===== PERSUASÃO ===== (in. Persuasion; fr. Persuasion; al. Uberredung; it. Persuasioné). 1. [[lexico:c:crenca:start|Crença]] cuja [[lexico:c:certeza:start|certeza]] se apoia em bases principalmente subjetivas, ou seja, pessoais e incomunicáveis. A [[lexico:d:distincao:start|distinção]] entre persuasão e ensinamento [[lexico:r:racional:start|racional]] já foi estabelecida por [[lexico:p:platao:start|Platão]], que dizia: "O [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] é gerado em nós por via de ensinamento; a [[lexico:o:opiniao:start|opinião]], por via da persuasão. O primeiro baseia-se sempre num [[lexico:r:raciocinio:start|raciocínio]] [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]]; a outra carece desse [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]]. O primeiro continua firme em face da persuasão; a outra deixa-se modificar" (Tim., 51, e). [[lexico:k:kant:start|Kant]] expôs claramente este mesmo [[lexico:c:conceito:start|conceito]]: "A crença que tem fundamento na [[lexico:n:natureza:start|natureza]] [[lexico:p:particular:start|particular]] do [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] chama-se persuasão. É [[lexico:s:simples:start|simples]] [[lexico:a:aparencia:start|aparência]] porque o fundamento do [[lexico:j:juizo:start|juízo]], que está unicamente no sujeito, é considerado como [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]]. Portanto, [[lexico:e:esse:start|esse]] juízo só tem [[lexico:v:validade:start|validade]] [[lexico:p:pessoal:start|pessoal]] e a crença [[lexico:n:nao:start|não]] pode [[lexico:s:ser:start|ser]] comunicada" (Crít. R. Pura, Doutrina do [[lexico:m:metodo:start|método]], cap. II, seç. 3). Deste [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista, a pedra de toque que permite distinguir P e [[lexico:c:conviccao:start|convicção]] é "a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de comunicar a crença e reconhecê-la válida para a [[lexico:r:razao:start|razão]] de qualquer [[lexico:h:homem:start|homem]]" (Ibid.); a convicção é comunicável; a persuasão não é. A distinção kantiana foi aceita e simplificada por C. Perelmann e por L. Olbrechts-Tyteca: "Propomos chamar de persuasiva a [[lexico:a:argumentacao:start|argumentação]] que pretenda servir apenas a um auditório particular, e chamar de convincente z que acredita poder obter a adesão de qualquer ser racional" (Traité de l’argumentation, 1958, § 6). Às vezes, persuasão foi distinguida de convicção por, supostamente, [[lexico:e:envolver:start|envolver]] o [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]] [[lexico:a:alem:start|além]] da razão e, portanto, só ela ser capaz de despertar o que [[lexico:p:pascal:start|Pascal]] chamava de "[[lexico:a:automato:start|autômato]]", que são os comportamentos afetivos e habituais do homem. Pascal dizia: "Somos autômatos tanto quanto [[lexico:e:espirito:start|espírito]]; disso resulta que o [[lexico:i:instrumento:start|instrumento]] de que se constitui a persuasão não é apenas a [[lexico:d:demonstracao:start|demonstração]]" (Pensées, 252). D’Alembert expressou muito [[lexico:b:bem:start|Bem]] esse ponto de vista: "A convicção tem mais a [[lexico:v:ver:start|ver]] com o espírito; a persuasão, com o [[lexico:c:coracao:start|coração]]. Diz-se que o orador não deve apenas convencer, ou seja, provar o que enuncia, mas também persuadir, ou seja, impressionar e comover. A convicção supõe alguma [[lexico:p:prova:start|prova]]; a persuasão, nem sempre. (...) Persuadimo-nos facilmente do que nos agrada; ficamos às vezes entristecidos ao nos convencermos daquilo em que não queríamos crer" (OEuvres posthumes, 1799, II, p. 89). Outras vezes a persuasão foi considerada a [[lexico:f:forma:start|forma]] [[lexico:s:superior:start|superior]] da certeza por [[lexico:e:estar:start|estar]] ligada à [[lexico:v:verdade:start|verdade]] objetiva. Foi o que fez [[lexico:h:heidegger:start|Heidegger]], que a entendeu como "um [[lexico:m:modo:start|modo]] de ser da certeza", mais precisamente o que se funda [[lexico:t:testemunho:start|testemunho]] da "[[lexico:c:coisa:start|coisa]] [[lexico:d:descoberta:start|descoberta]]", que é verdadeira (Sein und Zeit, § 52). Analogamente, [[lexico:j:jaspers:start|Jaspers]] pôs a persuasão acima da "[[lexico:c:confirmacao:start|confirmação]] [[lexico:p:pragmatica:start|pragmática]]" e da "[[lexico:e:evidencia:start|evidência]] coercitiva", como o [[lexico:t:terceiro:start|terceiro]] e [[lexico:u:ultimo:start|último]] [[lexico:g:grau:start|grau]] da verdade objetiva (Vernunft und Existenz, 1935, III, § 3). Por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, insistiu-se sobre o [[lexico:c:carater:start|caráter]] "[[lexico:e:emocional:start|emocional]]" da persuasão, no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] de que ela apelaria para [[lexico:m:motivos:start|motivos]] "não racionais" (C. L. Stevenson, Ethics and Language, 1944, cap. 6). O que emerge dessas indicações é o caráter pessoal e, em certa [[lexico:m:medida:start|medida]], incomunicável da persuasão, ou melhor, dos motivos que fundamentam a crença na qual ela consiste. 2. [[lexico:a:ato:start|ato]] ou procedimento de persuadir, de induzir à persuasão. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}