===== POTÊNCIAS SENSÍVEIS ===== É evidente que as [[lexico:p:potencias-sensiveis|potências sensíveis]] são potências orgânicas, isto é, dependem ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]] da [[lexico:a:alma|alma]] que lhes é [[lexico:p:principio|princípio]], e do [[lexico:c:corpo|corpo]] onde se incarnam sob [[lexico:f:forma|forma]] de órgãos [[lexico:b:bem|Bem]] determinados: a mais elementar [[lexico:a:analise|análise]] da [[lexico:s:sensacao|sensação]] o testemunha. Assim, a alma, quando separada do corpo, [[lexico:n:nao|não]] possui mais suas potências sensíveis, a não [[lexico:s:ser|ser]] de [[lexico:m:modo|modo]] radical, e não pode mais exercer atos sensíveis. Não sendo potências puramente espirituais, não podem os sentidos refletir perfeitamente sobre si mesmos, e não têm assim o [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] distinto de sua [[lexico:a:atividade|atividade]]. Um certo poder de [[lexico:r:reflexao|reflexão]] é todavia reconhecido, no peripatetismo, a um [[lexico:s:sentido|sentido]] [[lexico:p:particular|particular]], o [[lexico:s:sensus-communis|sensus communis]], e assim é [[lexico:p:possivel|possível]] [[lexico:f:falar|falar]] de uma certa [[lexico:c:consciencia|consciência]] [[lexico:s:sensivel|sensível]]. A [[lexico:f:fisiologia|fisiologia]] dos órgãos dos sentidos não deixa de interessar a [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]]. Mas é evidente que suas alegações, por mais engenhosas que sejam, precisam ser seriamente controladas e completadas. Uma de suas concepções mestras neste domínio era a de que os sentidos, para estarem em [[lexico:c:condicao|condição]] de receber uma certa forma, deveriam [[lexico:e:estar|estar]] privados dela; assim a pupila era feita de água, o que a tornava capaz de ser impressionada por todas as [[lexico:c:coisas|coisas]]. [[lexico:a:alem|Além]] da [[lexico:p:potencia|potência]] sensível e de seu [[lexico:o:orgao|órgão]], além outrossim do [[lexico:o:objeto|objeto]] que a determina, é [[lexico:n:necessario|necessário]], para que haja sensação, que exista um certo "[[lexico:m:meio|meio]]" intermediário. A [[lexico:e:existencia|existência]] deste parece repousar sobre uma dúplice constatação. Antes de tudo, no caso de ao menos três sentidos (vista, ouvido e olfato) este meio aparece como um [[lexico:f:fato|fato]]; o órgão está separado do objeto sensível por um certo intervalo de [[lexico:a:ar|ar]] ou de água que manifestamente desempenha um papel de transmissão. Em segundo [[lexico:l:lugar|lugar]], é evidente que suprimindo-se o meio pode desaparecer a sensação: o objeto colorido colocado diretamente sobre o olho não é mais percebido; aproximado demais do ouvido, o objeto sonoro apenas provoca uma [[lexico:a:audicao|audição]] confusa. Evidencia-se, portanto, que a [[lexico:a:acao|ação]] do objeto sensível tem [[lexico:n:necessidade|necessidade]] de se refratar em um meio para poder estar em condição de afetar convenientemente o órgão. É bastante curioso observar que Aristóteles tenha estendido esta [[lexico:t:teoria|teoria]] aos sentidos do tacto e do [[lexico:g:gosto|gosto]], para os quais, ao contrário dos precedentes, parece impor-se o contato corporal direto com o objeto sensível. Aí também o meio ainda existe e não é outra [[lexico:c:coisa|coisa]] que a [[lexico:c:carne|carne]], pois os órgãos não estão na superfície, mas no interior. Do mesmo modo que os órgãos, devem os meios estar em condições de neutralidade com [[lexico:r:relacao|relação]] às formas que recebem: assim o "diáfano", meio correspondente à vista, é incolor e, semelhantemente, o meio do som é insonoro. No caso do tacto e do gosto, para os quais o meio é a carne, [[lexico:m:materia|matéria]] necessariamente qualificada, dir-se-á que existe um certo equilíbrio em qualidades, uma "mediedade", que será receptiva de tudo o que for "excesso" no reativo [[lexico:e:exterior|exterior]]: assim, a mão que é temperada (isto é, nem quente nem fria) pode receber o calor e o frio dos objetos que a tocam. Qual é exatamente o papel do meio nesta [[lexico:p:psicologia|psicologia]] da sensação? Sem [[lexico:d:duvida|dúvida]] alguma, antes de tudo o papel de transmissão. Mas servia também, na concepção dos antigos, para proteger os órgãos dos sentidos, aos quais poderia ser nocivo o contato com o objeto. Certos comentadores atribuíam igualmente ao meio uma [[lexico:f:funcao|função]] de espiritualização das formas, em vista de sua recepção pelos sentidos. Seria graças a ele que estas formas se tornariam sensíveis em [[lexico:a:ato|ato]].