===== OPERAÇÕES DO ESPÍRITO ===== A [[lexico:l:logica|lógica]], [[lexico:c:como-se|como se]] viu, é a [[lexico:c:ciencia|ciência]] e a [[lexico:a:arte|arte]] da [[lexico:a:atividade|atividade]] [[lexico:r:racional|racional]] do [[lexico:e:espirito|espírito]]. O [[lexico:a:ato|ato]] [[lexico:p:proprio|próprio]] dessa atividade é o [[lexico:r:raciocinio|raciocínio]], quer dizer, o "[[lexico:d:discurso|discurso]]" organizado pelo qual se avança no [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] da [[lexico:v:verdade|verdade]]. Porém, há outros atos ou outras operações que entram como [[lexico:e:elementos|elementos]] na [[lexico:e:estrutura|estrutura]] do raciocínio. A primeira [[lexico:t:tarefa|tarefa]] que se impõe é a de distinguir e de definir essas diversas [[lexico:a:atividades|atividades]], o que nos assegurará um primeiro [[lexico:p:principio|princípio]] de [[lexico:d:divisao|divisão]] de nossa ciência. Uma [[lexico:a:analise|análise]] elementar permite distinguir três [[lexico:o:operacoes-do-espirito|operações do espírito]]. A [[lexico:s:simples|simples]] [[lexico:a:apreensao|apreensão]], ato simples do espírito, dirigida para um [[lexico:o:objeto|objeto]] simples ou concebido como tal. É a atividade elementar da [[lexico:v:vida|vida]] do [[lexico:p:pensamento|pensamento]], aquela pela qual se apreendem noções simples tais como: "[[lexico:h:homem|homem]]", "quadrúpede", "branco". O [[lexico:j:julgamento|julgamento]], ato igualmente indiviso, mas aplicado sobre um objeto [[lexico:c:complexo|complexo]]: nome-verbo, ou [[lexico:s:sujeito-copula-predicado|sujeito-cópula-predicado]]. Ex.: "a chuva cai", "este muro é branco". [[lexico:n:nao|Não]] há julgamento sem que haja pelo menos dois termos presentes, mas o julgamento nem por isto deixa de [[lexico:s:ser|ser]] uma atividade simples, uma vez que ele é a [[lexico:a:afirmacao|afirmação]] ou a [[lexico:n:negacao|negação]] da própria [[lexico:u:unidade|unidade]] desses dois termos. S. Tomás designa habitualmente essa [[lexico:o:operacao|operação]] pelas significativas expressões de "compositio" e de "divisio", segundo o julgamento seja afirmativo ou [[lexico:n:negativo|negativo]]. O raciocínio, principal objeto da lógica, é um ato complexo, aplicado sobre uma [[lexico:m:materia|matéria]] complexa. É essencialmente, uma marcha, um [[lexico:p:progresso|progresso]] do espírito, a partir de verdades reconhecidas, para a aquisição de novas verdades. Vejamos, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], este raciocínio disposto em [[lexico:s:silogismo|silogismo]]: [[lexico:t:todo|todo]] ser que se dirige pela [[lexico:r:razao|razão]] é livre. Ora, o homem se dirige pela razão. Logo o homem é livre. É visível que de duas verdades reconhecidas nas duas primeiras proposições [[lexico:e:eu|eu]] passo à aquisição de uma terceira verdade, que se acha expressa na conclusão. Tais são as três operações do espírito. É fácil reconhecer que o raciocínio, terceira operação do espírito, é constituído essencialmente de julgamentos, segunda operação do espírito, e que êstes, por sua vez, têm como elementos simples apreensões, a [[lexico:p:primeira-operacao-do-espirito|primeira operação do espírito]]. Alguns lógicos modernos, impressionados pelo [[lexico:l:lugar|lugar]] excepcionalmente importante que o julgamento tem na vida do espírito, pretenderam fazer dele a atividade elementar e primeira do pensamento. Segundo essa concepção, a primeira operação do espírito desaparece, ou pelo menos aparece somente como uma divisão abstrata do julgamento, que fica somente ele, como um ato [[lexico:r:real|real]] e completo. - Temos de reconhecer, com esses lógicos que o julgamento constitui, sob um certo [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista, a atividade mais perfeita do espírito. O próprio raciocínio tem como [[lexico:t:termo|termo]] um julgamento-conclusão. Porém não é menos verdade que, anteriormente ao julgamento, a simples apreensão permanece a atividade elementar do pensamento, e uma atividade psicologicamente discernível. O julgamento, com [[lexico:e:efeito|efeito]], é essencialmente uma [[lexico:s:sintese|síntese]] de dois termos preexistentes. Como é que essa síntese poderia [[lexico:t:ter|ter]] uma [[lexico:r:realidade|realidade]] se os termos que ela pressupõe não foram apreendidos anteriormente? Se se levam em conta as distinções que acabamos de estabelecer, poder-se-á dividir a lógica em três partes, correspondendo cada uma delas a uma das três operações do espírito, e das quais as duas primeiras serão como uma introdução à terceira: Lógica da simples apreensão Lógica do julgamento Lógica do raciocínio Essa divisão corresponde à própria [[lexico:o:ordem|ordem]] do [[lexico:o:organon|Organon]] de [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] que trata: nas [[lexico:c:categorias|categorias]], da simples apreensão; no Perihermeneias, do julgamento; e nos [[lexico:a:analiticos|Analíticos]] e livros seguintes, do raciocínio (cf. S. Tomás, II Analíticos, I, 1. 3, nºs 4-6, e Peri hermeneias, I, 1. 1, n.os 1-2). Eis aqui este [[lexico:u:ultimo|último]] [[lexico:t:texto|texto]], que traz um [[lexico:b:bom|Bom]] resumo do que acabamos de dizer: " ... existe uma dupla operação da [[lexico:i:inteligencia|inteligência]]: por uma, denominada "[[lexico:i:inteleccao|intelecção]] dos indivisíveis" (indivisibilium inteligentia), essa [[lexico:f:faculdade|faculdade]] percebe a [[lexico:e:essencia|essência]] de cada [[lexico:c:coisa|coisa]], nela mesma. A outra operação é a da inteligência que compõe e que divide. Deve-se acrescentar uma terceira operação, a do raciocínio, pela qual a razão, partindo do que é conhecido, vai à procura do que é desconhecido. Dessas operações, a primeira é ordenada para a segunda, visto que não pode haver composição e divisão senão entre objetos de simples apreensão. A segunda, por sua vez, é ordenada para a terceira visto que é [[lexico:n:necessario|necessário]] que se parta de uma certa verdade conhecida, à qual a inteligência dá seu [[lexico:a:assentimento|assentimento]], para atingir-se a [[lexico:c:certeza|certeza]] sobre [[lexico:c:coisas|coisas]] ignoradas. Sendo a lógica chamada a ciência racional, segue-se necessariamente que suas considerações devem tomar como objeto aquilo que tem [[lexico:r:relacao|relação]] com essas três operações da razão. O que concerne à primeira operação da inteligência, a [[lexico:s:saber|saber]], do que é concebido em uma simples [[lexico:p:percepcao|percepção]] dessa faculdade Aristóteles trata nos livros dos [[lexico:p:predicamentos|predicamentos]]. O de que se relaciona com a segunda operação, quer dizer a [[lexico:e:enunciacao|enunciação]] afirmativa e negativa, ele trata no livro do Peri hermeneias. Das coisas, finalmente, que são relativas à terceira operação, ele trata no livro dos Primeiros Analíticos e nos livros seguintes, onde se analisa o silogismo considerado em [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]] e as diversas espécies de silogismos e de argumentações das quais se serve a razão para ir de uma coisa à outra." A [[lexico:t:tradicao|tradição]] aristotélica e mesmo, em larga escala, a lógica [[lexico:m:moderna|moderna]] retomaram essa divisão da "[[lexico:a:ars|ars]] logica" segundo as três operações do espírito. Porém Aristóteles, sob um [[lexico:o:outro|outro]] ponto de vista, propôs uma outra [[lexico:d:distincao|distinção]] - a da [[lexico:f:forma|forma]] e da matéria do raciocínio - que, vindo interferir com a precedente, não se deu sem complicar as coisas, sobretudo pelo [[lexico:f:fato|fato]] de que a [[lexico:e:escolastica|escolástica]] posterior estendeu o seu [[lexico:u:uso|uso]] a toda a lógica.