===== PLURALIDADE ===== Opõe-se a [[lexico:u:unidade|unidade]] e denota o "estar-dividido" do [[lexico:s:ser|ser]], mas de tal [[lexico:s:sorte|sorte]] que os vários [[lexico:e:elementos|elementos]] se excluem uns aos outros, como unidades. Uma vez que o [[lexico:e:ente|ente]], enquanto lhe convém o ser, possui unidade, a pluralidade (ou [[lexico:m:multiplicidade|multiplicidade]]) deve [[lexico:t:ter|ter]] suas raízes no [[lexico:n:nao-ser|não-ser]]. Como, porém, [[lexico:n:nao|não]] pode haver [[lexico:p:puro|puro]] não-ser, mas sempre somente um não ser sustentado pelo ser, misturado com o ser, também não ó [[lexico:p:possivel|possível]] uma pluralidade pura, mas somente uma pluralidade sustentada pela unidade, mesclada com a unidade; quer dizer, a pluralidade realiza-se sempre só como unidade quebrada pela multiplicidade. Sendo assim, onde o ser, elevado acima de [[lexico:t:todo|todo]] não-ser, existe com plenitude infinita, manifesta uma unidade absoluta sem qualquer pluralidade. Só onde o ser é limitado pelo não-ser e, portanto, é [[lexico:f:finito|finito]], há [[lexico:l:lugar|lugar]] para a pluralidade; [[lexico:f:finitude|finitude]] e pluralidade coincidem essencialmente: assim como não há pluralidade sem finitude, assim não há finitude sem pluralidade. Duas formas de pluralidade são características do finito: a dos sujeitos do ser e das partes ou elementos constitutivos dentro de cada [[lexico:s:sujeito|sujeito]] [[lexico:p:particular|particular]]. Sob estes dois aspectos a pluralidade aumenta, quando aumenta a finitude. Em primeiro lugar, [[lexico:d:deus|Deus]] é [[lexico:u:unico|único]], porque esgota a infinita plenitude do ser. Como todo [[lexico:e:espirito|espírito]] finito possui só uma [[lexico:p:parte|parte]] dessa plenitude, são muitos os [[lexico:e:espiritos|espíritos]] finitos. Contudo, segundo S. [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]], no caso dos espíritos puros, um só [[lexico:i:individuo|indivíduo]] realiza já a [[lexico:p:perfeicao|perfeição]] integral de sua [[lexico:e:especie|espécie]]. Assim, há muitas espécies, mas em cada espécie só um indivíduo. No caso dos homens, a espécie desdobra-se numa pluralidade de indivíduos, porque nenhum deles pode expressar em si a perfeição integral de sua espécie. Abaixo do [[lexico:h:homem|homem]] encontra se, do [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista metafísico, uma única espécie, a [[lexico:s:saber|saber]], a do ser infra espiritual. Todavia, como esta não pode ser esgotada de uma só vez, desarticula-se ela em três grandes espécies físicas: a do [[lexico:a:animal|animal]], a do [[lexico:v:vegetal|vegetal]] e a do inorgânico, como num sem [[lexico:n:numero|número]] de espécies empíricas, [[lexico:b:bem|Bem]] como em variedades sempre novas e em quase inumeráveis indivíduos. Este é, por assim dizer, o [[lexico:p:plano|plano]] de fundo filosófico oferecido pela múltipla variedade do [[lexico:u:universo|universo]], a qual todavia apresenta, ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]], uma pluralidade de [[lexico:c:coisas|coisas]] homogêneas; por isso, pode ser apreendida em [[lexico:f:forma|forma]] [[lexico:m:matematica|matemática]], o que sobretudo se verifícamos casos em que a [[lexico:h:homogeneidade|homogeneidade]] atinge seu máximo, a saber, no domínio do inorgânico. A unidade subjacente à pluralidade destes independentes sujeitos (portadores) do ser manifesta-se na unidade [[lexico:r:real|real]], [[lexico:f:fisica|física]], da [[lexico:o:ordem|ordem]] cósmica, e, no homem, na unidade espiritualmente real de suas comunidades. Em segundo lugar, trata-se aqui da pluralidade de partes em si unidas num todo [[lexico:c:composto|composto]], o qual deixa de [[lexico:e:existir|existir]], desde que essas partes se separem. A absoluta simplicidade de Deus contrapõe-se já no espírito puro a [[lexico:d:dualidade|dualidade]] de [[lexico:e:essencia-e-existencia|essência e existência]], de [[lexico:s:substancia|substância]] e [[lexico:a:atividade|atividade]]. No corpóreo acresce ainda a pluralidade de partes essenciais (p. ex., [[lexico:c:corpo-e-alma|corpo e alma]]) e de partes extensas (p. ex., os membros do [[lexico:c:corpo|corpo]]). — Sobre a pluralidade puramente conceptual, embora fundada na [[lexico:r:realidade|realidade]]. — [[lexico:d:distincao|distinção]]. Ainda que a pluralidade radique no não-ser, ela não é algo de [[lexico:m:mal|mal]], algo que não-deva-ser (como o [[lexico:b:budismo|budismo]] ensina), nem mera [[lexico:a:aparencia|aparência]] (como, talvez, opinem [[lexico:p:parmenides|Parmênides]] e o [[lexico:b:bramanismo|bramanismo]]), nem, finalmente, só uma pluralidade de fenômenos dentro do mesmo ente (como afirmam [[lexico:s:spinoza|Spinoza]] e, em última [[lexico:i:instancia|instância]], todas as formas de [[lexico:p:panteismo|panteísmo]]). A pluralidade recebe sua realidade integral unicamente do Criador [[lexico:t:transcendente|transcendente]], que quer manifestar e comunicar a unidade de sua [[lexico:r:riqueza|riqueza]] numa pluralidade de seres independentes. — Lötz.