===== ORATIO ===== [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] inaugura, no Peri hermeneias, seu [[lexico:e:estudo|estudo]] da segunda [[lexico:o:operacao|operação]] do [[lexico:e:espirito|espírito]], com um capítulo (c. 4) sobre o [[lexico:d:discurso|discurso]] em [[lexico:g:geral|geral]]. Segundo a [[lexico:d:definicao|definição]] que é dada neste local, o discurso, ou mais simplesmente a [[lexico:f:frase|frase]], "oratio", é um conjunto verbal cujas partes, tomadas separadamente, têm uma [[lexico:s:significacao|significação]] como termos e [[lexico:n:nao|não]] como [[lexico:a:afirmacao|afirmação]] ou [[lexico:n:negacao|negação]]: “vox significativa ad placitum cujus partes separatae aliquid significant ut dictio non ut affirmatio vel negatio”. [[lexico:d:dito|dito]] de outra [[lexico:f:forma|forma]]: o discurso tem, como [[lexico:e:elementos|elementos]], [[lexico:s:simples|simples]] termos. Esta afirmação não vem sem dificuldades, uma vez que é comum encontrarmos enunciações que têm como partes proposições já constituídas. Ex.: "Se chover, a [[lexico:t:terra|Terra]] se molhará". Este caso especial das enunciações ditas "compostas" não está compreendido na definição que acabamos de dar, a qual não considera senão as enunciações "simples" que são o [[lexico:p:proprio|próprio]] [[lexico:t:tipo|tipo]] da [[lexico:e:enunciacao|enunciação]]. Na [[lexico:s:sequencia|sequência]] do livro, Aristóteles distingue o discurso imperfeito que deixa o espírito como que em suspenso "[[lexico:h:homem|homem]] justo", "de passagem", e o discurso [[lexico:p:perfeito|perfeito]] que apresenta algo como que acabado, definido: "Pedro é justo". O discurso perfeito se subdivide em enunciação e em [[lexico:a:argumentacao|argumentação]], formas expressivas correspondentes à segunda e à terceira operação do espírito, e em discurso [[lexico:p:pratico|prático]] (ordenativo), em que entra um [[lexico:e:elemento|elemento]] de [[lexico:i:intencao|intenção]] voluntária. Os discursos práticos são de [[lexico:q:quatro|Quatro]] espécies, segundo [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]] "Do [[lexico:f:fato|fato]] de que a [[lexico:i:inteligencia|inteligência]] ou a [[lexico:r:razao|razão]] não tem como [[lexico:f:funcao|função]] unicamente o conceber nela mesma a [[lexico:v:verdade|verdade]] objetiva, mas também o dirigir e ordenar as outras [[lexico:c:coisas|coisas]] de [[lexico:a:acordo|acordo]] com o que ela concebeu, resulta que, sendo a própria concepção do espírito significada pelo discurso enunciativo, deve haver outras formas de discurso que exprimam a [[lexico:o:ordem|ordem]] segundo a qual a razão exerce sua função de direção. Ora, um homem pode [[lexico:s:ser|ser]] ordenado pela razão de um [[lexico:o:outro|outro]], a três atos: primeiramente, a prestar [[lexico:a:atencao|atenção]]; a isso corresponde o discurso vocativo. Em segundo [[lexico:l:lugar|lugar]] a dar uma resposta vocal, e a isso corresponde o discurso interrogativo. Em [[lexico:t:terceiro|terceiro]] lugar, a executar, e a isso corresponde: relativamente aos inferiores o discurso [[lexico:i:imperativo|imperativo]] e com [[lexico:r:relacao|relação]] aos superiores o discurso deprecativo, ao qual se liga o discurso optativo, uma vez que o homem não tem outro [[lexico:m:meio|meio]] de agir sobre aquele que lhe é [[lexico:s:superior|superior]] pela [[lexico:e:expressao|expressão]] de um [[lexico:d:desejo|desejo]]". Peri hermeneias, I, L 7, n 5 E Tomás de Aquino conclui que, já que nenhuma destas formas de discurso exprime o [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] ou o [[lexico:f:falso|falso]], somente a enunciação propriamente dita vai interessar à [[lexico:l:logica|lógica]].