===== PLURALISMO ===== O pluralismo defende, ao contrário do [[lexico:m:monismo|monismo]], que o [[lexico:m:mundo|mundo]] é [[lexico:c:composto|composto]] de realidades independentes e mutuamente irredutíveis. A [[lexico:q:questao|questão]] do pluralismo aparece depois de resolvida a questão prévia da [[lexico:n:natureza|natureza]] do [[lexico:u:universo|universo]]; com [[lexico:e:efeito|efeito]], reduzir o universo a uma [[lexico:r:realidade|realidade]] fundamental, trata-se de [[lexico:s:saber|saber]] se esta é una ou múltipla, [[lexico:s:simples|simples]] ou composta. A resposta que afirma a [[lexico:m:multiplicidade|multiplicidade]] é um pluralismo. Este pode [[lexico:s:ser|ser]] considerado de um [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista numérico ou qualitativo, pois embora o pluralismo [[lexico:n:nao|não]] prejulgue acerca da índole das realidades plurais afirmadas, parece estabelecer melhor certa [[lexico:d:diferenciacao|diferenciação]] qualitativa. Dá-se o [[lexico:n:nome|nome]] de pluralistas a uma [[lexico:s:serie|série]] de filósofos [[lexico:p:pre-socraticos|pré-socráticos]] e, em [[lexico:p:particular|particular]], a [[lexico:e:empedocles|Empédocles]] e [[lexico:d:democrito|Demócrito]]. Todos afirmam que há um certo [[lexico:n:numero|número]] de [[lexico:e:elementos|elementos]] ou [[lexico:s:substancias|substâncias]] que compõem a natureza e que se combinam entre si. O pluralismo procurou fazer frente ao [[lexico:p:problema|problema]] de “o que há” levantado por [[lexico:h:heraclito|Heráclito]] e [[lexico:p:parmenides|Parmênides]]. Com efeito, dizer, com o primeiro, “tudo se move” equivale a afirmar que o [[lexico:m:movimento|movimento]] é o [[lexico:r:real|real]], mas então não parece haver [[lexico:s:sujeito|sujeito]] no movimento. Por [[lexico:o:outro|outro]] lado, dizer que o ser é, que é imutável, que é [[lexico:e:eterno|eterno]], etc, à maneira de Parmênides, é negar o movimento. Mas se se toma o ser de Parmênides e se se admite o movimento de Heráclito, então é [[lexico:n:necessario|necessário]] dividir [[lexico:e:esse|esse]] ser em certo número de seres, substâncias ou elementos e defender que o movimento o é de alguns elementos relativamente a outros. O caso mais evidente é o de Demócrito: cada [[lexico:a:atomo|átomo]] pode ser considerado como a concepção de Parmênides, porquanto é sempre aquilo que é e não outra [[lexico:c:coisa|coisa]], mas as deslocações dos átomos sobre o fundo do [[lexico:e:espaco|espaço]] permitem [[lexico:c:compreender|compreender]] o movimento local e as combinações com as quais se formam os diversos corpos. Deste [[lexico:m:modo|modo]], o [[lexico:a:atomismo|atomismo]] filosófico, em [[lexico:g:geral|geral]], é um [[lexico:c:compromisso|compromisso]] entre o [[lexico:u:uno|uno]] e o [[lexico:m:multiplo|múltiplo]]. A [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] monadológica de [[lexico:l:leibniz|Leibniz]] é por um [[lexico:s:sentido|sentido]] pluralismo. Na [[lexico:e:epoca|época]] contemporânea, destaca-se o pluralismo de William [[lexico:j:james|James]]. Este pluralismo baseia- se na [[lexico:i:ideia|ideia]] de uma [[lexico:l:liberdade|liberdade]] interna e procura [[lexico:s:superar|superar]] as dificuldades em que se enreda o monismo, quando não dá conta da [[lexico:e:existencia|existência]] da existência finita, quando elabora o problema do [[lexico:m:mal|mal]] ou quando contradiz o [[lexico:c:carater|caráter]] da realidade como algo experimentado perceptivamente. Segundo William James, o pluralismo supera estas dificuldades e oferece algumas vantagens. O seu caráter mais científico, a sua maior concordância com as possibilidades expressivas morais e gramáticas da [[lexico:v:vida|vida]], o seu apoio no [[lexico:f:fato|fato]] mais insignificante que mostre alguma [[lexico:p:pluralidade|pluralidade]]. (in. Pluralism; fr. Pluralisme; al. Pluralismus; it. Pluralismo). 1. A partir de [[lexico:w:wolff|Wolff]], este [[lexico:t:termo|termo]] foi contraposto a [[lexico:e:egoismo|egoísmo]] como "a maneira de [[lexico:p:pensar|pensar]] em [[lexico:v:virtude|virtude]] da qual não se abarca o mundo no [[lexico:e:eu|eu]], mas nos consideramos e nos comportamos apenas como cidadãos do mundo" ([[lexico:k:kant|Kant]], Antr., I, § 2). Mas enquanto o termo egoísmo continuou designando uma [[lexico:a:atitude|atitude]] [[lexico:m:moral|moral]], visto que, para a doutrina [[lexico:m:metafisica|metafísica]] correspondente, prevaleceu [[lexico:s:solipsismo|solipsismo]] ao termo pluralismo, no [[lexico:u:uso|uso]] que dele se fez em seguida, assumiu um [[lexico:s:significado|significado]] metafísico, passando a designar a doutrina que admite pluralidade de substâncias no mundo. A [[lexico:e:expressao|expressão]] [[lexico:t:tipica|típica]] dessa doutrina é a [[lexico:m:monadologia|monadologia]] de Leibniz, e foi neste sentido que o termo voltou a ser usado por alguns espiritualistas modernos (J. Ward, The Realm of Ends or Pluralism and Theism, 1912; W. James, A Pluralistic Universe, 1909). James insistiu particularmente na exigência proposta pelo pluralismo: a de não considerar o universo como [[lexico:m:massa|massa]] compacta, em que tudo está determinado no [[lexico:b:bem|Bem]] ou no mal e não há [[lexico:l:lugar|lugar]] para a liberdade, mas sim como uma [[lexico:e:especie|espécie]] de [[lexico:r:republica|república]] federativa na qual os indivíduos, apesar de solidários entre si, conservem [[lexico:a:autonomia|autonomia]] e liberdade. O universo pluralista, segundo James, é um pluriverso ou multiverso, sua [[lexico:u:unidade|unidade]] não é a [[lexico:i:implicacao|implicação]] [[lexico:u:universal|universal]] ou [[lexico:i:integracao|integração]] absoluta, mas continuidade, contiguidade e concatenação: é uma unidade de [[lexico:t:tipo|tipo]] sinequia, no sentido atribuído a esta [[lexico:p:palavra|palavra]] por [[lexico:p:peirce|Peirce]] (A Pluralistic Universe, p. 325). Um universo assim distingue-se do universo monadológico de Leibniz justamente pelo caráter não [[lexico:a:absoluto|absoluto]] nem necessitante da unidade que o constitui. Até mesmo [[lexico:d:deus|Deus]], no universo pluralista, é [[lexico:f:finito|finito]]. 2. Na [[lexico:t:terminologia|terminologia]] contemporânea, designa-se frequentemente com este nome o [[lexico:r:reconhecimento|reconhecimento]] da [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de soluções diferentes para um mesmo problema, ou de interpretações diferentes para a mesma realidade ou [[lexico:c:conceito|conceito]], ou de uma [[lexico:d:diversidade|diversidade]] de fatores, situações ou evoluções no mesmo [[lexico:c:campo|campo]]. Assim, fala-se em "pluralismo estético" quando se admite que uma [[lexico:o:obra|obra]] de [[lexico:a:arte|arte]] pode ser considerada "bela" por [[lexico:m:motivos|motivos]] diferentes, que [[lexico:n:nada|nada]] têm a [[lexico:v:ver|ver]] um com o outro; fala-se em pluralismo sociológico quando se admite ou se reconhece a [[lexico:a:acao|ação]] de vários grupos sociais relativamente independentes uns dos outros.