===== PRESENÇA ===== O [[lexico:f:fato|fato]] de se [[lexico:e:estar|estar]] em determinado [[lexico:l:lugar|lugar]]; num [[lexico:s:sentido|sentido]] mais específico, [[lexico:c:consciencia|consciência]] de [[lexico:s:ser|ser]] aí, [[lexico:s:sentimento|sentimento]] de [[lexico:e:existir|existir]]: nesse sentido, a [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] fundamental de [[lexico:h:heidegger|Heidegger]] apresenta-se como uma [[lexico:a:analise|análise]] da "presença" (do [[lexico:d:dasein|Dasein]], "fato de ser aí"). — De maneira [[lexico:g:geral|geral]], o sentimento de presença exprime, na [[lexico:f:filosofia-da-religiao|filosofia da religião]], um sentimento de [[lexico:p:participacao|participação]] no Ser [[lexico:a:absoluto|absoluto]] (quer se trate de um [[lexico:d:deus|Deus]] [[lexico:t:transcendental|transcendental]] ou da [[lexico:n:natureza|natureza]], no sentido romântico de mediadora entre o [[lexico:h:homem|homem]] e a divindade). Do [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista da [[lexico:l:logica|lógica]], contrapõe-se frequentemente a presença (sentimento de uma "atmosfera", diz [[lexico:j:jaspers|Jaspers]]) à [[lexico:r:representacao|representação]] de um [[lexico:o:objeto|objeto]], para sublinhar-se assim a irredutibilidade do sentimento de presença ou sentimento do [[lexico:r:real|real]]) a [[lexico:t:todo|todo]] objeto [[lexico:p:particular|particular]] da representação. "Nenhum objeto, dizia [[lexico:j:jacobi|Jacobi]], pode igualar o sentimento [[lexico:i:infinito|infinito]] da [[lexico:r:realidade|realidade]]." (in. Presence; fr. Présence; al. Anwesenheit; it. Presenza). Este [[lexico:t:termo|termo]] é empregado em dois significados principais: 1) [[lexico:e:existencia|existência]] de um objeto em certo lugar, pelo que se diz, p. ex., "estava presente à reunião de ontem à [[lexico:t:tarde|Tarde]]"; 2) existência do objeto numa [[lexico:r:relacao|relação]] cognitiva imediata; assim, diz-se que um objeto está presente quando é visto ou é [[lexico:d:dado|dado]] a qualquer [[lexico:f:forma|forma]] de [[lexico:i:intuicao|intuição]] ou de [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] [[lexico:i:imediato|imediato]]. No âmbito do primeiro [[lexico:s:significado|significado]], e com objetivos teológicos (para descrever a presença de Deus ou dos [[lexico:a:anjos|anjos]] nas [[lexico:c:coisas|coisas]] ou a presença do [[lexico:c:corpo|corpo]] de Cristo no pão do sacramento do altar), os escolásticos distinguiam duas formas de presença: a chamada circunscriptiva, em que uma [[lexico:c:coisa|coisa]] está inteira em todo o [[lexico:e:espaco|espaço]] que ocupa, com [[lexico:p:parte|parte]] em cada parte do espaço, e a definitiva, em que uma coisa está inteira na [[lexico:t:totalidade|totalidade]] do seu espaço e inteira também em cada uma das partes dessa totalidade. A primeira presença é um [[lexico:m:modo|modo]] de ser [[lexico:q:quantitativo|quantitativo]]; a segunda exclui qualquer [[lexico:q:quantidade|quantidade]] (cf., p. ex., S. [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]], S. Th., I. q. 52, a. 2; [[lexico:o:occam|Occam]], Quodi, VII, q. 19). Heidegger chamou de presença ou [[lexico:s:simples|simples]] presença (Vorhandenheit) o modo de ser das coisas, que é diferente do modo de ser do homem, que é a existência (Sein und Zeit — [[lexico:s:ser-e-tempo|Ser e Tempo]], § 9). [[lexico:s:sartre|Sartre]], por sua vez, falou de "presença do [[lexico:p:para-si|para-si]] no ser", ou seja, da consciência, no sentido de que tal presença implicaria que "o para-si é testemunha de si em presença do ser como [[lexico:n:nao|não]] sendo o ser": o que significaria que a presença no ser é "presença do para-si em não sendo" (L’être et le néant — O [[lexico:s:ser-e-o-nada|Ser e o Nada]], pp. 166-67). O termo [[lexico:g:grego|grego]] parousia (= "presença; note-se em [[lexico:d:dito|dito]] termo o componente [[lexico:o:ousia|ousia]]) aparece em vários autores. Assim, em [[lexico:p:platao|Platão]], quando [[lexico:f:fala|fala]] da "presença" das [[lexico:i:ideias|ideias]] nas coisas que participam delas; a participação se efetua porque as ideias estão presentes às coisas — a [[lexico:d:diferenca|diferença]] do estar presentes nas coisas, que não seria propriamente presença, senão existência, ou melhor, co-existência. Por [[lexico:o:outro|outro]] lado, o [[lexico:c:conceito|conceito]] de presença, com o sem o [[lexico:u:uso|uso]] do termo "presença", parece ser fundamental em todo o [[lexico:p:pensamento|pensamento]] grego, pelo menos na [[lexico:o:opiniao|opinião]] de Heidegger, que destacou a [[lexico:i:ideia|ideia]] do estar presente (Anwesen), das realidades presentes (Anweseden) e da presença (Anwesenheit). Heidegger chama os entes, [[lexico:o:onta|onta]], "os presentes" (Cf.. entre outros textos, Identität und Differenz, págs. 62 y segs.). A ideia de presença e dos entes presentes ou de "os presentes" é especialmente básica, segundo Heidegger, na [[lexico:f:filosofia-grega|filosofia grega]], até o ponto de que nela pode falar-se do Ser como Presença. Ernst Tugendhat (TI KATA TINOS). Eine Untersuchung zu Struktur und Ursprung Aristotelischer Grundbegriffen, 1959, passim) elaborou esta concepção de Heidegger e pôs em relevo de que modo em alguns filósofos gregos — por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], em [[lexico:p:parmenides|Parmênides]] — o Ser está "todo ele presente", por ser in-diferenciado e, por assim dizê-lo, trans-parente. Ele coloca um [[lexico:p:problema|problema]] e é o do sentido da presença dos fenômenos, a diferença da presença, ou o ser presença, do Ser, mas dito autor assinala que enquanto a presença dos fenômenos é espúria, a do Ser é uma pura e autêntica presença. Ele desencadeia a [[lexico:q:questao|questão]] da [[lexico:p:possivel|possível]] duplicidade do ser como presença e a [[lexico:n:necessidade|necessidade]] de interpretar toda presença como o estar presente do ser.