===== PHILIA ===== philía = [[lexico:a:amizade:start|amizade]]; lat. amicitia Formado sobre philos (meu, caro, amigo) o [[lexico:t:termo:start|termo]] philia "amizade" só aparece no final do século V para designar uma [[lexico:r:relacao:start|relação]] objetiva, [[lexico:e:exterior:start|exterior]]: a philia, relação júridica e [[lexico:s:social:start|social]], vem substituir na [[lexico:c:cidade:start|cidade]] democrática as ligações naturais de parentesco. No [[lexico:l:lisis:start|Lisis]], [[lexico:p:platao:start|Platão]] retoma a retirando da [[lexico:t:teoria:start|teoria]] [[lexico:s:sofistica:start|sofística]] da philia [[lexico:u:util:start|útil]]; para [[lexico:s:ser:start|ser]] vantajosa a philia [[lexico:n:nao:start|não]] deve se dar nem para o [[lexico:s:semelhante:start|semelhante]] nem para o contrário, mas [[lexico:t:ter:start|ter]] uma [[lexico:o:orientacao:start|orientação]] interior da [[lexico:a:alma:start|alma]] para o [[lexico:b:bem:start|Bem]]. Laço [[lexico:a:afetivo:start|afetivo]] entre dois seres humanos. Derivado do [[lexico:v:verbo:start|verbo]] philô / philo, [[lexico:e:eu:start|eu]] amo. A amizade é considerada pelos filósofos gregos como uma [[lexico:v:virtude:start|virtude]] ou, pelo menos — conforme escreve [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] —, "é acompanhada por virtude" (Et. Nic, VIII, I, 1). Eles tomam essa [[lexico:p:palavra:start|palavra]] no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] [[lexico:e:estrito:start|estrito]] de [[lexico:a:afeicao:start|afeição]] recíproca, ao passo que philía tem sentido bem mais amplo. A amizade como elo privilegiado já é celebrada por [[lexico:p:pitagoras:start|Pitágoras]], para [[lexico:q:quem:start|quem]] ela é uma [[lexico:i:igualdade:start|igualdade]]: isótes / isotes (Jâmblico, [[lexico:v:vida:start|vida]] de Pitágoras, 162) e "o amigo é [[lexico:o:outro:start|outro]] eu" (Ps-Plutarco, Vida de Homero, 151); Pitágoras teria chegado a dizer que a amizade é "a [[lexico:f:finalidade:start|finalidade]] de toda virtude" (Proclos, Comentário ao primeiro Alcibíades, 109c). Essas definições fazem [[lexico:p:parte:start|parte]] da teoria [[lexico:g:geral:start|geral]] da [[lexico:h:harmonia:start|harmonia]], que une as partes no [[lexico:u:universo:start|universo]], as [[lexico:f:faculdades:start|faculdades]] mentais no [[lexico:e:espirito:start|espírito]] e as [[lexico:v:virtudes:start|virtudes]] no [[lexico:s:sabio:start|sábio]]. Platão emprega incidentemente philía, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]] em [[lexico:f:fedro:start|Fedro]] (2131e), quando [[lexico:f:fala:start|fala]] do [[lexico:h:homem:start|homem]] que merece nossa amizade. É Aristóteles que estuda a philía com mais [[lexico:i:interesse:start|interesse]] e amplidão, no livro VIII da [[lexico:e:etica:start|Ética]] nicomaquéía, que constitui um [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]] tratado sobre a amizade. Esta, para ser verdadeira, deve atender a três critérios: [[lexico:b:benevolencia:start|benevolência]] mútua, [[lexico:d:desejo:start|desejo]] do bem, [[lexico:m:manifestacao:start|manifestação]] exterior dos sentimentos (II, 4); a amizade perfeita é a amizade dos bons, que se assemelham pela virtude (III, 6). [[lexico:e:epicuro:start|Epicuro]] considera que toda amizade é desejável, mas começa com a [[lexico:u:utilidade:start|utilidade]] ([[lexico:s:sentencas:start|Sentenças]], 23). Os estoicos, julgando censurável [[lexico:t:todo:start|todo]] e qualquer [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]], porque contrário à [[lexico:r:razao:start|razão]], consideram, porém, que a amizade é uma das virtudes mais elevadas e indispensáveis; e Epicteto insiste exatamente no [[lexico:f:fato:start|fato]] de que ela é peculiar ao sábio, pois, como exige que o outro seja amado por [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]] e por um [[lexico:b:bem-comum:start|bem comum]] espiritual, é ela impraticável por aquele que é inconstante e está submetido às paixões (Leituras, II, XXII, 3-7). [[lexico:e:empedocles:start|Empédocles]], segundo Aristóteles, explicava o [[lexico:m:movimento:start|movimento]] do [[lexico:m:mundo:start|mundo]] pela Amizade (philía) e pelo Ódio (neikos), que unem e desunem os [[lexico:e:elementos:start|elementos]] do mundo, provocando, alternadamente, o [[lexico:u:uno:start|uno]] e o [[lexico:m:multiplo:start|múltiplo]] (Fís.,VIII, 1;A, 4). Ora, o poema Da [[lexico:n:natureza:start|natureza]] de Empédocles, reconstituído por Diels, não emprega o termo philía, mas seu sinônimo philótes / [[lexico:p:philotes:start|philotes]], que tem um sentido mais forte (fr. XVII, 7,20; XIX; XX, 2, 8; XXVI, 5; XXXV, 4, 13). Por outro lado, emprega uma vez a [[lexico:f:forma:start|forma]] philíe / philie (fr. XVIII). {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}