1963, p. 193). V. explicação.