===== ORIGEM DAS IDEIAS ===== Uma vez levantado o [[lexico:p:problema|problema]] das [[lexico:o:origens|origens]] das [[lexico:i:ideias|ideias]], encontrava-se [[lexico:l:locke|Locke]] na encruzilhada de dois caminhos: ou entendia por [[lexico:o:origem|origem]] a [[lexico:g:genese|gênese]] [[lexico:n:natural|natural]], psicológica, das ideias na [[lexico:e:evolucao|evolução]] psicológica do [[lexico:h:homem|homem]]; ou entendia por origem a derivação [[lexico:l:logica|lógica]] de uma [[lexico:i:ideia|ideia]] a [[lexico:r:respeito|respeito]] de outra que pode [[lexico:s:ser|ser]] seu [[lexico:a:antecedente|antecedente]] [[lexico:r:racional|racional]]; ou entendia a origem no [[lexico:s:sentido|sentido]] das [[lexico:v:verdades-de-fato|verdades de fato]] de que [[lexico:f:fala|fala]] [[lexico:l:leibniz|Leibniz]]; ou entendia a [[lexico:p:palavra|palavra]] origem no sentido das [[lexico:v:verdades-de-razao|verdades de razão]], segundo diz também Leibniz. Um [[lexico:e:exemplo|exemplo]] esclarecerá o que quero dizer. E o mesmo exemplo que pus na lição anterior, e me bastará, pois, aludir a ele. A origem de uma ideia, como a ideia de [[lexico:e:esfera|esfera]], pode ser considerada psicologicamente ou logicamente. Psicologicamente estudaremos as sensações, as percepções que puderam produzir naturalmente, biologicamente, em nós a [[lexico:n:nocao|noção]] de esfera; por exemplo, [[lexico:t:ter|ter]] visto objetos dessa [[lexico:f:forma|forma]], naturais ou artificiais. Mas [[lexico:o:outro|outro]] sentido da palavra origem é considerar a esfera como originada pelo [[lexico:m:movimento|movimento]] de meia circunferência girando ao redor do diâmetro. Tinha, pois, que escolher Locke aqui o sentido em que ia tomar a palavra origem, pois segundo o sentido em que a tomasse, conduziria sua [[lexico:i:investigacao|investigação]] (e, naturalmente, a dos seus sucessores) por um determinado [[lexico:c:caminho|caminho]]. Eis aqui que Locke escolheu o caminho da [[lexico:p:psicologia|psicologia]]. Por origem entende Locke o caminho [[lexico:p:psicologico|psicológico]] segundo o qual se formam em nós as ideias. Desde o [[lexico:p:principio|princípio]], pois. a [[lexico:t:teoria-do-conhecimento|teoria do conhecimento]] de Locke se coloca sob o [[lexico:s:signo|signo]] da psicologia. Locke distingue duas fontes possíveis de nossas ideias: a [[lexico:s:sensacao|sensação]] e a [[lexico:r:reflexao|reflexão]]. Locke entende por sensação o [[lexico:e:elemento|elemento]] psicológico mínimo, a modificação mínima da [[lexico:m:mente|mente]], da [[lexico:a:alma|alma]], quando algo, por [[lexico:m:meio|meio]] dos sentidos a excita, lhe produz essa modificação; e entende por reflexão o perceber a alma aquilo que nela própria acontece. De [[lexico:m:modo|modo]] que a palavra "reflexão" [[lexico:n:nao|não]] tem em Locke o sentido habitual, mas tem um sentido equivalente ao de [[lexico:e:experiencia|experiência]] interna, enquanto que a palavra "sensação" viria a significar a experiência externa. [[lexico:t:todo|todo]] o [[lexico:e:esforco|esforço]] de [[lexico:s:sutileza|sutileza]] e de [[lexico:a:analise|análise]] de Locke vai encaminhado a mostrar que as ideias, ou são [[lexico:s:simples|simples]] e têm sua origem num sentido ou em dois sentidos, ou na combinação de um sentido com a reflexão ou de dois sentidos com a reflexão; ou são compostas, quer dizer, estão formadas de amassilhos de ideias simples. Assim, por exemplo, a ideia de [[lexico:e:extensao|extensão]] é simples, porém está formada de impressões que procedem do sentido da vista, do sentido do [[lexico:t:tato|tato]] e do sentido muscular. Mas a [[lexico:i:ideia-de-substancia|ideia de substância]] é composta; está formada por outras ideias que se agrupam, que se unem. Essa [[lexico:u:uniao|união]] de outras ideias, essa [[lexico:s:sintese|síntese]] de outras ideias, é o que constitui para Locke a ideia de [[lexico:s:substancia|substância]], que ele define com uma palavra muito [[lexico:t:tipica|típica]]: como o "não-sei-quê" que está debaixo das diversas qualidades, das diversas sensações, das diversas impressões que uma [[lexico:c:coisa|coisa]] nos produz. [[lexico:e:esse|esse]] “não-sei-quê" era já, desde logo, suscitar por outros que vieram depois, o problema da substância. Porque Locke não duvida um [[lexico:m:momento|momento]], não põe em [[lexico:q:questao|questão]] a [[lexico:m:metafisica|metafísica]] de [[lexico:d:descartes|Descartes]]. Por conseguinte, para Locke as ideias simples, que nos vêm da sensação e da reflexão ou de uma combinação entre sensação e reflexão, são ideias às quais corresponde uma [[lexico:r:realidade|realidade]], uma realidade que existe em si mesma e [[lexico:p:por-si|por si]] mesma, como a substância extensa de Descartes. Do mesmo modo nossa [[lexico:i:intuicao|intuição]] de nós mesmos é para Locke o caminho que nos conduz à [[lexico:p:presenca|presença]] de uma substância [[lexico:r:real|real]], que existe em si mesma e por si mesma, que somos nós mesmos. Por conseguinte, é a metafísica cartesiana que está por debaixo de toda a [[lexico:t:teoria|teoria]] do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] de Locke. A única coisa que fez Locke foi analisar o conhecimento, esmiuçá-lo, chegar a seus últimos [[lexico:e:elementos|elementos]], que são as ideias, e mostrar como as ideias complexas se formam por composição, por [[lexico:g:generalizacao|generalização]] e [[lexico:a:abstracao|abstração]] das simples, e como as ideias simples são os elementos últimos que reproduzem a mesma realidade.