===== PASSIVIDADE E ATIVIDADE DOS SENTIDOS ===== [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]] retomou fundamentalmente a doutrina precedente: "Est autem [[lexico:s:sensus|sensus]] quaedam potentia passiva quae nata est immutari ab exteriori sensibili" (Ia Pa, q. 78, a. 3); "scientia consistit in moveri et pati; est enim sensus in [[lexico:a:actu|actu]] quaedam alteratio, [[lexico:q:quod|quod]] autem alteratur patitur et movetur" ([[lexico:d:de-anima|De anima]], II, 1-10). A [[lexico:s:sensacao|sensação]] é, portanto, o resultado de uma [[lexico:a:acao|ação]] de um [[lexico:o:objeto|objeto]] sobre o [[lexico:s:sentido|sentido]] que, por este [[lexico:m:motivo|motivo]], deve [[lexico:s:ser|ser]] considerado como uma [[lexico:p:potencia|potência]] passiva. É preciso concluir que seja apenas isto? [[lexico:n:nao|Não]] se [[lexico:f:fala|fala]] também em [[lexico:a:atividade|atividade]] para os sentidos? Tomás de Aquino não o desconheceu. Muitas vezes, na sensação, parece dar um papel bastante ativo à [[lexico:f:faculdade|faculdade]] de conhecer: "a [[lexico:v:visao|visão]] mesma, considerada em sua [[lexico:r:realidade|realidade]], não é uma [[lexico:p:paixao|paixão]] corporal, mas tem como [[lexico:c:causa|causa]] principal a potência da [[lexico:a:alma|alma]]" (De Sensu, 1-4). Como conciliar estes dois pontos de vista? Reconhecendo dois momentos no [[lexico:p:processo|processo]] da sensação: um [[lexico:p:passivo|passivo]], no qual o sentido é informado ou determinado pelo objeto [[lexico:e:exterior|exterior]]; o [[lexico:o:outro|outro]] ativo, constituindo o [[lexico:a:ato|ato]] mesmo de conhecer, no qual a potência informada se determina. Os comentadores adotaram esta [[lexico:e:explicacao|explicação]] que tem por [[lexico:c:consequencia|consequência]] acentuar, talvez mais que em [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]], o [[lexico:c:carater|caráter]] ativo da sensação. Inicial e fundamentalmente, porém, esta [[lexico:o:operacao|operação]] continua sendo uma passividade. Tomás de Aquino preocupou-se igualmente em precisar a [[lexico:n:natureza|natureza]] especial desta passividade que, como vimos, não deve ser confundida com a da [[lexico:m:materia|matéria]]. Diz Tomás de Aquino (Ia Pa, q. 78, a. 3) que para um [[lexico:s:sujeito|sujeito]] [[lexico:r:receptor|receptor]] existem dois modos de ser afetado: conforme uma modificação de [[lexico:o:ordem|ordem]] [[lexico:n:natural|natural]], immutatio naturalis, e conforme uma modificação de ordem psíquica, immutatio spiritualis; no primeiro caso, a [[lexico:f:forma|forma]] é recebida no sujeito transformado conforme seu "ser de natureza"; no segundo caso, conforme seu "ser [[lexico:i:intencional|intencional]]" ou [[lexico:o:objetivo|objetivo]]. Na sensação, ambas as transformações podem ser encontradas, mas a atividade psíquica de [[lexico:p:percepcao|percepção]] é determinada, de [[lexico:m:modo|modo]] [[lexico:p:proprio|próprio]] e [[lexico:i:imediato|imediato]], pela modificação espiritual que constitui este [[lexico:t:tipo|tipo]] original de passividade que é [[lexico:c:caracteristica|característica]] do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]]. Observamos que, para os antigos, as duas passividades encontravam-se associadas na atividade dos sentidos inferiores, tacto e [[lexico:g:gosto|gosto]], onde o [[lexico:o:orgao|órgão]] aparecia efetivamente alterado: a mão que toca um objeto quente esquenta-se fisicamente, enquanto o sentido do tacto percebe psiquicamente o calor; o olfato e o ouvido comportavam modificações físicas apenas por [[lexico:p:parte|parte]] do objeto, como o sino que vibra, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]]; quanto à vista, pensava-se que fosse pura recepção intencional sem modificação [[lexico:f:fisica|física]], nem do órgão, nem do objeto. Atualmente, uma [[lexico:o:observacao|observação]] mais precisa permitir-nos-ia discernir, em todos os casos, uma [[lexico:a:alteracao|alteração]] orgânica do sujeito.